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Lairce Cardoso

MAIS QUE UM SIMPLES AMOR

8 de junho

 Antes de mais nada, não estou aqui para falar sobre um simples amor, tampouco de um amor mirradinho, mas falo, sim de um amor maior, de um amor bonito.

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Apesar de toda sua magnitude, porque é tão difícil entender o amor? Exatamente porque o amor não se explica, ele não tem explicação. Ele tem vida e luz própria, assim nos pega quando menos esperamos, nos prende quando bem entende e, do mesmo modo, nos deixa quando quer.

Afinal, se é um sentimento tão livre, porque sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por ter ao nosso lado um pessoa bacana, que apesar de qualquer dificuldade, proporciona em nós um sentimento intenso e que nos faz companhia por um tempo razoável, um tempo feliz. Por isso, se a dor vier, com toda a certeza a culpa não é do amor, pois ele é só alegria. Logo, assuma que a culpa é sua, por causa do que faz em seu nome.

E, quando não conseguimos levar em frente um relacionamento? Sugestão: sem perder tempo, olhe para seus últimos amores e veja, não só como eles chegaram, mas também como se foram, talvez provavelmente , aí esteja a chave para o próximo ser mais duradouro.

Então, como aliviar a dor que vem do sentimento que só deveria nos trazer alegria? Ora, a resposta é simples como um verso: Se iludindo menos e vivendo mais!

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade, porque a dor é inevitável ao ser humano, o sofrimento é opcional.

Um amor bonito

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Considerando todo seu saber, por certo Artur da Távola consiga nos ensine um pouco mais sobre a arte de viver um dos mais simples e bonitos sentimentos.

Talvez seja tão simples, tolo e natural, é provável que você nunca tenha parado para pensar: aprenda a fazer bonito o seu amor. Ou a fazer o seu amor ser ou ficar bonito. Aprenda, antes de mais nada apenas, a tão difícil arte de amar bonito. Gostar é tão fácil que ninguém aceita aprender.

Tenho visto muito amor por aí: amores mesmo, bravios, gigantescos, descomunais, profundos, sinceros, cheios de entrega, doação e dádiva, mas esbarram na dificuldade de se tornar bonito. Apenas isso: bonitos, belos ou embelezados, tratados com carinho, cuidado e atenção. Amores levados com arte e ternura de mãos jardineiras.

Esses amores que são verdadeiros, eternos e descomunais, de repente, se percebem ameaçados apenas e tão somente porque não sabem ser bonitos: cobram; exigem; rotinizam; descuidam; reclamam; deixam de compreender; necessitam mais do que oferecem; precisam mais do que atendem; enchem-se de razões. Sim, de razões.

Ter razão é um perigo no amor

Amar | Netflix


Quem tem razão sempre se sente no direito (e o tem) de reivindicar, de exigir justiça, equidade, equiparação, sem atinar que o que está sem razão talvez passe por um momento de sua vida no qual não possa ter razão. Nem queira.


Sim, ter razão é um perigo: em geral enfeia o amor, pois é invocado com justiça mas na hora errada. Ao passo que amar bonito é saber a hora de ter razão. Ponha a mão na consciência. Tem certeza que está fazendo o seu amor bonito? De que está tirando do gesto, da ação, da reação, do olhar, da saudade, da alegria do encontro, da dor do desencontro, a maior beleza possível? Possivelmente não.

Cheio ou cheia de razões, você espera do amor apenas aquilo que é exigido por suas partes necessitadas, quando talvez dele devesse pouco esperar, para valorizar melhor tudo de bom que de vez em quando ele pode trazer.
Aquele que espera mais do que isso sofre, e sofrendo deixa de amar bonito. Sofrendo, deixa de ser alegre, igual criança. Sem soltar a criança, nenhum amor é bonito.

Pra que temer o romantismo?

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Derrube as cercas da opinião alheia. Faça coroas de margaridas e enfeite a cabeça de quem você ama. Saia cantando e olhe alegre. Recomendam-se: encabulamentos; ser pego em flagrante gostando; não se cansar de olhar, e olhar; não atrapalhar a convivência com teorizações; adiar sempre, se possível com beijos,“ aquela conversa importante que precisamos ter”, arquivar se possível, as reclamações pela pouca atenção recebida, pois para quem ama toda atenção é sempre pouca.


Porque quem ama feio não sabe que pouca atenção pode ser toda atenção possível. Já, quem ama bonito não gasta o tempo dessa atenção cobrando a que deixou de ter. Nunca teorize sobre o amor (deixe isso para nós, pobres escritores que vemos a vida como criança de nariz encostado na vitrine, cheia de brinquedos dos nossos sonhos) : assim não teorize sobre o amor, apenas ame.

Siga o destino dos sentimentos aqui e agora e não tenha medo exatamente de tudo o que você teme, como por exemplo: a sinceridade; não dar certo; depois vir a sofrer (sofrerá de qualquer jeito); abrir o coração; contar a verdade do tamanho do amor que sente.


Jogue pro alto todas as jogadas, estratagemas, golpes, espertezas, atitudes sabidamente eficazes (não é sábio ser sabido): seja apenas você no auge de sua emoção e carência, exatamente aquele você que a vida impede de ser . Seja você cantando desafinado, mas em todas as manhãs. Falando besteiras, mas criando sempre. Gaguejando flores.

Jogue pro alto

Sentindo o coração bater como no tempo do Natal infantil. Revivendo os carinhos que instruiu em criança,
sem medo de dizer, eu quero, eu gosto, eu estou com vontade. Provavelmente aí você consiga fazer o seu amor bonito, ou fazer bonito o seu amor, ou bonitar fazendo seu amor, ou amar fazendo o seu amor bonito (a ordem das frases não altera o produto), sempre que ele seja a mais verdadeira expressão de tudo o que você é e nunca, deixaram, conseguiu, soube, pôde, foi possível, ser.


Ademais, quando o amor existe, seu conteúdo já é manifesto. Portanto, não se preocupe mais com ele e suas definições, apenas cuide agora da forma; da voz; da fala, do cuidado; cuide do carinho e cuide de você.

Em outras palavras… Ame-se o suficiente para ser capaz de gostar do amor e só assim poder começar a tentar fazer o outro feliz.”

Veja também: https://laircecardoso.com.br/pedacos-da-vida/procurase-um-grande-amor/

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Sobre o Autor: Lairce Cardoso

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Nasci no berço da família Cardoso, na cidade de Paranapuã, no interior de SP no dia 15 de Julho de 1.963. Sou a nona filha do Senhor Libério e da Dona Lindaura.

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