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Lairce Cardoso

O PERDÃO ALIVIOU A MINHA ALMA

2 de dezembro

Sou Alzira Tavares, tenho setenta e dois anos, sou casada há quarenta e sete anos e tenho três filhos e seis netos e eu tive uma experiência muito gratificante na minha vida que me ensinou o quanto o perdão aliviou a minha alma.

Embora eu tenha nascido, crescido e educada numa família onde os preceitos religiosos sempre foram muito valorizados, a verdade é que, a gente só descobre que o perdão alivia a alma, quando sentimos na pele a dor de um sofrimento que, até, escure o coração.

Aprendendo a perdoar, compreendi que o perdão é um sentimento tão puro e abençoado quanto o amor, por isso, é capaz de limpar o coração de todo mal e toda angustia, além de nos dar a capacidade de tocar a vida adiante, com a cabeça erguida e com o espírito mais leve.

Quando eu estava com nove anos de casada, meu marido apareceu com uma revelação bombástica. Contou que tinha uma filha de 9 anos, de um relacionamento acontecido cinco meses antes de casarmos.

A menina havia nascido quatro meses após o nosso casamento e ele, por sua opção, não havia assumido a paternidade.

Na mesma ocasião, recebi um chamado da minha sogra para uma conversa muito séria e nesta oportunidade me entregou uma carta da mãe da menina, onde relatava todo o ocorrido.

Ela não fez nenhuma exigência, pediu apenas a autorização para que a filha pudesse conhecer os avós, pois era um grande desejo da pequena. 

Por uma questão de respeito e consideração para comigo, minha sogra, informou que apenas autorizaria essa aproximação se eu permitisse, caso contrário, o assunto seria encerrado.

Mesmo com o coração dolorido, mas levando em consideração todos os meus preceitos e ensinamentos cristãos, disse-lhe que eu não tinha o direito de impor nenhuma condição e que ela estivesse à vontade para decidir.

Por se tratar de um assunto de grande seriedade, entendi que deveria ser partilhado com os demais membros de minha família, além disso numa conversa com meu pai ele me disse que eu não seria a última pessoa a passar por uma situação conflitante como essa. Isso pesou muito na minha decisão.

Depois dessa conversa com meu pai, não tive mais dúvidas e contei ao meu filho, que na ocasião tinha 9 anos, toda a tribulação que estávamos enfrentando e a sua reação foi de muita alegria e euforia. Ele não cabia em si de contentamento porque há muito tempo pedia para ter irmãos.  

Dessa forma, não foi surpresa para ninguém, que eles se amaram desde o primeiro momento que se conheceram. Isso, de certa forma, nos aliviou um tanto a carga daqueles dias.

Logo após, a Marcela, esse é o seu nome, passou a frequentar nossa casa, assim como participar dos passeios e viagens. E, como era de se esperar, passamos, também, a suprir algumas necessidades básicas, como roupas, materiais escolares e até mesmo alimentação. Tudo ia caminhando conforme o andar da carruagem.

A princípio, achei que tivesse aceito a situação, afinal eu sempre me considerei uma boa pessoa, mas as coisas mudaram. Inesperadamente, para meu martírio, aquela aproximação despertou em mim sentimentos que eu desconhecia.

De repente, ficou insuportável a existência daquela menina no nosso meio. Sentimentos de raiva, ódio e ciúmes me atormentavam e eu não queria mais sua presença em minha casa, e muito menos na minha vida.

Não a privei em nada da ajuda financeira que precisava, por isso continuamos ajudando, mas a sua companhia era muito incomoda pra mim, por isso dei um basta.

Portanto, não quis que ela frequentasse mais minha casa, não queria fazer parte da sua história, assim os encontros com o meu marido e meu filho passaram a ser em outros lugares.  Isso durou aproximadamente quatro anos.

Nesse tempo, fiquei muito abatida e sofria muito com a situação, aquilo ainda não estava resolvido pra mim. Comecei um tratamento de terapia e redobrei meus pedidos em minhas orações para que o Senhor me curasse desses sentimentos ruins.

A mágoa me consumia, pois além do meu filho, todos os meus familiares acolheram-na com carinho e amor, mas eu não conseguia me livrar daqueles sentimentos que pesavam em meu coração.

Programamos uma viagem para visitar minha sogra, que na ocasião morava em outra cidade, e durante os preparativos da viagem, meu marido telefonou dizendo que a Marcela estava com ele, visitando-o no local de trabalho. 

Naquele momento, inexplicavelmente senti uma vontade muito grande de convidá-la para ir conosco para visitar a avó, e ela aceitou de imediato.

Coisas de Deus, que nunca ousei questionar, mas a partir deste gesto, senti como se toda minha alma tivesse sido lavada de toda a enfermidade espiritual e emocional.

Depois daquela viagem, estranhamente passei a nutrir por aquela adolescente, que na ocasião contava com 15 anos um amor imenso, que confesso ainda não havia experimentado.  

Só então, pude ter a oportunidade de conhecê-la verdadeiramente. Aquela jovenzinha tinha uma grandeza especialíssima. Extremamente educação, tinha tanto respeito e consideração para com a minha pessoa que a minha cegueira me impediu de enxergar. 

Além disso, por causa de tantos sentimentos mesquinhos, não tomei consciência que estava privando meu filho, que já estava com 13 anos, de um relacionamento afetivo com a irmã, a quem ele amava de paixão.

Tínhamos tomado a decisão de ter mais um filho e eu já fazia tratamento para engravidar há praticamente um ano e novamente Deus nos mostrou sua Divindade.

No mês seguinte, quando retomei a decisão e tomei a coragem de permitir a convivência de Marcela, de novo em nosso meio, veio a surpresa de uma nova gravidez que nos uniu ainda mais como nossa família.

Com o passar do tempo, me aproximei da mãe de Marcela, e apesar de todas as probabilidades contrárias, nos tornamos grandes amigas.

Hoje, ela é uma grande parceira para os momentos de oração e tenho por ela muito respeito e admiração pela sua nobreza de caráter. Em nenhum momento, pelo menos, pensou em semear a discórdia e jamais teve qualquer atitude para abalar o meu casamento.

Já se passaram 34 anos, e nos dias atuais, esqueço completamente que essa mulher guerreira, amiga de todos, companheira de seus filhos e esposa extremada não é minha filha biológica, pois a tenho em meu coração como um dos presentes mais estimado de Deus.

Meu amor por ela não difere em nada dos meus dois filhos biológicos. Do pouco que temos, os três são herdeiros na mesma proporção.

Eu tinha dois caminhos para escolher: me afastar e continuar provocando sofrimento na vida de todos ou seguir a inspiração de Deus e ser lavada no sangue do Cordeiro e colher os frutos da união, do respeito e do amor.

Preferi a melhor parte. Decidi, perdoar e amar incondicionalmente.

É evidente que para reinar essa harmonia entre nós, como acontece agora, não foi nada fácil. Teve muito choro, muito desgaste e muito sofrimento dos dois lados, mas a vitória veio.

Atualmente os nossos encontros familiares, churrascos, comemorações tem muita alegria. É sempre muito bom e prazeroso nos reunir por qualquer coisa ou qualquer motivo.

Acredito que muitos, assim como eu passaram ou podem estar atravessando uma situação como essa, e oxalá, pudessem ao conhecer minha história, compreender que coisas ruins podem se transformar em coisas boas.

Tudo dependerá da forma como encarará os fatos, mas uma tragédia, quando permitida ser guiada sob o olhar protetor e bondoso do Pai poderá se transformar no nascimento de uma grande alegria na vida de qualquer um. Assim vejo a minha Marcela.   

Relato isso para mostrar a grandiosidade de Deus para comigo, que me capacitou a enxergar a bondade que existia em mim, a ponto de me fazer passar por cima de toda essa tribulação que me causava tanta dor.

Mas acima de tudo, esse aprendizado me capacitou a enxergar o amor de Deus para comigo porque eu sempre acreditei em Nele, mas com certeza, depois disso nunca mais desgrudei de Suas mãos.

Todos os dias, coloco juntamente com minha família todo o universo nas mãos do Meu Senhor, para que Ele aja conforme a sua Divina Providência.

“Pois se perdoarem as ofensas uns dos outros,o Pai celestial também lhes perdoará.Mas se não perdoarem uns aos outros,o Pai celestial não lhes perdoará as ofensas“. Mateus 6,14-15

Quer me conhecer melhor: Assista ao vídeo “Quem sou eu” https://www.laircecardoso.com.br/quem-sou-eu/

Sobre o Autor: Lairce Cardoso
Lairce Cardoso

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Nasci no berço da família Cardoso, na cidade de Paranapuã, no interior de SP no dia 15 de Julho de 1.963. Sou a nona filha do Senhor Libério e da Dona Lindaura.

Comentários (7)

Priscilla Responder

Incrível história…

2 de dezembro de 2019 at 20:03
Léo alvarenga Responder

Parabéns a Sra.Alzira! Deus é maravilhoso e misericordioso…jamais devemos nutrir ódio, indiferença ou qualquer outro sentimento q nos traga mágoa ,pois a única pessoa q sentirá verdadeiramente tamanha dor ,somos nós mesmos.

2 de dezembro de 2019 at 20:20
Isabel Fernandes Responder

História linda…..somente perdoando que conseguiremos ser felizes por inteiro.

3 de dezembro de 2019 at 00:14
Sonia Responder

Linda e emocionante história!

3 de dezembro de 2019 at 12:32
Iza Responder

Sublime é o perdão! Quando conseguimos perdoar de coração sincero, fazemos um grande bem a nós mesmos! Emocionante a história da Sra. Alzira! Parabéns!

4 de dezembro de 2019 at 00:30
CHIC E IRREVERENTE COM SAPATO VERMELHO - Lairce Cardoso Responder

[…] O PERDÃO ALIVIA A ALMA […]

12 de dezembro de 2019 at 21:04
Scheila Rieger Responder

Uma verdadeira história de vida. Parabéns

19 de dezembro de 2019 at 10:22

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