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Lairce Cardoso

O MEDO DA INCERTEZA NO AMANHÃ

29 de novembro

O medo da incerteza no amanhã tinha paralisado Larissa. Quase dois meses se passaram após a primeira noite de paixão de Giuliano e Larissa e eles não haviam mais se reencontrado . Ele não a procurou mais, e ela por sua vez, não tinha coragem de tentar uma reaproximação e ser rejeitada. Aquilo seria seu fim.

Assim, o tempo foi passando e ela receava ter caído no esquecimento do rapaz. Chegava a se arrepender por sido tão tola e se deixado levar por sua sapiência.

Vivia dias angustiados e por mais que pensasse sobre o assunto não conseguia chegar a uma conclusão.

Além disso sabia que a mãe a observava, esperando uma brecha para atacá-la, pois astuta como era, já tinha percebido que algo tinha acontecido.

Até que numa tarde ela decidiu tomar conta da situação e colocar tudo em pratos limpos. Afinal de contas, ela não era mulher de ficar choramingando pelos cantos, tampouco de desistir por causa do medo da incerteza no amanhã, pois se não tomasse uma atitude naquele dia, provavelmente nem teria amanhã. Assim resolveu visitar a amiga e desabafou com ela seu dilema.

– Mas Larissa juro que não a entendo, acaso ele sabe onde mora? Até onde sei você guarda esse segredo a sete chaves. Além disso, se não me falha a memória, é você quem planeja os encontros, então porque cargas d’água rapaz viria atrás de você agora?

– Quando ele me conheceu, embora não soubesse nada de mim, vasculhou o mundo até me encontrar. Em algum momento mencionei que era sua amiga? Não, mas mesmo assim ele chegou até você para saber de mim? Como conseguiu isso? Pesquisando, é claro. E porque? Porque estava interessado.

– Sim. E daí? Ao que me consta o reencontro de vocês só foi possível quando você quis. Mulher, afinal de contas, me diga o que você quer porque eu não consigo te entender e acho que não conseguirei nem daqui a um milhão de anos.

– Em primeiro lugar, pelo menos a principio, não quero que ele saiba nada sobre mim que possa causar desinteresse, por causa de nossa diferença de classe social, contudo o que estou querendo dizer é que esperava que ele fosse me procurar.  Em outras palavras, penso que se ele quisesse me ver saberia como me encontrar, porém não o fez.

– Sim, isso já entendi! O que não estou entendendo é seu comportamento. Perdoe-me minha amiga, mas esta fala é de uma garotinha apaixonada à espera de seu príncipe encantado, nunca de uma mulher que quer dar um golpe num bom partido.

-Você fala de um jeito como se eu fosse uma megera.  

– Larissa, minha amiga, você só pode estar brincando. Queria que ele saísse correndo atrás de você como um cachorrinho. Pelo que contou quem saiu de fininho da casa dele foi você. Portanto, será que ele também não está pensando a mesma coisa, afinal de contas, desde o início desta história sempre foi você quem o procurou, e não, o contrário.

Larissa ficou em silêncio por um momento depois confidenciou à amiga.

Não sei o que está acontecendo comigo. De uns dias pra cá pareço uma manteiga derretida e choro por qualquer coisa. Minha sensibilidade vive à flor da pele. Mas talvez você tenha razão vou pensar no assunto, não vou ficar aqui parada por causa do medo da incerteza no amanhã.

– Sábado terá festa no clube. Apareça por lá como quem não quer nada, assim acabará com suas dúvidas. Com certeza, ele estará presente porque é uma festa organizada pelos patrocinadores da corrida de carros que ele vai participar.

– Boa ideia, farei isso e por favor, esqueça essa conversa porque nem eu estou a me entender ultimamente.

E assim no sábado Larissa foi ao clube na companhia de Carolina. Mas por mais que se esforçasse estava inquieta e temerosa, e aquilo a incomodava, pois poderia colocar por terra a figura da mulher altiva e fatal. Precisava se controlar e se acalmar se não quisesse colocar tudo a perder.

No clube misturou-se a alguns poucos conhecidos e só depois de algum tempo, aproveitando uma oportunidade em que ele conseguiu se livrar das entrevistas e da multidão, aproximou-se de Giuliano.

– Até que enfim você reapareceu. O que houve, acaso sua mãe adoeceu de novo ou se cansou de mim? Perguntou de supetão ao cumprimentá-la.

– Nem uma coisa, nem outra. Na verdade também achei que havia se cansado de mim, pois não me procurou mais. Tudo bem que não sabe onde moro, mas quando quis da primeira vez, me encontrou.

– Me cansei de tentar convencê-la de que a quero do meu lado. Você saiu da minha cama na mesma rapidez que entrou. Já não está bem grandinha para saber o que quer?

– Ademais – continuou ele – o que me encantou em você foi exatamente a segurança de quem sabe o que quer. Me irrita, quando se comporta feito uma garota mimada. Quero a mulher sagaz que entrou no jogo feito uma leoa e não a gatinha dengosa que se magoa por nada . Que quer que eu faça, afinal? 

– Estúpida! Ele tem toda razão, enquanto eu estava ruminando a incerteza do futuro o presente estava passando bem a frente do meu nariz. Pensou e rapidamente tentou reverter a situação.

– Perdoe-me! De fato o estado de saúde de minha mãe está abalando meu emocional. Transferi à você minha angústia pela impotência de pouco poder fazer por ela. Ela, está bem melhor, é verdade, mas muito fragilizada. Mas esqueçamos isso, hoje estou aqui. Disse confiante.

– E se você me permitir a farei esquecer todo esse sofrimento, basta que me siga sem muito alarde, para não atrair a atenção de quem não queremos na nossa festa particular.

A partir daquela tarde os encontros amorosos entre os dois foram ficando cada vez mais amiúde. Eram dias de muita alegria e Larissa sentia-se a cada dia, mais íntima de Giuliano.

Ele em algumas oportunidades confidenciava os planos do seu futuro profissional, mas ainda assim, ela não sentia parte de seu projeto de vida. E, às vezes o medo da incerteza no amanhã batia forte em seu peito, mas ela tratava de esquecê-lo em algum canto da casa.

Tinha que agir com muita cautela para não afugentá-lo, por outro lado, era muito arriscado continuar no papel de sua amante. Ele era muito cobiçado pelo mulherio e se alguma delas fosse mais esperta, na certa, faria com que perdesse sua oportunidade de concretizar de vez seu compromisso, casando-se com ele.

Além disso, ele gastava rios de dinheiro nos seus projetos de corrida, além de nada economizar nos encontros amorosos e muito menos nas baladas com os amigos. Sabia que boa parte de sua renda era oriunda de seu trabalho como Arquiteto, mas a grande soma vinha da gorda mesada dada pelos pais. Portanto, era nítido que diferente dela, a sua situação financeira não lhe provocava nenhum medo da incerteza no amanhã.

Precisava traçar um bom plano para levá-lo ao altar porque precisava se garantir, contudo tinha receio de sua reação ao tomar conhecimento de sua origem humilde, inclusive que era filha de pai ignorado e isso pudesse atrapalhar seus planos.

Mas acima de tudo, sua grande preocupação era a imprecisão sobre o sentimento do rapaz à seu respeito. Ele era uma incógnita porque, ora se apresentava como um lorde romântico e apaixonado, ora mal percebia a sua presença em meio a multidão que o cercava.

Certa noite quando descansava seus nos braços fortes resolveu testar sorte, precisa saber algo mais concreto sobre o relacionamento dos dois.

– Gostaria muito de dividir um segredo com você, mas tenho dúvidas se me perdoará.

– Lá vem você com essa conversa. Custa-me acreditar que a Larissa de alguns minutos atrás, ousada e felina é a mesma deste instante, preocupada com que vou pensar.

Larissa sentiu-se ofendida com o comentário grosseiro de Giuliano, mas como ele mesmo dissera não estava ali para posar de gatinha manhosa.

O silêncio de Larissa fez Giuliano arrepender-se do comentário e tentando consertar a situação abraçou-a mais forte sobre o peito e divertido, perguntou como se tivesse lido seus pensamentos. 

-Não precisa ficar ofendida. Diga-me gatinha manhosa o que te preocupa?

Ela nem titubeou porque se não aproveitasse aquela oportunidade poderia dar adeus aos seus planos. E, assim, sem rodeios contou sobre sua origem, mas omitiu o paradeiro desconhecido do pai

Não fui muito honesta com você sobre minha origem familiar. Não temos muitas posses e resido num bairro de subúrbio com minha mãe. Disse apenas.

Não me lembro de tê-la questionada sobre sua família. Além disso sei onde mora desde a primeira noite que a conheci. Como você mesma já disse algumas vezes, quando eu quis, soube onde te encontrar.

Larissa ficou perplexa ao ouvir aquela declaração. Então ele sabia o tempo todo que ela era de classe social muito inferior à dele. Tentou falar alguma coisa, mas não conseguiu formular as palavras.

Porque o espanto minha cara? Acha mesmo que eu permitiria que alguém entrasse em minha casa, na minha cama e na minha vida sem saber de quem se trata?

E mediante o silêncio de Larissa continuou a falar.

– Não precisa se preocupar com isso, não ligo para essas bobagens de classe social. Importa-me, apenas, estar perto de quem me faz bem. Ademais, dinheiro é uma coisa que não preciso me preocupar, pelo menos não nesta vida e minha família não se intromete nas minhas decisões.

Larissa agradeceu por estar com a cara enfiada nos braços do rapaz, caso contrário, ele teria percebido que ficou ruborizada quando mencionou sobre as classes sociais. Por mais que procurasse palavras para responder, não as encontrou e permaneceu em silêncio.

– Parece que consegui deixá-la sem fala, dona Larissa. Não seja boba ainda a quero muito, mas por favor não precisa mais ficar provocando ceninhas, pode perguntar o que quiser que eu responderei. E, sim, sei tudo sobre você. Assim espero! Conclui sorrindo.

Será que ele sabe do meus planos e do meu golpe? Precisava descobrir e aquela era a hora certa.

– Está bem você me venceu! Disse sorrindo.

-Na verdade, não pensei que fosse me livrar do vexame com meus amigos isto é, não pensei que fosse aceitar minha brincadeira na noite em que nos conhecemos. Mas quando vi que se encantou por mim não poderia confessar minha situação financeira. Achei que se eu o fizesse não teria chance com você porque eu estava, igualmente, encantada por você.

Pois é ! Interessei-me por você, pela sua beleza, sua inteligência, seu humor e porque és uma mulher e tanto. E vamos encerrar essa conversa porque como já disse finanças é a menor das minhas preocupações.

– Então, na verdade, ele não sabe tudo de mim como acredita. Ótimo! Assim terei as duas coisas num só golpe, dinheiro e um belo amante. Pensou.

Esclarecido a situação pode marcar o jantar com sua mãe. Acho que já está na hora de formalizar nossa situação.

Larissa emudeceu de vez.

Consegui deixá-la sem fala de novo? Acho que estou pegando o jeito de deixa-la sem palavras, além de….

E calou-se quando Larissa colou os seus lábios nos dele.

Capítulo VI – O MEDO DA INCERTEZA NO AMANHÃ

Veja capítulo VII – DE ONDE VEM ESSE MEDO ESTRANHO?https://www.laircecardoso.com.br/romanceando/de-onde-vem-esse-medo-estranho/

Sobre o Autor: Lairce Cardoso

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Nasci no berço da família Cardoso, na cidade de Paranapuã, no interior de SP no dia 15 de Julho de 1.963. Sou a nona filha do Senhor Libério e da Dona Lindaura.

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