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Lairce Cardoso

TRIBUTO DE GRATIDÃO AOS MEUS AVÓS

4 de janeiro

Esse tributo de gratidão aos meus avós é uma forma de agradecer por tudo o que aprendi com eles, pois eles foram grandes exemplos em minha vida.

Meus avós eram gentis, amorosos e caridosos com todos à sua volta, independentemente do tamanho dessa volta. Guardo-os em um cantinho especial do meu coração desde a minha infância.

Eu sou Marilia Rosário Bestani, tenho 60 anos e assim como meus pais, Camel e Tereza, eu também nasci na cidade de Campinas.

Meu pai é descendente de Árabes e minha mãe de Italianos. Minha família é meu porto seguro e deles herdei ensinamentos que me sustentam até os dias atuais.

Guardo com carinho em minhas lembranças as atividades simples mais muito prazerosas com a minha família nas tardes de domingo, quando por exemplo, assistíamos ao programa do Roberto Carlos e nos divertíamos com as músicas dos ídolos da época como o Jerry Adriani, Vanderleia, Erasmo Carlos, os Vips, Trio Ternura.

 E no fim do dia de domingo sempre nos reuníamos para tomar um lanhe e nos preparar para a semana seguinte.

Minha infância foi muito gostosa e lembro que, até os anos 70, Campinas era uma cidade pequena e um lugar adorável de se viver onde todos se conheciam e eram amigos.

Recordo de aspectos tranquilos da cidade que só quem nasceu aqui pode ter experimentado, como por exemplo, os carnavais maravilhosos no Clube Líbano que ficava na Rua Ferreira Penteado próximo à Casa de Portugal.

Recordo ainda com uma pontinha de nostalgia da Igreja São Judas Tadeu, que ficava frente à minha casa, onde eu e a criançada disputávamos o badalo do sino que batia pontualmente ao meio dia e as seis horas da tarde.

Campinas se agigantou e hoje as pessoas já não se conhecem mais, mas na minha meninice não havia condomínios, prédios e todos moravam em casas de ruas e foi nessa ocasião que meus avós maternos ensinava, através de suas atitudes, a ser caridoso com os menos favorecidos.

A cozinha da casa da minha avó era gigantesca porque ali era confeccionada a alimentação para prover toda a família, porque naquele tempo não tinha essa história de que se precisasse de alguma coisa poderia ir buscar no supermercado, tudo era feito em casa.

Toda sexta-feira e todo sábado era sagrado, minha avó fazia as massas do macarrão para toda a semana, também fazia o pão de cada dia, porque, também, não existia padaria.

Aos domingos nos reuníamos para saborear a deliciosa macarronada da Nona, mas na hora de preparar a macarronada da família ela sempre dobrava a quantidade do preparo para levar nas cadeias públicas e servia a massa fresquinha aos detentos. Ela entendia que estar aprisionado já era algo muito difícil, ainda não ter o conforto de um prato de macarronada quentinho aos domingos era pior ainda.

Era uma caridade a La Italiana.

É claro que estamos falando da cidade Campinas muito pequena, onde só tinha uma cadeia e poucos presos. Mas o que me enche de orgulho não é a quantidade oferecida mas o gesto. Como ela amava saborear o macarrão quentinho e saboroso aos domingos no aconchego do seu lar e acompanhado de seus familiares queridos, ela queria oferecer, pelo menos, um pouquinho do que tinha de melhor em sua vida.

As pessoas tinham o hábito de bater palmas nas portas das casas para pedir ajuda e, naquela ocasião isso somente acontecia quando realmente precisavam de auxílio e já não se tinha outra alternativa.

Lembro-me que as pessoas pediam sim, mas percebia-se o quanto sentiam-se envergonhadas. E para todo aquele que pedia por socorro no portão da minha avó sempre tinha um prato de comida e um pedaço de pão, um copo de água e uma fruta. À vezes uma roupa usada, um cobertor ou um travesseiro.

A minha avó nunca negou nada para ninguém e quando era questionada sobre o fato de querer sustentar a Deus e a todo mundo ela dizia: Eu não posso sustentar o mundo, mas eu posso ajudar aquele que bate à minha porta.

Meu avô também tinha um coração de ouro e para ele, viver abandonado na rua feria a dignidade do ser humano, assim todo aquele que lhe pedisse esmolas deveria ser contemplado.

Ele sempre dizia que a sua obrigação era dar, definir o quanto era por conta de Deus, então ele metia a mão no bolso e a nota que saísse ele dava de presente pra pessoa. E o interessante é que nunca lhe faltou recursos para ofertar uma assistência a alguém. 

Hoje quando ando pelas ruas da cidade e vejo tantas pessoas pedintes, esmolando dinheiro e fraternidade, quando não temos mais segurança com tantos assaltos, quando vejo o mundo de ponta cabeça meu coração fica apertado porque eu cresci num ambiente onde a caridade era o lema da família.  

Fui crida dentro de princípios de que a verdadeira prática da caridade deve ser ofertada sempre, sem escolher para quem. A caridade não tem olhos, tampouco pensamentos, ela apenas tem destino.

Você estende a mão e quem precisar terá o benefício, sem julgamentos ou esperar nada em troca.

É claro que no mundo atual, devemos nos resguardar e saber dirigir nossa ajuda, mas esses ensinamentos me sustenta até os dias de hoje.

Ser caridoso e amar ao próximo sempre teve um valor muito grande pra mim e pra minha família.

Hoje eu já não tenho mais ninguém da minha família, todos já se foram. Eu me casei e me separei e não tive filhos, mas Deus me presenteou com amigos fabulosos, que assim como eu, faz questão de manter vivo o princípio da caridade.

Quer me conhecer melhor? Assista ao vídeo “Quem sou eu” https://www.laircecardoso.com.br/quem-sou-eu/

Sobre o Autor: Lairce Cardoso
Lairce Cardoso

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Nasci no berço da família Cardoso, na cidade de Paranapuã, no interior de SP no dia 15 de Julho de 1.963. Sou a nona filha do Senhor Libério e da Dona Lindaura.

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