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Lairce Cardoso

POR QUE NÃO CONFIO NAS PESSOAS

17 de abril

Por que não confio nas pessoas? Por que é tão difícil começar novas relações? Muitas pessoas se questionam sobre isso, especialmente quando tomam consciência de que há bastante tempo não criam um vínculo seguro com ninguém. Seja numa relação de amizade, de amor, de trabalho ou até mesmo familiar

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Ao confiar nos demais, cada um o faz com a urgência que lhe convém.  Há aqueles que criam um apego quase que imediato e desenfreado, oferecendo mundos e fundos, compartilhando confidências, cumplicidades e esperanças. Outros, no entanto, são mais comedidos, e dosam suas demonstrações de simpatia, apostando, primeiro na reciprocidade e até na sua intuição.

existem aqueles que estão sempre com o pé atrás. De fato, cada vez mais ouvimos os queixumes das pessoas que se sentem incapazes de iniciar novas relações afetivas. Também há quem diga que se sentem melhores em sua própria companhia. Que sem vida amorosa ou sem amigos para se preocupar, se livram de muito aborrecimentos. OK, até pode ser. Embora basta um olhar com um pouco mais de sensibilidade, para perceber que são apenas palavras jogadas ao vento. Enfim, é nítido o vazio que a carência desses vínculos gera nessas pessoas.

Afinal de contas, vivemos na época da conexão, é quase que uma exigência estarmos diariamente conectados com tudo e com todos. E outras palavras, nunca foi tão fácil encontrar amigos ou amores. Mas, evidente também é, que a qualidade destes laços é insatisfatória e infeliz, a cada dia que se passa.

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Por que não confio nas pessoas?

A desconfiança é o reflexo de uma vida difícil, cujo componente principal é o medo.   A confiança é o motor que impele o ser humano pra frente, e vai muito além do campo de relacionamentos. Por exemplo, é preciso confiar que, ao sair de casa não sofreremos nenhum mal, o elevador não vai quebrar e que seremos capazes de dirigir nosso carro. Caso contrário, o caos emocional instaura na nossa vida e nos leva à loucura.

Portanto, quem navega no mar da desconfiança, além de abrigar o peso do medo em seu coração, ainda carrega sobre os ombros a urucubaca das decepções e mágoas vividas no passado. Com isso às preocupações de se frustrar novamente tem poderes ilimitados para bailar no seu interior, te fazendo de gato e sapato.  Aí não tem como caminhar de maneira agradável e satisfatória. Tudo terá uma dimensão de dor e sofrimento.

Mas sempre vale a pena refletir sobre as dimensões sobre as questões da desconfiança alheia. Vamos lá.

Pistantrofobia, o medo de confiar

Hoje em dia, há rótulos e síndromes para justificar quase todos os comportamentos. Entretanto, isso os torna categorias clínicas, como é o caso.

Mas, pistantrofobia é o medo irracional de estabelecer relações íntimas com os demais. Porém, essa fobia não aparece no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) como um diagnóstico oficial.

Isso porquena verdade, essa “sofrência” tem sua marca registrada por traumas e decepções profundas e experiências não superadas no passado que se arrastam pela vida afora, até o momento presente . Esta sim, é a verdadeira ferida que precisa ser curada, a “sofrência” pelos traumas vividos. Não podemos ficar, desfilando por aí com o rótulo de “Eu sofro de pistantrofobia”. O melhor que se deve fazer é sanar o motivo por trás disso.

É evidente que cada caso é um caso, mas existem alguns gatilhos que identificam muitos comportamentos de desconfiança. Veja se alguns dos gatilhos abaixo não se encaixa na sua história.

Os vínculos da infância

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O primeiro vínculo de confiança, começa na infância com os pais. Se desde cedo não são atendidas as necessidades básicas de sobrevivência da criança como o bem-estar, a segurança ou a aliança de amor e respeito não forem compreendidas da forma correta, tudo começa a desabar.

Quando as principais fontes de apego não se fazem presentes ou deformam o conceito de amor e de cuidado, abre-se um espaço no coração para o sentimento primitivo da desconfiança.

Foco demasiado nas perdas

É natural que ao longo da vida,  as pessoas acumulam experiências com cada relação que aconteça pelo caminho. Algumas são boas, outras nem tanto. No entanto, às vezes as piores vivências tem um impacto maior que o esperado e ferem, desanimam e decepcionam.

Quanto mais íntimo for o vínculo , mais intenso o sofrimento. Descobrir que numa amizade, num relacionamento amoroso ou até mesmo com familiar próximo não é tão apreciado quanto pensa. Descobrir que a traição, mentira e outros sentimentos mesquinhos têm espaço nas relações humanas pode gerar mudanças trágicas na vida de uma pessoa. Especialmente se esta, não estiver emocionalmente equilibrada. Isso é um prato cheio para sentimentos como a desconfiança, o rancor, a mágoa ter liberdade de espaço para aninhar no seu interior .

Direcionar o olhar apenas para as pessoas que te fizeram mal tem um custo muito alto. O de assumir a perigosa ideia de que as pessoas não são confiáveis e , portanto, é melhor se proteger. Daí a dificuldade de aceitar que as pessoas são diferentes, e assim como nós, são imperfeitas. Generalizar pelo pior é sempre muito perigoso, em qualquer circunstâncias.

Então o que fazer se não confio nas pessoas?

Quando alguém experimenta na própria pele a decepção deixada pela dor da traição não é fácil voltar a confiar. Porém, esta é uma ferida que deve ser curada para, deixar para trás as mágoas e dores , que todos estão sujeitos, ao percorrer o caminho da vida. Só assim, será possível recuperar a confiança, primeiro em si mesmo e depois nos demais.  

É necessário dar novas oportunidades a nós mesmos e aos outros. Não é saudável viver num espaço de rancor, com as janelas e portas trancadas, impedindo a entrada de novos ventos e de nova cores.

É claro que, ao vasculhar o seu interior de alguma forma, encontrará o motivo que desencadeou o gatilho da desconfiança, ainda que este motivo não esteja muito transparente.

Mas um bom exercício é dar uma olhadela lá passado e perceber quem, de alguma forma, os deixou para trás. E resolver essa questão consigo mesmo. Porém, é preciso ter em mente que olhar para o passado é bom apenas para promover a cura. O ideal é deixar no passado o que é do passado. Só assim, é possível um novo olhar e um novo recomeço aqui no momento presente. Que é onde sua vida acontece.

Feitiço vira contra o feiticeiro

Celos, síntomas y tratamiento | PsicoGlobal

Já entenderam onde quero chegar, não é mesmo? O mundo devolve tudo o que emanamos. Os nossos sentimentos, pensamentos reflete diretamente no mundo a nossa volta, assim acontece com as nossas atitudes e ações. Temos a capacidade de atrair para nossas vidas tudo aquilo que nossa mente acredita e tudo aquilo promovemos aos demais.

Portanto, não se assuste se de repente você passar a ser alvo de desconfiança das outras pessoas. E, ainda mais sério, não se assuste quando você passar a ser alvo de desconfiança de si mesmo. Decerto de tanto exercitar a desconfiança, isso será bem possível .

Aquele que não tem confiança nos outros, não lhes pode ganhar a confiança. Lao-Tsé

Assim, livre-se desse fantasma que te atormenta. Primeiramente admita, quando for o caso, que precisa de ajuda profissional. Não há mal nenhum nisso. Ninguém tem que dar conta de tudo sozinho, o tempo todo. Grite se precisar. Mas não arraste desordens pela vida, pois com o passar dos tempos, o peso vai se tornando insuportável.

Dicas de ouro

Confiar é permitir novas oportunidades para nós mesmos e, para isso fica aqui algumas dicas:

  • Em primeiro lugar, cuide daquelas feridas lá do passado que ainda não estão cicatrizadas.  Para conseguir criar relações de qualidade, antes de mais nada, você deve estar bem consigo mesmo. Não permita que o peso de uma relação fracassada condicione a oportunidade de desfrutar vínculos de qualidade no presente.
  • Diminua as altas expectativas. Faça dosagens. Mas acima de tudo, não espere devoção absoluta ou uma cumplicidade perfeita em poucos dias. Da mesma forma que precisa do seu tempo, de maneira idêntica o outro também pode precisar.
  • Não meça milimétricamente tudo o que oferece esperando exatamente o mesmo em troca. Peça honestidade. E só!
  • Observe as pessoas, abra-se sem pressa e permita que os demais se abram para você. Defina seu próprio ritmo, para que se sinta mais confortável com a relação, seja ela de amizade ou amorosa. Se houver confiança por parte de ambos, o tempo de cada um será respeitado.
  • Não crie ilusões demasiadas. Aceite que todos somos imperfeitos. Frageis e ecologicamente incorretos.

Em resumo. Igualmente a você existem milhões de pessoas por aí, marcados pela dor decepção, da frustação e de muitas outras dores. São muitos os que deixaram de confiar nos demais. Você faz parte de uma grande massa de desconfiados. A menos que se livre desse fantasma indesejado. Mesmo porque ninguém merece levantar diariamente com esse espinho cravado no peito. 

Confiar é a base de tudo da vida, do amor, da esperança. Doeu? Tudo bem! Ainda assim, cure-se e recomece. Sempre há uma outra chance, uma outra amizade, um novo amor. Ainda mais que, para todo fim há sempre um novo recomeço!

Veja também: https://laircecardoso.com.br/pedacos-da-vida/afinal-o-que-e-mesmo-o-amor/

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Sobre o Autor: Lairce Cardoso
Lairce Cardoso

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Nasci no berço da família Cardoso, na cidade de Paranapuã, no interior de SP no dia 15 de Julho de 1.963. Sou a nona filha do Senhor Libério e da Dona Lindaura.

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