Blog Lairce Cardoso

Lairce Cardoso

EU VIM DE LONGE. EU VIM DO CEARÁ

12 de novembro

      Eu vim de longe, eu vim do ceará.

 Nasci em Lavras de Mangabeira no Ceará e quando resolvi tentar a vida no Estado de São Paulo, vim de ônibus e a viagem durou três dias: “Olha, mulher esta é a minha história” disse a cearense Elaine.

Sai do Ceará com R$ 30,00 para comer nesses três dias, mas Graças a Deus quando cheguei a São Paulo ainda tinha R$ 3,00 no bolso. O meu destino de chegada foi a cidade de Osasco, onde o meu irmão, que residi em Campinas, deveria me buscar para vir morar com ele. Eu já tinha vindo para cá uma vez e gostei muito da cidade de Carapicuíba onde morava outro irmão.

Depois de um dedo de prosa, o meu irmão de Carapicuíba me convidou para ficar com ele e eu fiquei feliz porque gostava da cidade, então resolvi ficar. E, se arrependimento matasse eu estaria mortinha da Silva, porque ao invés do eu tinha imaginado, ele me levou para a casa de uma tia que me recebeu bem, mas logo de cara, sem pestanejar, mandou seu recado.

 – Olha minha filha essa noite dá pra tu ficar aqui em casa, mas a partir de amanhã não dá mais, porque já tem muita gente na minha casa.

Eu estava morrendo de fome e nada ali tinha para comer, mas tive que me conformar.

– Beleza – pensei – pelo menos esta noite tenho abrigo, amanhã eu me viro. Quando amanheceu peguei minhas coisas e fui para casa de outra tia e lá ouvi a mesma conversa. 

 – Eu disse tá bom, não quero atrapalhar ninguém.

– No dia seguinte peguei as minhas malas e desabei para casa de outro tio e lá foi a mesma ladainha. E nessa loucura fiquei morando em Carapicuíba mais ou menos uma semana e meia. Eu já estava muito cansada, e quando chegou o domingo que eu já tinha mais para onde ir. Estava com as malas no meio da rua, sem dinheiro, sem destino, desnorteada.  O único jeito foi ligar para meu irmão de Campinas e pedir ajuda. Ele foi me buscar.

– Meu primeiro emprego em Campinas foi num restaurante e lá trabalhei por um mês até eu conseguir juntar dinheiro e comprar material para fazer unha. Lá no Ceará eu fazia unha, então pensei que pudesse viver disso aqui. Eu cobrava bem mais barato para pegar clientela.

– E foi nesse tempo que eu conheci Cardoso, logo começamos a namorar e estamos juntos há 11 anos.

A nossa família teve a oportunidade de conhecer a Elaine mais de perto, quando o nosso irmão Antônio adoeceu. Ela nos ajudou muito. Era um pé de boi para trabalhar, não media esforços para ajudá-lo.

 – Gosto muito de Antônio – dizia ela. E nunca se negou a ajudá-lo.

Conta a Lau, que num dos dias em que ele já estava muito debilitado e tinha aquelas crises de dores descomunais que nos tirava do eixo, pois ficávamos totalmente impotentes, ela tirou o chapéu para a Elaine. O Antônio não conseguia mais ficar em lugar nenhum, pois em qualquer posição que ficasse sentia dores. E naquele dia ele mal conseguia ficar deitado. Tentava ficar sentado, mas não tinha sustância no corpo para se manter.

A Elaine encostou seu corpo na parede e colocou os pés nas costas do Antônio para apoiá-lo e ali permaneceu imóvel por horas, até ele se sentir melhor.

Obrigada Elaine por tudo que fez por nosso irmão. Somos gratos por seu desprendimento.

– No começo foi muito difícil – confessou – mas hoje estou feliz por ter vindo me aventurar no Estado de São Paulo e o que mais quero pro futuro é que eu e o Cardoso possamos prosperar juntos. Peço muita saúde, e dinheiro só o suficiente, para suprir nossas necessidades.

Que Deus nos abençoe para gente conseguir realizar o nosso sonho de comprar o rancho, porque nós amamos aquele lugar. Nosso sonho é morar lá de vez.

Que o Deus ilumine a aposentadoria do Cardoso pra gente ter uma vidinha mais sossegada e poder curtir um pouco mais as coisas boas ao nosso redor. O que peço é uma vida simples, porque é assim que gosto de viver ao lado meu amado.

Quer me conhecer melhor? Assista ao vídeo “Quem sou eu” https://www.laircecardoso.com.br/quem-sou-eu/

Do livro Coisas da Minha Família

Sobre o Autor: Lairce Cardoso
Lairce Cardoso

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Nasci no berço da família Cardoso, na cidade de Paranapuã, no interior de SP no dia 15 de Julho de 1.963. Sou a nona filha do Senhor Libério e da Dona Lindaura.

Comentários (1)

Maria Islândia Responder

Eu estou muito feliz com tudo que vi aqui e por saber que vocês estão felizes. Como você sabe lanha, eu amo leitura, então a minha grande admiração por o nascimento desse filho de vocês: “O livro”. Muita saúde para vocês. Beijos prima e primo Cardoso.

15 de novembro de 2019 at 09:55

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