Blog Lairce Cardoso

Lairce Cardoso

AINDA SOMOS OS MESMOS E VIVEMOS COMO NOSSOS PAIS

28 de outubro

Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos Pais. Porque repetimos velhos padrões de comportamento dos nossos pais, antepassados? Porque, muitas vezes não temos a coragem, tampouco a força para romper com esses padrões?

Música é pra mim, sempre uma grande inspiração. Gosto de todas e tento ser o mais eclética possível, então hoje, me deparei ouvindo “como nossos pais” na belíssima voz de Elias Regina.

De repente um trecho dessa música me chamou a atenção, mais que as outras vezes que eu já a ouvi: “Minha dor é perceber, que apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos, E vivemos como os nossos pais”. Num outro trecho ela diz assim:” Mas é você que ama o passado e que não vê. É você que ama o passado, e que não vê, que o novo sempre vem!

Verdade! Você já percebeu como, ainda que inconscientemente atraímos pra nós padrões de comportamentos tão parecidos com aqueles que fazem parte de nosso sistema familiar e, que vieram antes de nós. Ainda que acreditamos ter todo o controle e, repetimos a todo momento que seremos como nós pais, nós somos exatamente como eles.

Perceba-se o quanto tem de seus pais, seja da forma como lida com o nosso dinheiro, esbanjando, abusando, na escassez, na mesquinharia, na mania de reclamar, dar broncas nos filhos ou se comportar em relacionamentos afetivos. O pior de tudo é que nem sempre damos conta que isso acontece. É só quando alguém nos chama a atenção: “Você está parecendo a sua mãe!” ou “Com esse tipo de pensamento você só podia mesmo ser filho do seu pai!”. É que a ficha cai. Às vezes nem assim.

Como Mudar Padrões de Comportamento Antigos?

No meu caso, a “bronca foi mais séria”!

“Preste atenção tudo o que você repudia em sua mãe é o que precisa ser mudado em você” Forte né? É muito doido, mas é exatamente isso, muitas vezes repetimos os padrões de comportamento e atitudes que mais criticamos e repudiamos nos nossos pais ou até mesmo antepassados.

Mas, quais serão os motivos dessas repetições? Será uma escolha? Será consciente ou inconsciente?

Se há incômodo com isso, a boa notícia é que se trata de um padrão que pode ser quebrado. Primeiro, porém, é preciso entender por que repetimos ações e características que, nos pais, nos causaram, e talvez ainda causem, desgosto.  

Até o final de 2.020, após uma temporada ininterrupta de 30 anos de trabalho no mundo corporativo, mas especificamente no serviço público, vivia cheia confiança e com a autoestima lá em cima. Bom, pelo menos, eu acreditava nisso. Só quando dei de cara com meu desespero emocional, casada, com um filho de 15 anos, lutando para entender o que estava acontecendo comigo e, que compreendi que estava sendo uma porção de coisas, de pessoas e de expectativas, menos eu mesma.  

Racionalmente, eu posso afirmar: que trabalhei muito para buscar conforto, vida financeira estável e paz de espírito. Mas nos últimos tempos eu sentia como uma força invisível que me levava a tomar decisões absolutamente ineficazes, viver num estado de espírito que só atraia dissabores e descontentamento, na verdade, vivia com um só sentimento: “a vida é muito difícil” e eu “preciso sobreviver”.

Porque carregamos o piano dos outros

Hoje, como terapeuta, atendo dezenas de pessoas plenamente capazes, inteligentes, com muita experiência de vida, mas que também acabam repetindo situações que, em absoluto, desejam: por exemplo, entram em situações financeiras que, promovem escassez ou os coloca no modo “eu preciso ter” o tempo todo.

Alguns criam planos bonitos, cheios de criatividade e potencial, mas a coisa “não vinga”. Às vezes, uma pessoa cheia de brilho, vive somente para “carregar o piano”, como se fossem eternamente responsáveis pelos fardos e sofrimentos alheios. Verdadeiros super-heróis sem capas e sem fama.

Vejo pessoas abandonando a possibilidade de uma vida saudável e íntegra, indo atrás de relações afetivas fadadas ao fracasso. Gente inteligente caindo nos vícios do álcool, drogas, sexo, jogo e, tudo em nome de um amor, que na verdade é tudo, menos amor.  

도미노 가정폭력…아빠는 엄마를, 엄마는 아이를 때렸다 : 사회일반 : 사회 : 뉴스 : 한겨레

E, por que somos assim?

Vou te contar, porém vou contar de um jeito mais simples, para ser mais simples o entendimento. Com base na minha formação sistêmica, todos tem dentro de nós uma série de informações que fazem parte de nosso sistema familiar. Foi isso que descobriu Bert Hellinger, terapeuta alemão que trouxe a constelação familiar sistêmica até nós. Alguns dessas aptidões nos dão muitas habilidades, dons, talentos, facilitando a sua jornada nesta vida. Mas outros, nos direciona a entrar em situações difíceis, onde você honrará, com o seu sofrimento, algumas perdas, exclusões e dores emocionais que ocorreram no seu passado familiar.

Num exemplo prático é assim que funciona: um bisavô seu deixou a Itália no começo do século XX, e ainda jovenzinho, abandonou tudo naquele país, para se fixar no Brasil. Deixou noiva totalmente apaixonada e com o coração em lágrimas, deixou sua língua, suas terras, sua cultura, seus irmãos, tios, parentes, amigos… tudo.

Hellinger percebeu que todos os fatos extremamente emocionais que existem em todas as famílias, carregam um “peso”, uma energia que permanece no sistema familiar, não importa se tivemos contato com a história ou não. Assim, usando o exemplo do nosso imigrante italiano, imaginemos que, devido às circunstâncias, não pode concretizar o amor profundo que havia entre ele e a noiva.

Imaginemos que essa separação não teve o tempo de “luto” necessário para que as energias e emoções se assentassem, apesar da dor, então o jovem chegou ao Brasil, e, por desejo de sua família acreditando ser o melhor, casou-se, teve filhos, netos, bisnetos, e assim a vida prosseguiu. Mas aquele amor rompido permaneceu ali com ele e, onde?   Exatamente no sistema familiar.

E, o que pode acontecer aqui?

  Um descendente ainda que não tenha convivido ou até mesmo conhecimento dessa dor, inconscientemente, deseja relembrar esta separação. E, aí que acontece os emaranhamentos. Porque esse descendente se vê sempre jogado em papéis de amante, de terceiro na relação, honrando de forma distorcida aquela noiva, que ficou abandonada em solo italiano.

Esse descendente, carrega em seu interior a sensação de que “eu não posso ser feliz num relacionamento” ou ainda “Eu não mereço viver um amor que vingue, numa relação duradoura”. Tudo por causa das fidelidades invisíveis que assinamos, por amor, ao nosso sistema familiar.

E é desta forma que trazemos internamento as cargas sistêmicas de situações traumáticas, como abortos, perdas de filhos precocemente, ou separação entre pais e filhos, golpes e desfalques, violência, manipulações diversas, exclusões de pessoas com diversos tipos de deficiências, criminosos e muitas outras situações que fazem parte das histórias familiares.

Não existe qualquer sistema familiar que esteja isento de todos os tipos de personagens humanas em sua história. A questão não é ter uma família perfeita, certa ou errada, a questão que irá nos libertar desses padrões tóxicos é simplesmente aceitar a própria família como ela é, e deixar o passado descansar em paz.

Isso se faz através da vivência sistêmica da situação, que não será totalmente compreendida pela mente racional, pois entraremos em contato com uma parte da família que desconhecíamos. Temos que mergulhar em emoções profundas e sentir toda a energia das exclusões no nosso sistema. No entanto, o efeito de libertação destes padrões dolorosos é surpreendente.

Cabe a nós aceitar ou não a justiça do Universo

Certo é que vivemos num universo justo e sábio, onde a engrenagem invisível que nos movimenta é eficiente e que está nos apontando para caminho para o amor. Cabe a nós aceitar ou não.  

As pessoas, os trabalhos corretos, e até os acontecimentos mais trágicos: acidentes, doenças e tragédias que, nada mais nada menos que lições extremamente importantes e sábias. Muitas vezes, muito difíceis, é bem verdade, mas totalmente necessárias para aqueles que querem ir além do conseguimos enxergar.

Portanto, penso que mais importante que ir caça das bruxas podemos e devemos aprender com as repetições dos padrões que nos trazem conflitos. Sim, trabalhar para muda-los, pois além do imagina, estaremos trazendo grandes libertações e sentimentos de paz e alívio, para esses sistemas respirar em paz.

Querer compreender e trabalhar pela mudança dos padrões de comportamentos, quando inadequados, é muito mais que resolver suas questões pessoas. É um ato amor por toda sua história familiar.

Constelação Sistêmica e os Movimentos de Repetições - MetaVisao4d

Para isso, é preciso:

1 – aprender a identificar o padrão. Um bom exercício é trazer à sua consciência onde está o desequilíbrio. Pergunte-se: Onde ou em que área da minha vida estão ocorrendo situações que não desejo mais? A consciência irá livrar você de um monte de enrascadas!

2 – aprender a identificar a emoção interna predominante. Qual emoção predomina, quando estou no auge do conflito, do problema?

3 – permitir-se incluir a emoção, o mal-estar, até que esta energia se dilua. Coragem! Porque é bem possível que irá identificar muitas emoções adormecidas ou até mesmo desconhecidas, como o medo, raiva, ciúme, inveja, ganância, soberba, orgulho, avareza.

Porém é preciso estar firme para compreender que tudo isso faz parte de você e do seu passado familiar, por isso não as negue. Sinta-as! É importante olhar de frente, sem negações, para cada emoção. Aí você terá a capacidade de deixa-las ir.

4 – mudar os hábitos e atitudes que atraíram a repetição do padrão negativo. É preciso ter em mente que nem sempre conseguimos fazer tudo sozinho, na verdade, não precisamos. Para acender a sua luz, projetar o crescimento e as situações de paz, deixando as coisas antigas para trás é preciso se limpar de muitas verdades e pesos, que podem nem serem seus. Portanto, não tenha receio e busque ajuda. Esse passo é importante demais, não o negligencie!

E ainda, é preciso

5 – honrar e reverenciar os pais e os antepassados. Inclua todas as histórias que eles lhe trouxeram. Honrar e reverenciar os pais e, toda sua história familiar é um processo interno. Isso não tem nada a ver com estar grudado na família, interferindo e deixando ser manipulado, é apenas aceita-los, como são, sem julgamentos e sem juízo de valores. Assim como nós, cada um tem sua história, seus motivos e suas dores.

A conexão profunda com a família traz liberdade, e é um processo terapêutico, espiritual e alquímico, que precisará de tempo e perseverança.

E, pode ser que quando tudo isso estiver assentado em você, e amorosamente compreender porque repete e ainda vive como seus pais, você tenha a força de receber os dons e a intuição que também vem das raízes familiares.

E, talvez aí e muito provavelmente tenha feito a mudança que precisa ser feita em você, e lembre-se, ela tem que ser de dentro para fora. Assim você será exatamente quem deve ser.

Um pouquinho sobre mim

Depois de atravessar uma fase muito delicada, em todos os setores meu viver, a vida me deu uma grande chacoalhada do tipo: acorda, você tem muito potencial para viver na invisibilidade.

Por fim, depois de uma faxina muito grande na minha pessoa, e de decisões difíceis e doloridas mas, absurdamente necessárias, surgiu uma nova mulher chamada Lairce.

Uma mulher que resolveu reinventar-se aos cinquenta e seis anos de idade, física, mental e psicologicamente. Uma mulher que aprendeu que priorizar a necessidade de ser feliz, não é egoísmo, é vida!

Conto um pouquinho desses sentimentos malucos que tomaram conta de minha mente, nesta matéria que está aqui no blog https://laircecardoso.com.br/pedacos-da-vida/a-coragem-de-ser-imperfeita/

Ajustando o meu propósito de vida

Atualmente sou Terapeuta Complementar e Consteladora Sistêmica e trabalho tanto com crianças e adolescentes quanto com adultos. Como terapeuta meu principal objetivo é contribuir com a melhora comportamental, auxiliando o paciente a encontrar o caminho do autocuidado e autoconhecimento.

Então, se você se percebe que deve dar mais atenção a sua saúde mental e emocional de um modo geral, saiba que a terapia sistêmica é um grande apoio.

Especialmente nos processos de autoconhecimento, a terapia poderá te ajudar a ter mais consciência sobre suas questões que causam sofrimentos, recuperando assim seu bem estar, auto estima e, até mesmo o resgate de si mesmo.

Ademais, contar com ajuda de um profissional não é sinal de fraqueza, portanto, se você passa por alguma situação difícil neste momento, não se faz necessário passar por tudo sozinho(a).

Além disso, a ajuda de um profissional qualificado, poderá te ajudar a atravessar esse processo de maneira mais leve.

Por isso, dê-me a oportunidade de mostrar como a Terapia Sistêmica poderá ajudá-lo nos diversos seguimentos de sua vida. Agende um horário e venha tomar um café comigo, é provável que aqui você se liberte de suas amarras.

PARA MAIS DICAS SIGA-ME NO INSTAGRAM: http://@LAIRCE_CARDOSO_OFC

Sobre o Autor: Lairce Cardoso

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Nasci no berço da família Cardoso, na cidade de Paranapuã, no interior de SP no dia 15 de Julho de 1.963. Sou a nona filha do Senhor Libério e da Dona Lindaura.

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