Blog Lairce Cardoso

Lairce Cardoso

VOLEIBOL, MINHA JORNADA DE APRENDIZAGEM

23 de abril

Campeão Olímpico fala de sua trajetória na carreira de voleibol, suas emoções e expectativas de vida.

Sou André Heller. E contrariando todas as probabilidades, me tornei Campeão Olímpico em Atenas 2004 pela Seleção Brasileira de Vôlei. Atleta profissional por 24 anos, sendo 12 dedicados à Seleção. Campeão Mundial em 2006 e 6 vezes Campeão da Liga Mundial.

Sou formado em Gestão Aplicada ao Esporte FIA/USP e Neurocoaching- Neuroleadership Institute Brasil. Embaixador e coordenador do Projeto Vôlei Renata e idealizador do Programa de Iniciação Esportiva VOLEIBOL ANDRÉ HELLER.  Atualmente, sou palestrante e atuo nesta área há mais de 12 anos.

Embora tenha experimentado o gosto bom da vitória por diversas vezes nas quadras de vôlei por esse mundão afora, para mim, o sentimento de campeão não se relaciona direta e exclusivamente à conquista de medalhas e títulos. Ser campeão é entender que a conquista é o aprendizado que acontece ao longo da jornada!

Venho de uma família muito simples, de uma cidade chamada Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul. Sou o filho mais novo de três. Meus pais sempre batalharam muito para colocar comida na nossa mesa e, como a escassez estava sempre nos espreitando, eles sempre nos ensinaram que o maior patrimônio que podíamos ter, e que ninguém poderia nos tirar, era o conhecimento! Minhas irmãs se tornaram professoras logo cedo (aliás, ótimas professoras!) e eu, mesmo seguindo o caminho esportivo, nunca deixei a educação de lado.

Sou asmático desde o nascimento (aliás nasci prematuramente de sete meses e pesava apenas dois quilos) e, na pré-adolescência, vivia períodos de muita ausência na escola em função das crises respiratórias. Como eu mantinha minha vaga sob o regime de ¨bolsa integral¨, as faltas estavam ameaçando a continuidade desta condição.

Meus pais não tinham mais condições de manter o tratamento com remédios e inalações e, sob a orientação do pediatra, me colocaram no esporte para melhorar a minha condição física. Tentei a natação, mas afundava na piscina, e acabei descobrindo que era alérgico ao cloro. No basquete, como o meu repertório motor ainda era limitado, não encontrei motivação. Meu pai foi atleta e depois treinador de voleibol e, como a modalidade, estava no meu DNA, comecei a observar o time da escola e considerar a possibilidade de fazer parte daquilo.

Entrei em contato com o técnico do time, porém ele me disse que eu não poderia fazer parte, pois aquela equipe reunia os melhores e eu estava longe de ser um deles. Na semana seguinte, fui fazer uma peneira (seleção de talentos) em um clube local. Me juntei a mais de 200 jovens que tinham o mesmo objetivo que eu. Acabei sendo aprovado em função exclusivamente da altura, pois também deixaram claro que eu ficaria ainda em período de teste e teria que melhorar muito para permanecer. Foi quando descobri que quanto mais eu me dedicava ao meu processo de desenvolvimento, melhor eu ficava e, proporcionalmente, mais eu amava aquela atividade, o voleibol.

No início, eu não consegui mostrar para a minha família o que a modalidade significava para mim e, por consequência, eles não entenderam, sobretudo os meus pais, que se concentravam em atender as nossas necessidades básicas. Quando finalizei o ensino médio, as minhas irmãs me assumiram como patrocinadoras, comprando tênis e joelheiras. Depois de um ano investindo exclusivamente no meu treinamento, comecei a colher os primeiros resultados.

Meus pais foram importantíssimos para mim, pois como líderes, se concentravam em me dar o que eu precisava e não o que eu desejava. Neste sentido, me ensinaram que eu era o único responsável pela minha história e que, se eu quisesse ser um atleta profissional, teria que fazer as escolhas corretas.

Por mais que no início eles não entenderem que o voleibol poderia ser a minha profissão (o que era muito compreensível na época), inclusive esperando que eu percorresse o caminho de outras profissões, eu tenho plena certeza de que eles fizeram o que podiam fazer de melhor com os recursos que tinham no momento.

Vôlei, para mim, significa, na prática, um processo profundo de descobertas e transformação. Através do voleibol, encontrei a minha jornada de aprendizagem.

Sempre achei que as minhas maiores emoções viriam do esporte. Pois é, eu estava completamente CERTO.  Do esporte veio minha amiga, companheira e esposa Marcelle Rodrigues. A nossa união gerou o primeiro presente divino em 2010: a nossa amada Helena e depois em 2015, fomos abençoados com a chegada do surpreendente Vinícius.

Ah! voleibol, o que reservas ainda para minha vida! Família é a maior bênção que podemos receber.

Do ponto de vista esportivo, todas as conquistas foram importantes e essenciais para cada passo na minha trajetória. As medalhas olímpicas ocupam um lugar especial no meu coração, pois era o meu sonho, desde o princípio, conquistá-las.

Do ponto de vista pessoal, tenho muitos sonhos ainda. Estou terminando os meus livros (um é infantil) e quero muito voltar à faculdade.

Minhas expectativas para o futuro são muito positivas, porém, como todos sabemos, o futuro é consequência do que fazemos no presente, no aqui e agora, por isso tenho me dedicado muito a viver plenamente todos os momentos que a vida me oferece! Na era da informação instantânea e do ¨estar online 24h por dia¨, o nosso grande desafio, considerando nossa natureza social, é não perder a conexão com nossa essência e com nossos semelhantes.

E é isso que me faz feliz e me motiva todos os dias: saber e entender que a jornada é a grande dádiva da vida, no entanto, não se pode perder de vista que a mesma deve ser regada de muito amor e cooperação!

Não desista no primeiro obstáculo. As dificuldades não aparecem no caminho, elas já fazem parte. Foi através dos ¨nãos¨ que recebi, que descobri a força para me transformar e desenvolver. O esporte se relaciona muito mais com educação, transformação e colaboração do que simplesmente com a busca de medalhas e títulos.

A realização acontece ao longo da jornada e não somente no destino final. Aqueles que focam exclusivamente no resultado final, esquecem de ser felizes ao longo do processo. Podemos e devemos ser felizes mesmo com a presença de dificuldades, problemas e frustrações. Ao contrário do que nos ensinaram, o pote de ouro não está somente no final do arco-íris; podemos encontrá-lo ao longo do caminho, mesmo que, por vezes, o arco-íris esteja preto e branco.

www.instagram.com/andrehelleroficial www.facebook.com/andre heller

Quer me conhecer melhor? Assista ao vídeo “Quem sou eu” https://www.laircecardoso.com.br/quem-sou-eu

Sobre o Autor: Lairce Cardoso
Lairce Cardoso

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Nasci no berço da família Cardoso, na cidade de Paranapuã, no interior de SP no dia 15 de Julho de 1.963. Sou a nona filha do Senhor Libério e da Dona Lindaura.

Comentários (4)

Cidinha Pereira Responder

Quando não desistimos de nós…o universo conspira à nosso favor.

23 de abril de 2020 at 16:17
Alcir Responder

Que historia linda de ler ,além de ser um grande atleta um exemplo de um ser humano .
Parabéns Andre Heller! !!

23 de abril de 2020 at 16:46
Dinho Responder

Através destas pessoas que me inspiro para trilhar o meu caminho, parabéns!!!

23 de abril de 2020 at 18:37
Mari Responder

História inspiradora!
Nos da força para não desistir, independente do que aconteça …
Bjosss

24 de abril de 2020 at 16:05

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