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Lairce Cardoso

EU SOU O PRETO

20 de dezembro

Virgulino, vulgo Lampião, foi um cangaceiro brasileiro que atuou em todo o sertão do nordeste . Ops! Não é do Lampião essa história é do meu irmão Virgulino, conhecido pelos mais antigos como O Preto.

Essa foto foi tirada na Barra Bonita, vilarejo que morávamos com nossos pais até o dia 07 de Setembro de 1.970.

Se a nossa movimentada casa fosse comparada a uma empresa o Preto, por certo, seria as Relações Públicas da família Cardoso, tamanho o prazer que o rapaz tinha em organizar eventos, movimentos sociais ou qualquer outra coisa que estivesse embolado no meio de gente.

O Preto já fez muita coisa nesta vida. Até Jesus ele foi.  Numa Sexta-Feira Santa no vilarejo de Barra Bonita num teatro improvisado sobre a carroceria de um caminhão chocou os moradores numa encenação sobre a vida de Jesus Cristo. Lá por aquelas bandas ninguém tinha visto uma coisa daquelas.

E quem foi pego pra Cristo?O Preto, é claro.

Com a cara enfiada no colo de minha mãe, eu contava na época com meus 6 anos de idade e quase morri de tanto chorar. Já era triste saber que Jesus tinha sofrido tanto, mas porque cargas d’água os meus outros irmãos, o Antônio e o Aparecido eram do mau se na minha casa todo mundo era do bem? Porque batiam tanto coitadinho do Preto? E depois ele nem era Jesus mesmo? Coisas de uma criança apaixonada pelos irmãos.

  – Eu não sei viver sozinho. Preciso de gente ao meu redor e a prova disso é que nem no meu aniversário estou sozinho. Nasci no mesmo dia que meu pai e meu sogro e quando Deus os levou para o céu, tratou de mandar alguém para me fazer companhia. A minha primeira neta, a Laurinha, nasceu no dia em que eu completava sessenta anos. Olha que coisa! Me confidenciou quando fizemos a entrevista para escrever sua história.

45.609 – Vote com Amor Cardoso para Vereador. Foi com este slogan que no ano de 1.992 ele se candidatou para Vereador pelo PSDB – Partido do saudoso Magalhães Teixeira.

 – Quero ser vereador para trabalhar em prol da população. Essa era sua plataforma de governo. Trabalhar pelo bem comum da sociedade e falar a mesma língua do povo para além de representar os seus anseios lutar por uma cidade com mais qualidade de vida.

 Sem lenço nem documento a sua Campanha foi na base da camaradagem. Mas se faltava experiência e patrocínio, boa vontade ali tinha de montão, assim somando os conhecimentos dos que se disponibilizaram a construção daquela causa, fomos às urnas.

Teve campanha boca a boca, boca de urna e até carreata. Mas infelizmente, às duras penas aprendemos que, não é só com boa vontade e dedicação dos amigos que se elege um candidato político. Foram 962 votos. Um número até expressivo para a ocasião, mas não o suficiente.

Tinha até propaganda em forma de música. Era um jingle de autoria da Tilde, sua ex-esposa.

45.609 é o Cardoso pra vereador/ homem sincero honesto e inteligente/ pra cuidar do bem de nossa gente.

45.609 é o Cardoso pra vereador/Ele promete representar/ os interesses do povo de Campinas / e seus problemas solucionar.

Por isso no dia 10 de Outubro/ Cardoso vence em primeiro lugar

Pra vereador/ do jovem ao idoso/ todos apoiam / É o Cardoso

Pra vereador/ do jovem ao idoso/ todos apoiam / É o Cardoso

Não tenho dúvidas que o Preto para os mais antigos, Lino para os da família e Cardoso para os mais recentes é um homem do povo, desde que o conheço sempre esteve envolvido com movimentos populares. Da igreja à política, vontade de revolucionar o mundo nunca lhe faltou.

Lembro-me quando mudamos para Campinas, numa pindaíba que dava dó, ele nunca perdeu a fé a esperança, especialmente nas pessoas. Por impulso à paixão de viver sempre esteve à frente de algum tipo de agitação para melhorar nossa qualidade de vida.

Logo que chegamos à Campinas, fomos morar numa favela na Vila Bela. Lá tinha gente de bem sim, mas também era povoado por pessoas que se importavam com tudo, menos com a instituição familiar.

E querendo preservar nossa família, especialmente os mais novos e as meninas que ele, numa campanha ferrenha por nosso bem-estar, ganhou da empresa onde trabalhava, o material para construir nossa casa e sair daquele lugar.

O terreno do Santa Amália já tinha sido comprado, à meia com a minha irmã Carmem e o meu cunhado Pirolla. Faltava agora o material.

Como a gente mal podia fazer uma coisa de cada vez, primeiro tínhamos que pagar o terreno pra depois comprar os tijolos e todo o restante para construção de uma casa. Mas a vontade de sair daquele lugar era imensa, tinha os meninos que eram pequenos e tinham eles que eram moços e, muito compreensível, morriam de vergonha do lugar onde morávamos.

O Cardoso trabalhava na linha de produção da Clark do Brasil e todos os dias via chegar no chão da fábrica equipamentos que viam transportados em enormes caixas de madeira.

Foi aí que teve uma brilhante ideia, enquanto economizaríamos para a construção de nossa casa de alvenaria, poderíamos viver em uma casa de madeira, assim poderíamos sair mais rápido de onde estávamos. Se acasa fosse bem feitinha, porque não?

E, assim ele correu atrás do foi preciso. Convenceu todas as pessoas necessárias e conseguiu o material para a nossa casa. Que alegria! De madeira sim, mas a nossa casa era uma beleza.

Essa era a nossa casa de Madeira. É uma pena que o Cardoso ficou escondido mas ele esta abaixo aí na minha frente, no meio do Armando e do Salvador.

Às vezes fico a me perguntar, onde meu irmão, foi parar toda a sua coragem e poder de argumentação para conseguir o impossível? Tenho certeza, que ainda está aí dentro de você, adormecido talvez, mas na hora de acordar.

Penso que tudo tem a ver com decisões, afinal os acontecimentos de nossa vida, tanto o que emociona quanto aquilo que nos desafia começa por uma causa de decisão. Fazer ou não fazer, ambas são atitudes que requerem decisões. Depois vem a ação e agir é pôr a roda da vida para girar. Dar o primeiro passo, seguido de mais outros até alcançar aquilo que se deseja realmente.

Sei que você sabe disso, mas vale a pena recordá-lo que para fazer as mudanças que se quer na sua vida é preciso querer, decidir e agir e ainda hoje.

Acorde esse gigante adormecido aí dentro de você, homem! O futuro não existe, ele ainda está em suas mãos e só você tem o poder de criá-lo como gostaria que fosse.

Texto do livro de minha autoria COISAS DA MINHA FAMÍLIA de 2.016.

Conheça também a história da ELAINE CARDOSO – EU VIM DE LONGE

https://www.laircecardoso.com.br/familia-cardoso/eu-vim-de-longe/

Sobre o Autor: Lairce Cardoso
Lairce Cardoso

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Nasci no berço da família Cardoso, na cidade de Paranapuã, no interior de SP no dia 15 de Julho de 1.963. Sou a nona filha do Senhor Libério e da Dona Lindaura.

Comentários (1)

MARIELLY CARDOSO VASCONCELOS Responder

Amo, esse gigante Virgulino, com todo esse jeito de ser, é de um coração enorme e como pai? Sim, ele é o meu herói!!!

22 de dezembro de 2019 at 14:36

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