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Lairce Cardoso

AH O AMOR FINALMENTE CHEGOU!

7 de maio

– AH! O amor finalmente chegou e você, Larissa, está querendo me dizer que, depois que cravou seus cinco dedos na face daquele coitado, nunca mais falou com ele.

– Você e seus deboches! Estou aqui me remoendo e você não perde a oportunidade de implicar comigo. Não o falei mais com ele, se é isso que quer saber. Ele, também não me procurou mais.

– Ah! Tá certo.  Você o esbofeteia e ainda quer que ele te procure. Claro, faz todo sentido d isso que tá falando. Você tem é que rezar e agradecer por ele não ter devolvido o tabefe que levou. Esqueceu-se que ele é italiano. Essa raça tem sangue quente. Arriscou-se demais minha querida.

– Não sei se faz sentido. Só sei que não tive coragem de procurar por ele porque não sei o que dizer. Também não sei porque agi daquela maneira, ainda morro de vergonha toda vez que me lembro do acontecido. Meu Deus! Como fui estúpida.

– Não pense. Simplesmente vá falar com ele. Quando estiver à sua frente, saberá o que dizer, depois não tem o que ficar explicando, diga exatamente como se sente. Acredito que, provavelmente tenha sido a pressão do momento ou então, minha amiga, você está ficando louca mesma.

– Mais aí é que está, morro de medo da reação dele. Não quero tomar a iniciativa. Você viu no que deu quando me comportei desse jeito e tomei a iniciativa para conquistar um homem.

– Ah não! Agora você comprovou de vez seu estado de loucura. Não é possível que não perceba que, entre a sua história com Giuliano e a do Genaro, tem uma distância muito longa.

– Eu sei que tem razão. Mas sinceramente, o medo tem me paralisado, não sei o que fazer.

– Pois pare de pensar e entre em ação. Um homem com o curriculum de Giuliano não ficará pra sempre esperando você tomar a coragem de pedir desculpas por um ato de estupidez. Acredite moça, tanto a bondade quanto a paixão por mais desmedida que seja, quando não valorizada terá um curto prazo de validade. Faça alguma coisa por vocês ou irá se arrepender amargamente por sua inércia.

Larissa já estava quase se arrependendo por ter ouvido os conselhos de Marion e ainda mais arrependida estava pela brilhante ideia de tentar falar com Giuliano na hora de seus exercícios matinais.

Sabia que ele corria todas as manhãs, num pequeno bosque, perto de sua residência.

Como não queria chamar a atenção de terceiros, resolveu não procurá-lo no hotel, mas nem mesmo ela, tinha ciência de sua falta de condicionamento físico. Deu algumas voltas no bosque, na tentativa de localizá-lo e já estava quase morta de tanta fadiga.

– Não é possível! Será que justo hoje ele resolveu não aparecer. Isso deve ser um aviso de Deus. É melhor eu ficar na minha. Porque deixei a Marion me convencer dessa ideia idiota.

E resmungando consigo mesma, nem percebeu que Giuliano corria em sua direção e só a pouco metros de distância percebeu sua presença.  Teve vontade de sair correndo para que ele não a visse. O que iria falar a ele?

No entanto, pareceu-lhe que o seu desejo foi ouvido. Giuliano, de um modo simples e natural passou por ela e nem se dignou a cumprimentá-la, como se não tivesse notado a sua presença. Ela arrependeu-se mortalmente de ter desejado isso, alguns minutos atrás.  

Seu maior desejo era que o chão se abrisse sob os seus pés, ainda que fosse se estabacar de cima de quarenta andares.  Desolada, sentou-se num banco da área de lazer, para recuperar o folego. Desejava de todo coração sair correndo dali, mas a falta de resistência física não lhe permitiu tal façanha. Sentiu envergonhada e jurou pra si mesmo que, a partir daquele dia, não ouviria mais os conselhos de Marion.

– Que idiota. É claro que ele nem iria olhar pra mim. Se quisesse me ver teria me procurado. Vamos levanta-se e saia daqui, antes que passe mais vergonha, disse a si mesma. Aí sim, serei obrigada a matar Marion.

– Então? Até que enfim resolveu aderir a prática de exercícios. Já não era sem tempo – Disse Giuliano ao sentar ao lado de Larissa, tirando-a do transe da decepção.

– Que susto! Não o tinha visto. Aliás, achei que também não tinha me notado.

Ele caiu na risada e ela novamente sentiu vontade que chão se abrisse sob seus pés.

– Idiota! Cale-se, é o melhor que tem a fazer. Pensou com seus botões.

– Bem se vê que não entende nada sobre exercícios físicos, especialmente corrida. Primeiro não se dá quatro voltas num parque deste tamanho, sem os devidos aquecimentos e, logo no primeiro dia…

– Estava me espionado?

– Segundo, do mesmo jeito que temos que aquecer para correr, temos que desaquecer para terminar a corrida, por isso não parei a pouco, precisa desacelerar, e por fim, eu não estava espionando-o. Você passou por mim, em todas essas voltas mas não me viu. Estava preocupada demais, procurando sei lá o que.

– Idiota! Idiota! Idiota. Repetiu, silenciosamente, para si mesma.

– Fico feliz que tenha arrumado um tempinho pra você. Isto é muito importante. Mas vá com calma. Comece devagar.

– Giuliano, por favor, deixe-me falar, antes que me arrependa e saia correndo. Isto se meu folego permitir, é claro.

Fingiu não ter notado o risinho zombeteiro em seu rosto másculo e continuou.

– Precisava falar com você, mas não queria que fosse no hotel, por isso resolvi vir procura-lo aqui.

– Porque não no hotel? Foi lá que sempre falou comigo.

– Não queria e pronto. Qual o mal nisso?

Subiu a voz um tom e arrependeu-se ao vê-lo olhando para ela de um jeito que ainda não tinha visto. Já conhecia todos os seus olhares, mas aquele era diferente, e arrependeu-se de tê-lo provocado, pois não não gostou dele.

– Perdoe-me estou um pouco nervosa. Na verdade, vim até aqui para me desculpar pelo meu comportamento no último dia que nos vimos. Eu não sei que me deu, perdi a cabeça. Sei que foi uma atitude idiota, mas agora já foi. E só não fui te procurar, porque achei que estava com raiva e também ando muito ocupada com o retorno ao trabalho e Emilio ainda precisa de mim….

De repente, parou de falar pois viu que ele estava olhando fixamente para uma árvore bem à frente deles e, provavelmente não tinha escutado uma palavra sequer do que ela tinha dito.

– Você não prestou atenção numa palavra do que eu disse. Está aí a olhar para o céu esperando o que?

Ele virou-se calmamente para ela.

– Esperando que pare de falar feito uma matraca e me diga exatamente porque veio até aqui.

– Já disse, vim me desculpar porque agi mal com você…. Ah não! Você parece criança – Disse irritada ao vê-lo voltar a contemplação da árvore novamente. Que há com você?

– Estou esperando que me diga porque veio até aqui.

– Porque eu te amo, seu idiota! Não percebe?

– Eu sim, mas você ainda não. Disse e já foi levantando para continuar sua corrida.

– Não vai me falar nada?

– Sim – Disse voltando-se para ela – No jantar de hoje à noite. Te pego as 20:00 Horas.

E retomou sua corrida, deixando Larissa sem resposta e sem chão.

Capítulo XXIX

Quer me conhecer melhor? Assista ao vídeo “Quem sou eu” https://www.laircecardoso.com.br/quem-sou-eu

Sobre o Autor: Lairce Cardoso
Lairce Cardoso

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Nasci no berço da família Cardoso, na cidade de Paranapuã, no interior de SP no dia 15 de Julho de 1.963. Sou a nona filha do Senhor Libério e da Dona Lindaura.

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