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Lairce Cardoso

A DIFÍCIL ARTE DE ACEITAR ESCOLHAS

17 de abril

Aceitar escolhas é mesmo uma arte muito difícil, especialmente quando se trata da vida daqueles que amamos.

Logo pela manhã Larissa já estava a postos. A cabeça a mil. Precisava tomar muitas providências, mas não sabia nem por onde começar.

Depois de se certificar que a mãe e Emílio estavam bem, resolveu ir até o hotel, pois precisava urgentemente conversar com Giuliano e também com Marion, provavelmente teria que se afastar de suas atividades por alguns dias.

Chegando ao Hotel, Larissa foi direto ao escritório de Giuliano e antes mesmo de cumprimentá-lo foi falando sem pensar e sem pestanejar foi direto ao assunto. Falou ríspida e de uma forma tão dura que pegou o rapaz de surpresa.

– Com que direito vocês esconderam de mim o estado de saúde de minha mãe? Eu sou a filha dela, sendo assim, penso que eu deveria decidir o que fazer sobre seu tratamento ou o médico que iria consultar. Não vocês. Você não acha?

Giuliano tentou acalmá-la, mas ela estava tão transtornada que ele resolveu se calar. Entendia a sua dor . Por isso compreendeu a angústia que estava em seu peito.

– Larissa, por favor, a decisão não foi nossa, mas sim de Dona Rute. Nós apenas a respeitamos.

– Ela não estava em condições de decidir. Vocês não podiam ter omitido essa informação de mim. Se algo acontecer a ela, não os perdoarei.

Se algo acontecer? Giuliano assustou-se, até onde ela tinha conhecimento da gravidade do estado de saúde de sua mãe.

– Larissa, escute-me…

– Não vou escutar coisa nenhuma. Vou procurar outro médico. Nem sei onde a levaram. Deve ser uma porcaria de médico, incapaz de resolver um caso simples assim.

Ela falava sem parar, quase nem tomava fôlego tamanha sua indignação. Giuliano apiedou-se da dor que dilacerava seu coração, levantou-se e a abraçou muito forte, tentando tirar seu ar, para que ela se aquietasse.

Quando ela parou de falar ele a ajudou a sentar-se e carinhosamente, procurando as palavras mais dóceis possíveis, perguntou qual o s eu verdadeiro conhecimento sobre a enfermidade de Rute. 

– Larissa, você tem conhecimento que a saúde de Dona Rute está muito debilitada, não é? Carolina levou-a num dos melhores especialistas da capital, mas infelizmente o quadro já, naquela ocasião, era muito crônico.

– Porque esconderam isso de mim? Eu poderia tê-la ajudado.

– Como você quer, infelizmente, não poderá ajudá-la. Mas você a ajudou tanto permitindo que ela vivesse com alegria o tempo que lhe resta. Esse era seu desejo. Temia que na ânsia de ajudá-la, você não permitisse que ela vivesse tudo o que viveu. Não se culpe. Ela quis assim.

– O que vou fazer sem ela? Disse entre soluços. E Emílio? Ele não suportará essa dor. E, entre lágrimas contou o ocorrido com o filho.

– É certo que a sua falta será irreparável e, não posso te dizer como será, mas posso te dizer que estou aqui.

– É tudo muito injusto. Não consigo entender como Deus pode causar-nos tanta dor. Onde está sua bondade? Porque permite isso?

– São perguntas que não saberei te responder. Apenas conte comigo. Sou seu amigo e não a deixarei só. Estarei sempre ao lado de Emílio.

– Não sei nem por onde devo começar. O que devo fazer? Estou totalmente sem rumo.

– A primeira coisa que vai fazer é tomar um bom café. Depois vá para casa e fique com eles. Marion saberá conduzir seu negócio. Se precisar eu e Carolina também poderemos ajudar. Ela precisa de você a seu lado. Proteja a ela e ao seu filho.

– Você acha que não devo mesmo procurar outro médico?

– Faça isso se irá se sentir em paz. Não se preocupe com o que vão pensar. Vou ligar para Carolina e se quiser nós poderemos acompanha-la. Está bem assim?

Ela consentiu com a cabeça.

O dia já estava acabando quando finalmente ela se livrou das atividades para deixar o ateliê nas mãos de Marion e Carolina, , que prontamente se ofereceu para ajudá-la. Juntas traçaram todas as ações para os próximos dias.

Resolveu aceitar o conselho de Giuliano e iria ficar uns dias com a mãe e Emílio. Tinha esperança que num novo exame tivesse notícias melhores. Já havia agendado para aquela semana.  Depois veria o que fazer. Por certo, sua mãe se recuperaria e ela poderia voltar às suas atividades.

Chegando à sua casa, ficou algum tempo sem conseguir sair do automóvel e ainda sentada ao volante do carro, sentiu uma espécie de paralisia. Parece que suas pernas não atendia ao seu comando.

Ficou olhando para o portão e perdeu toda coragem de entrar na casa. Como iria conversar com sua mãe? E com o filho?

Desceu do carro e muito devagar caminhou até a praça, onde tantas vezes, Rute brincava com o neto.

– Deixei ele se acabar nos brinquedos –  dizia ela sorrindo, trazendo Emilio pela mão imundo de tanto brincar na terra – Assim ele apagará cedo hoje. E as duas sempre riam da cara que ele fazia com esse comentário.

Sentou-se num banco defronte ao brinquedo favorito do filho e ficou a fita-lo por um longo tempo. Não conseguia parar de pensar, mas também não tinha nenhum pensamento formado. Era só dor.

Fechou os olhos tentando não pensar mais. Queria fugir dali. Não queria enfrentar aquela dura realidade. Se pudesse sairia correndo dali e só voltaria quando alguém a avisasse que tudo não tinha passado de um enorme mal entendido.

Só se deu conta do tempo que ficou ali, imóvel sem saber o que fazer, quando escutou alguém falar ao seu redor e abrindo os olhos, avistou um policial à sua frente.

– A senhora está bem? Perguntou ele. Precisa de ajuda?

– Não! Disse quase num sussurro. Estou bem sim, apenas sentei aqui para pensar um pouco, mas moro aqui na casa da frente. Disse, apontando o imóvel.

– Está bem. Mas não acho que seja bom ficar aqui sozinha. Tem algumas pessoas sem muita índole que, às vezes, podem querer aproveitar de alguém indefeso. O carro estacionado ali é da senhora?

– Sim. E só então viu que tinha deixado o carro totalmente aberto.

– Venha! Disse o policial, percebendo que ela estava muito abatida. Se precisar poderei ajuda-la.

– Obrigada, mas já estou melhor. Já vou indo. , ainda trêmula guardou o carro e agradeceu ao oficial da justiça pela ajuda.

Não tinha ideia das horas, mas a casa estava escura, com uma pequena luz acessa no quarto de Emílio e no de Rute, como costumeiramente acontecia.

Foi até a porta do quarto do filho e ele dormia tranquilamente. Resolveu não mexer com ele e voltando-se para dirigir ao seu quarto, parou à porta do quarto mãe e, não ouvindo nenhum barulho, pensou que ela já estivesse dormindo.

Empurrou a porta devagar e a viu encolhidinha na cama. Ela olhou para a filha e ela percebeu que tinha um misto de medo e de tristeza no seu olhar.

Larissa, caminhou até a cama da mãe e deitando ao seu lado, abraçou-a bem apertado e, quase sem pensar, falou:

– Não tenha medo. Estou aqui.

Capítulo XXVI – A DIFÍCIL ARTE DE DECIDIR

Quer me conhecer melhor? Assista ao vídeo “Quem sou eu” https://www.laircecardoso.com.br/quem-sou-eu

Sobre o Autor: Lairce Cardoso
Lairce Cardoso

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Nasci no berço da família Cardoso, na cidade de Paranapuã, no interior de SP no dia 15 de Julho de 1.963. Sou a nona filha do Senhor Libério e da Dona Lindaura.

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