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Lairce Cardoso

VOCÊ TEM MEDO DE QUE?

19 de agosto

Você tem medo de que? Se arriscar uma pergunta dessas a uma criança, provavelmente ficará surpreendido com as respostas. Crianças são sempre muito corajosas. Lembre-se de você ainda pequenino. Algo te metia medo?  

Porém todo mundo já atravessou sua fase de medos e creio que, assim como eu, muitos devem ter ficado com os cabelos em pé por causa de uns medos, que aparecem sei lá de onde. É claro, existem os que necessitam de cuidados muito especiais, mas alguns , do mesmo jeito que aparecem também desaparecem espontaneamente.

Mas medo é medo, independentemente se, medinhos, medos ou medões. Às duras penas aprendi sobre isso.

Jamais devemos duvidar, subestimar ou desprezar os medos de ninguém, especialmente os dos nossos filhos, antes devemos entender os seus motivos e juntos buscar uma solução. 

Meu pequenino corajoso

Quando pequenino meu filho era do tipo bem “chicletinho” porque vivia grudado em nós, mas por volta de seus sete anos, percebi que, repentinamente, esse grude estava demais. Ele não dava um passo, até mesmo dentro de casa, se não estivesse agarrado com a gente.

Qualquer coisa era motivo de choro, não entrava no banheiro sozinho e vivia sobressaltado até com o tom de voz um pouquinho mais alto. Confesso que à princípio não dei muita bola, achei que era artimanha para chamar atenção.

No entanto, com o decorrer do tempo, a situação foi ficando insuportável. Todas as noites era uma loucura na nossa casa, era um verdadeiro martírio para todos nós.

 Ele não queria dormir na sua cama, então esperávamos ele adormecer para colocá-lo em seu quarto, mas nas madrugadas acordava aos berros. Durante muitos dias, perdurou essa fatalidade e já não sabíamos mais o que era ter uma noite bem dormida.

Questionado muitas vezes sobre o motivo, ele dizia categoricamente que não tinha nada, apenas não queria ficar sozinho.  Na escola, os episódios também começaram a acontecer e ele nem queria mais brincar com as demais crianças. E, olha que ele era muito popular na escola, alías em todos os lugares que chegava, mas naquele tempo, nada o tirava do nosso encalço.

De onde vinha todo aquele medo

Tanto ele, quanto nós estávamos sofrendo muito. Conversávamos com ele de todos os jeitos, com calma, com carinho, mais bravos, e às vezes, com pouca paciência, é verdade, especialmente por causa da exaustão de tudo aquilo, mas nada se resolvia. A nossa casa vivia carregada de uma atmosfera de inquietação e principalmente quando a noite chegava, todos nós, perdíamos o ar.    

Um dia, depois de muita oração, sentei-me com ele e pedi encarecidamente que confiasse em mim e que contasse o que estava acontecendo.  Prometi que, independente da razão de tudo aquilo, eu iria ajudá-lo. Então, ele me abraçou e entre lágrimas contou que estava morrendo de medo da Loira do Banheiro

 

Confesso, que à princípio minha reação foi de estranheza, nem sabia o que dizer. Tudo aquilo por só isso.

Meu Deus! Levei o maior susto. Eu nem sabia que esta história ainda existia. Isso era coisa da minha adolescência.

Então era uma hisória de terror

Então, entre prantos e muito envergonhado, revelou que numa viagem que havíamos feito, aproximadamente uns três meses trás, à noite, ele mais uns primos se reuniam para gravar vídeos, contar histórias e numa dessas noites contaram sobre a tal loira. Coisas de crianças eu sei, mas maldosamente ao perceberem que ele ficou com medo, mostraram todas as fotos dela na internet, triplicaram os feitios da pessoa e, durante toda a viagem pregavam sustos com desenhos da tal loira. Depois daquele dia, nunca mais conseguiu dormir direito. 

Bom! Pelo menos, agora o motivo já sabíamos, mas como resolver? Como convencê-lo de que aquela história não era verdadeira? E, foi então que percebi o quanto aquilo o assustava, porque tocar no assunto o deixava suandro frio e branco feito uma folha de papel.

Percebi daí, que tinha sido muito dura com meu filho e meu coração doeu. Pedi perdão a ele e prometi que juntos íriamos resolver aquela questão. Foi muito difícil, acreditem! Conversavamos com ele, rezavamos juntos, a sós, em casa, na igreja e nada o acalmava.

Teve intervenção dos avós, dos padrinhos, amigos e nada. Às nossas madrugadas passou a ser um verdadeiro pesadelo. Sem contar que ele vivia abatido, desligado e estava influenciando nas notas escolares. Foi um período assustador.

A ajuda que veio do céu

Depois de muito sofrimento, numa tarde abençoada o Senhor tocou o nosso coração. O meu e o dele.

Ao sair de uma consulta do seu médico pediatra, com uma guia médica para agendar um psicólogo, passamos de frente à Igreja Santo Antônio na Avenida Saudade, aqui na minha cidade.

Olhei para ele, através do retrovisor e o vi sentado tão desanimado no banco de trás do carro e meu coração ficou apertado, pois a sua aflição era visível a olhos nus.    Tocada pela sua dor, de supetão, perguntei:  

– Filho quer parar um pouquinho aqui? Vamos rezar juntos e vamos pedir pra Deus nos ajudar. Quem sabe Ele nos ajuda.

Os olhinhos dele brilharam e encheram de lágrimas.  Ele simplesmente concordou com um aceno de cabeça.  

Parei o carro e rapidamente entramos na igreja, acendemos umas velinhas, rezamos juntos e em seguida sentamos no primeiro banco e ficamos conversando mais um pouco, depois o silêncio se fez entre nós, e eu não conseguia achar mais nenhuma palavra que o convencesse que tudo ficaria bem.

Fiquei apenas segurando sua mão e, do fundo do meu coração, em silêncio pedi a Deus que nos ajudasse naquele momento difícil.

Foi então que percebi que havia uma movimentação de senhoras enfeitando o altar com flores para uma celebração que iria acontecer logo mais à noite. De repente uma delas perguntou se queríamos ajudar. Quase que num coro, respondemos que sim e nos reuníamos a elas na tarefa de enfeitar altar.

Bendito Padre Fábio

Passou alguns segundos o Pároco da igreja se juntou a nós.  Era um Padre bem jovem e senti que ele iria me entender se eu contasse o nosso dilema.

 Discretamente contei a ele o que estava acontecendo, então ele, gentilmente, sem qualquer julgamento sentou-se no chão ao lado do Lucas e executando a mesma tarefa , iniciou uma conversa, e começou contar algumas histórias de sua infância.

Depois de um tempo ali ao lado do sacerdote, meu filho lançou-me um olhar como a pedir autorização. Respondi com um sorriso e, então, ele contou ao Padre Fábio o que o estava amedrontando.

Os dois ficaram um bom tempo sentados ali na tarefa de enfeitar o altar e a contar histórias e o gentil Sacerdote finalizou sua conversa dizendo que ele não precisava se envergonhar por ter medo e que quando criança ele morria de medo da Luzia.

Na sua cidade natal, na Espanha, as crianças tinham medo da Luzia.

Contou que numa certa ocasião, por causa dessa história a cidade viveu um verdadeiro caos , tamanho o pavor que os pequenos sentiam ao sair da escola, pois a história da Luzia, é quehavia morrido na porta da escola quando foi deixar o filho e que aparecia por lá, todos os dias para buscá-lo.

Muitas mães desesperadas iam todos os dias buscar seus filhos e só depois de muito trabalho e de muita ação de pessoas que se despuseram a dar um fim naquela situação, é que o boato foi perdendo forças e, aos poucos, foi caindo no esquecimento.

Rezamos juntos e o Padre Fábio deu-nos uma benção e uma pequena vasilha com água benta e pediu que ao chegar em casa, ungíssemos cada canto de nossa casa com aquela água e que rogássemos para que o Senhor Jesus intercedesse por nós, pelo nosso lar, e que nos trouxesse a paz.

Uma Oração de Purificação

Ensinou-nos uma oração de purificação, que jamais me esquecerei.

Meu Deus, abençoai esta casa e não deixai nenhum mal entrar. Afastai as coisas ruins, venha conosco ficar. Minha alma vos pertence, só a vós posso entregá-la. Prometo, do fundo de minha alma, só por vossa lei me guiar. Penso em vós a todo o instante, estais acima de tudo. Pelo amor que vos tenho é que eu vivo neste mundo.

Iluminai minha casa e nunca a deixai no escuro. Abençoa cada quarto, sala e cozinha, todo teto, paredes e escadarias e onde piso. Abençoai-nos todo o dia.

Afaste de nós toda a tristeza, fique em nossa companhia. Dê a todos fé, amor e humildade toda a vida e aos que precisam a consciência Divina. Ponde Luz em todas as casas, acabai com a escuridão.  Usai todo o vosso poder, cuide sempre desse lar. Fazei com que todos se unam e possam sempre se amar. Não esquecei um só dia, de vir nos visitar. Sentai conosco na mesa, quando formos nos alimentar. Deus de amor, meu Pai eterno, jamais esqueças de nós. Abençoa esta casa como abençoastes tudo aqui“.

Uma prece de agradecimentos

Ficamos ainda, um bom tempo por lá, ajudando com os adornos do altar. Acendemos novas velinhas, agora por nossas famílias, rezamos por todos, agradecidos por ter nos fortalecidos e fomos embora, crentes que tudo havia acabado.

Já na calçada ele deu-me um abraço apertado e disse que estava se sentindo muito aliviado e eu, silenciosamente, agradeci a Deus por aquele momento de paz que há muito não sentíamos.  

Chegando em casa, imediatamente, fizemos o ritual que aprendemos e naquela noite meu filho dormiu até amanhecer o dia e levantou-se com uma alegria, sem igual, para ir à escola.

O episódio passou e eu nunca mais duvidei do medo de alguém. É um sentimento muito ruim e incontrolável, capaz de tirar qualquer pessoa do prumo. Foi uma grande lição na minha vida.

Soube que aquele triste episódio havia de vez sido encerrado na nossa vida, quando num final de semana, o Juan, nosso afilhado, veio nos visitar e contou que estava com medo da loira do banheiro.

Fiquei arrepiada e pensei: “Ai meu Deus, de novo, não. Depois, fiquei mais tranquila, ao perceber que era apenas influência de uma conversa que ouvira sobre o ocorrido com o primo.

Mas o Lucas, não se fez de rogado e nem deixou a conversa continuar:

– Juan, fala sério! Se você tá com medo da Loira do Banheiro é porque você não conhece a Luzia.

Hoje, apesar do tamanho, vira e mexe ele amanhece na nossa cama, mas aí é xodó mesmo.

Os medos de nossos pequenos

É normal uma criança pequena sentir medo, até porque essa é uma emoção natural que nos ajuda a lidar com novas experiências e nos proteger dos perigos. Tanto que os contos de fadas e filmes como “Monstros S.A” podem ajudar a criança a superar o medo, vendo como os heróis e heroínas lidam com o perigo.

Hoje depois de muitas mudanças em minha vida, numa transição profissional muito importate na minha história sou Terapeuta Sistêmica e, atendo inclusive crianças e, quis deixar esse alerta aqui, porque vejo que muitos pais, assim como aconteceu comigo, não olha para os medos de seus filhos com o cuidado que se faz necessário.

Por isso, deixo aqui o meu testemunho como um alerta. Por favor, pais não despreze os medos dos seus filhos. Medo é uma coisa cruel que paralisa e pode trazer muitos transtornos quando não cuidado como dever ser. Por isso:

Não subestime os medos das crianças

Mesmo que pareça bobo ou irracional, o medo que a criança sente é sério e bem real. Rir dos seus temores abala sua confiança e não ajuda a diminuir o medo. Ideal é mostrar a ela que você entende como é ter medo de algo e, aos poucos, conseguirá lidar com isso. Depois de acalmá-la, você pode tentar minimizar o temor mostrando livrinhos, brincadeiras ou atividades que te ajude a explicar e conversar sobre seu medo.

Não force, mas ajude a criança a enfrentar o medo gradualmente

Uma forma de enfrentar o medo de monstros é materializa-lo num desenho. Assim, a criança tem a possibilidade de passar para o papel sua angústia e falar sobre seu temor. Converse com seu filho sobre o medo, sem dizer que é bobeira. Ajude-o a pensar numa maneira de lidar com esse medo. Não obrigue seu filho a passar por situações que ele tenha medo; ele tem o direito de acostumar-se aos poucos com o que teme.

Dê uma explicação racional para o medo

Explicar de forma simples e racional sobre o que está acontecendo pode ajudar a criança assustada a superar o medo.
Para algumas crianças, uma demonstração pode ajudar. Por exemplo, se ela acredita que pode ser sugada pelo ralo do banheiro, você pode explicar que água e bolhas de sabão descem pelo ralo, mas crianças e patinhos de borracha não.

Crie algo para combater o medo

Objetos de estimação (bichinho de pelúcia, fraldinha, amuleto etc.) podem ajudar a criança a enfrentar situações que a assusta. Ela provavelmente levará o objeto para todo lugar, até que encontre outras formas para se acalmar.
Entre no seu mundo. Borrife o quarto com spray anti-monstro (use um borrifador com água, acrescente alguma essência aromática e gliter ou lantejoulas) ou pronuncie “frases mágicas” para afastar os visitantes indesejados. Desta forma, a criança se sentirá protegida na hora de dormir. Outro recurso é nomear um bichinho de pelúcia que ele goste para ser seu “guarda”. Para combater o medo do escuro, coloque um abajur ou deixe uma luzinha iluminando o quarto.

Reduza o medo, contando uma história engraçada sobre o monstro

Uma excelente alternativa para ajudar a criança a lidar com o medo é contar histórias engraçadas em que o personagem enfrenta o medo e sobrevive. Você pode inventar a historinha ou procurar por livrinhos que falem sobre isso.

Atenção aos medos

Fique de olho ao que seu filho está assistindo, pois ainda que seja um programa inofensivo pode deixa-lo assustado. Assim, é melhor mudar de canal ou sugerir outra atividade. Também reveja as amizades. Seu filho pode ser mais frágil. Ele não tem nenhuma obrigação de ser descolado como todas as demais crianças. É só uma fase vai passar, se tratado como merece ser.

Procure ajuda profissional

Atente-se a intensidade e frequência do medo, pois a criança pode desenvolver um problema de ansiedade ou sofrer algum tipo de fobia. Para essas situações, será importante buscar ajuda profissional, evitando que o medo interfira nas atividades normais.

Um pouquinho sobre mim

Sou Terapeuta Complementar e Consteladora Sistêmica e trabalho tanto com crianças e adolescentes quanto com adultos. Como terapeuta meu principal objetivo é contribuir com a melhora comportamental, auxiliando o paciente a encontrar o caminho do autocuidado e autoconhecimento.

Então, se você se percebe que deve dar mais atenção a sua saúde mental e emocional de um modo geral, saiba que a terapia sistêmica é um grande apoio. Especialmente nos processos de autoconhecimento, a terapia poderá te ajudar a ter mais consciência sobre suas questões que causam sofrimentos, recuperando assim seu bem estar, auto estima e, até mesmo o resgate de si mesmo.

Contar com ajuda de um profissional não é sinal de fraqueza, portanto, se você passa por alguma situação difícil neste momento, não se faz necessário passar por tudo sozinho(a). Além disso, a ajuda de um profissional qualificado, poderá te ajudar a atravessar esse processo de maneira mais leve.

Por isso, dê-me a oportunidade de mostrar como a Terapia Sistêmica poderá ajudá-lo nos diversos seguimentos de sua vida. Agende um horário e venha tomar um café comigo, é provável que aqui você se liberte de suas amarras.

Siga-me para mais dicas: http://lairce_cardoso_ofc

Sobre o Autor: Lairce Cardoso

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Nasci no berço da família Cardoso, na cidade de Paranapuã, no interior de SP no dia 15 de Julho de 1.963. Sou a nona filha do Senhor Libério e da Dona Lindaura.

Comentários (6)

Cássia Responder

Fiquei emocionada com a história.

6 de dezembro de 2019 at 00:27
Helena Responder

Bela mensagem ! Muitas famílias passam por momentos parecidos, e com certeza essa história linda vai ajudar tanto!

6 de dezembro de 2019 at 20:29
Léo Responder

Linda história!

8 de dezembro de 2019 at 21:08
Alexandra Cosmo Responder

Que história! Muitas vezes passa batido esses medos e não nos atentamos o quão grave pode ser ou ficar. Muito esclarecedor. Com certeza vai ajudar muita gente a entender melhor quando os filhos ou uma outra pessoa conte que tem medo de algo. Lindo Blog Lá…Bjoooo

9 de dezembro de 2019 at 22:38
Alice Responder

Senti medo é terrível, deixa a pessoa insegura e fragilizada!
Bela historia, obrigada por compartilhar, fé!!

6 de dezembro de 2020 at 14:20
Alice Responder

Senti medo é terrível, deixa a pessoa insegura e fragilizada!
Bela historia, obrigada por compartilhar, fé!!

6 de dezembro de 2020 at 14:20

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