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Lairce Cardoso

DE ONDE VEM ESSE MEDO ESTRANHO?

6 de dezembro

-De onde vem esse medo estranho? Larissa fez esse pergunta para si mesma, uma centena de vezes, desde que o dia amanheceu.

Não conseguia entender de onde vinha aquela sensação estranha que lhe rondava os pensamentos desde o último encontro com Giuliano, na noite anterior. Imaginou ainda que poderia ser por conta da discussão horrível que tivera com a mãe dias atrás, mas nada parecia ser uma resposta àquele incômodo esdrúxulo.

Ainda assim, estava radiante pois tinha vencido várias batalhas e tudo estava caminhando melhor do que havia planejado. Embora tivesse elaborado tudo com muito zelo, algumas vezes o pensamento negativo rondava seus pensamentos, principalmente nas noites de solidão, e algumas vezes chegou a duvidar se conseguiria chegar até o final com aquele plano.

Mas Giuliano tinha pedido para conhecer sua mãe e ainda que não tivesse dito claramente, deixou transparecer em meio às suas palavras, que além da oficialização do namoro falaria sobre casamento com a futura sogra.

Por isso naquela manhã Larissa entregou-se plenamente à organização e preparativos do jantar , procurando ocupar sua mente e apagar dos pensamentos aquela esquisita sensação que a amedrontava loucamente. E mesmo muito apreensiva, exibia um ar de alegria e satisfação à todos, pois não queria que ninguém, se quer imaginasse, sobre seus medos infundados. Aquilo não tinha razão de ser, era de fato, um medo irreal.

-Está tudo bem Larissa, concentre-se em fazer o melhor que puder para agradar seu amor. Repetia para si mesma a cada instante.

A corrida de carros para a qual Giuliano treinava, diariamente, aconteceria exatamente no mesmo mesmo dia que ele tinha escolhido para o jantar com sua mãe. Coincidência ou não, desde o princípio aquilo a incomodava muito.

A todo custo tentou adiar o jantar com sua família, visto que dissuadi-lo da ideia de não participar da corrida seria impossível, mas ele não arredou pé. Dizia que dependendo do resultado daquela empreitada, poderia vir a ter muitos compromissos e não queria mais adiar a responsabilidade para com sua amada. Por fim, ela se deu por vencida, embora a contragosto.

Já estava no meio da tarde e o mal estar parecia não ter fim, a nuvenzinha da preocupação que pairava sobre sua cabeça não lhe dava trégua e ela ainda se perguntava, continuamente: de onde me vem esse medo estranho? Aquilo ficava martelando em seu cérebro.

Sentou-se um instante para descansar e na sua mente repassou o encontro que tivera com Giuliano na noite anterior.

Como vinha acontecendo nos últimos encontros amorosos, este também tinha sido muito agradável. Há muito Larissa não conseguia esconder a paixão que sentia pelo rapaz. E ele, por sua vez, deixava evidente que o sentimento era recíproco. Larissa sentia-se, cada dia mas fascinada por aquele homem destemido, maduro e ardente, que arrancava o chão sob os seus pés cada vez que a beijava com loucura e desejo.

O melhor era mesmo apressar a oficialização do namoro, e quem sabe se tivesse sorte do casamento, pois já fazia muito tempo que ela não tinha mais qualquer controle sobre a situação, por isso acabou cedendo em manter a data escolhida por ele para a realização do jantar. Por mais que tentasse, ultimamente Larissa sempre se deixava vencer nos embates entre os dois. Estava muito claro que Giuliano a dominava completamente, para o desespero da garota.

Assim ao final da última noite , ao levá-la de volta para casa com o pretexto de fazer uma surpresa, Giuliano levou-a para conhecer sua equipe de competição, e aproveitando o clima descontraído, Larissa tentou sua última cartada a fim de dissuadi-lo da ideia de competir.

– Vai mesmo participar dessa corrida? Não acha que seria mais prazeroso se preparássemos juntos o nosso jantar. Seria muito mais divertido. Falou maliciosa.

– Claro que vou participar da corrida! Esperei por essa oportunidade por muito tempo, treinei e me preparei muito para esse momento.

-Eu tenho consciência que não serei nenhum piloto profissional,pois é apenas uma corrida amadora, mas a adrenalina de competir é algo indescritível. Só sabe quem tem paixão pelo esporte.

Giuliano falou muito decidido, sem alterar o tom de voz mas ainda assim muito determinado, pouco se importando com a malícia da amada, fazendo-a até sentir-se um tanto tola. Por isso, ela resolveu arrumar a situação com um pouco mais de maturidade, já que o jeito felino não tinha surtido o efeito esperado.

– Eu sei meu amor! Sou conhecedora do quanto se dedicou e o quanto ama seu esporte . Apenas acho que é uma atividade muito perigosa e tenho muito medo que algo lhe aconteça. Se algo acontecer com você, eu morro, pois você é tudo para mim. Sabe disso, não é?

– Veja só Genaro, parece que ela está mesmo preocupada comigo. Diga que não precisa se preocupar comigo e que ainda irá se surpreender com as novidades que virão por aí.  Giuliano disse, zombeteiro, ao seu treinador.

Genaro deu um risinho meio desconcertado e Larissa sentiu um arrepio percorrer pela espinha e teve uma vontade imensa de fugir dali, mas manteve-se firme. Que conversa era aquela? Não entendeu nada.

Suspirou fundo tentando se recompor, não queria que ele percebesse seu embaraço, ademais já estava com a cabeça povoada de pensamentos que fugiam de seu controle, então o melhor a fazer naquela hora, era não dar atenção àquela conversa boba, embora a tivesse achado muito esquisita.

-Tolinha! Não me acontecerá nada, não se faz necessário esse medo todo, mas gosto de vê-la preocupada comigo. Peço que deixe-me apenas aproveitar esse momento que esperei por tanto tempo, depois disso prometo que irei me comportar. Além disso como homem de família, provavelmente não terei mais chances de correr risco. Não é amigo?

Disse enfatizando as últimas palavras e lançando um longo olhar para Genaro, que desta vez, nem olhou para os dois e desculpando-se retirou para o preparativos da corrida do dia seguinte, como explicou nervosamente ao se retirar da presença do casal.

A conversa encerrará por ali. Giuliano soube tocar no ponto certo para acabar com aquela peleja: compromisso. Mas embora Larissa tenha ficado exultante com as explicações do amante, não lhe passou despercebido aquela intrigante conversa e, ainda, aquela troca de olhares muito suspeita. Parecia que tinha alguma trama no ar.

Mas resolveu que não questionaria mais nada, sabia que se continuasse a insistir naquela pauta, provavelmente criaria um clima pouco amistoso entre eles, e isso era tudo que ela menos queria naquele momento.

Tudo levava a crer que seu futuro seria blindado com um brilho de felicidade ao lado do homem que escolheu para, em breve, ser seu marido. Ele tinha razão não tinha nada com que se preocupar.

-Não vai torcer por mim, meu amor? A voz de Giuliano tirou-a de seus pensamentos trazendo-a de volta a realidade.

-Creio que não suportaria vê-lo em perigo. Sim, torcerei por você, mas o esperarei à noite. Estarei linda à sua espera.

– Tranquilize-se! Eu tomarei cuidado e prometo que não vou me arriscar feito um maluco. Como já disse, quero apenas desfrutar dessa adrenalina, porque está nas minhas veias. Entende? Ademais Genaro não me permitirá fazer qualquer besteira.

Despedindo-se de Giuliano, Larissa quase se arrependeu por ter dito que não o acompanharia, mas sabia que não teria coragem de fazê-lo.

Estava muito perto de atingir seu objetivo. Ele era sua única esperança por dias melhores e mais alegres. Viver na companhia da mãe estava, a cada dia, mais insuportável.

E voltando a real, pela milésima vez se perguntou:de onde vem esse medo estranho?

  • Ah! Isso deve ser coisa da minha cabeça, estou apenas apreensiva por causa desta maldita corrida e da horripilante desavença que tivera com sua mãe. É isso, logo essa bobagem vai passar. Além disso, estou a perder tempo tentando achar de onde vem esse medo estranho, como se esse relacionamento não tivesse sido uma avalanche de emoções desde o primeiro dia.

E decidida, levantou-se para dar continuidade aos preparativos do esperado jantar.

Capítulo VII – DE ONDE VEM ESSE MEDO ESTRANHO?

Veja Capitulo VIII -MINHA MÃE NUNCA ME AMOU

https://www.laircecardoso.com.br/romanceando/minha-mae-nunca-me-amou/

Sobre o Autor: Lairce Cardoso

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Nasci no berço da família Cardoso, na cidade de Paranapuã, no interior de SP no dia 15 de Julho de 1.963. Sou a nona filha do Senhor Libério e da Dona Lindaura.

Comentários (1)

Léo Responder

?nossa!sexta chega logo

7 de dezembro de 2019 at 20:07

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