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Lairce Cardoso

O BARULHO QUE O SILÊNCIO FEZ EM MIM

25 de fevereiro

“Vivemos na era do barulho. O silêncio está quase extinto”, afirma o filósofo e aventureiro Erling Kagge.

Vivemos cercados de som e barulho, mas o que acontece quando nos deparamos com o verdadeiro silêncio? 

Conforme tenho comentado em algumas matérias aqui no blog, venho do mundo corporativo e por lá sobrevivi durante grande parte de minha vida. Entretanto entendendo que encerrou o meu ciclo com esse estilo de vida, aos 57 anos resolvi ressignificar minha vida. Porém, não poderia deixar de comentar o quanto sou grata por tudo o que vive, recebi e aprendi, por todos esses anos.

Descobri a Terapia Holística como novo caminho a seguir. Só que como sempre tive uma grande preocupação com o outro, nada mais justo que ao decidir trabalhar nesta área, tivesse a formação adequada. Por isso, comecei a me preparar para o atendimento terapêutico desde meados de 2.017, quando teve uma inquietação em mim. Não cabia mais onde eu estava.

Assim, com o intuito buscar conhecimentos foram muitos cursos, muitas reflexões e tive que me adaptar a muitas mudanças de hábitos e crenças. Foram muitas horas dispensadas ao novo aprendizado, de tal sorte que, confesso que me surpreendi ao dar conta de tantas bagagens pesadas eu vivia carregando. Eram muitas e me limitava por demais. Apesar de sempre acreditar ser uma pessoa aberta ao novo e muito criativa.

Coisas do novo saber. Pois bem, em meio a tantos cursos e vivências fui convidada para participar de um mini retiro, como fora intitulado, com o propósito de aprender o valor do silêncio.

Dez horas de silêncio, era o tema do mini retiro.

Nossa! Assustei. Dez horas? Era demais pra mim. Falo pelos cotovelos. Como eu conseguiria passar 10 horas em silêncio. Não dava. À princípio recusei o convite. Logo depois, veio o segundo convite e, depois de uma carta bronca para mim mesma, resolvi dar um crédito a essa experiência.

Afinal, que mal teria? Se acaso não desse conta nada me prenderia lá. Pronto, decisão tomada. Aceitei o convite.

Dois dias antes da experiência, recebi algumas orientações para o dia e e entre elas que, na véspera era importante uma boa noite de sono( mesmo porque o inicio era as 06:00 da manhã). OK. Estava tudo certo e fui seguindo as orientações recebidas. No entanto, como não temos controle de absolutamente nada na nossa vida, na noite anterior quando eu deveria ter uma excelente noite de sono, na verdade passei em claro. Na ocasião estava vivendo dias dificíeis com meu filho adolescente. Crises de adolescência, um tanto agravadas pelo isolamento social.

E, assim numa força sobrenatural , naquela manhã me dirigi para o local destinado a vivência. E, como tenho a péssima mania (ainda me livro disso) de resolver tudo, já fui combinando comigo pelo caminho. Se acaso, não desse conta de fazer o que tinha na programação, pelo menos, pediria licença para dormir um pouco. Porque eu estava exausta!

Bom, resumindo a ópera, fui experimentar aquela vivência, depois de uma noite mal dormida e, como sempre com todas as soluções do mundo , arquitetados na minha mente, se acaso, entendam bem, eu não desse conta do recado.

No raiar do dia, eu já estava exausta

Exausta de lutar comigo mesma para deixar as coisas lá lado de fora, lá fora. Na verdade, lá fora estava tudo certo e em paz. Dentro de mim é que estava um turbilhão de emoções. Enfim eu estava totalmente desconectada de mim mesma.

Bom! O dia foi se desenvolvendo e aos poucos, fui aguentando firme fui e de repente fui dando conta que o meu alvoroço interno estava se aquietando, porque eu comecei a ouvir outro barulho. Que foi invadindo a minha alma e era tão avassalador e, aos poucos, as coisas de segundos atrás não tinham mais sentido.

Só então percebi quanto é sensacional silenciar para ouvir o barulho da gente mesma. Ouvi, a partir daquele momento, o barulho insistente de Deus me chamando para olhar para mim mesma. Até em alguns momentos que, propositalmente, não tinha atividades.

E, aí eu digo a vocês, sem a menor dúvida que eu nunca ouvi tanto barulho como naquele dia. Um barulho barulho chamado: eu mesma, que invadiu e tomou conta de toda a minha alma. E, assim foi durante todo o restante do dia.

Interessante que, ao término do dia (quando fomos liberadas para matracar), não tive a menor vontade de falar e, se pudesse continuaria mais 10 horas em silêncio. E, fiquei por muitos dias silenciosa.

E, desde então, compreendi que o silêncio nos revela muito mais que podemos supor. Por isso, tenho cultuado momentos de silêncio nos meus dias.

Compartilho um texto que chegou aos meus ouvidos no desenvolver de uma atividade:

“Dez horas de silêncio. Mas onde está o silêncio? Porque eu nunca ouvi tanto barulho como naquele dia. E era um barulho ensurdecedor.

Barulho do silêncio. Alarido dos anjos que me envolvia com suas canções angelicais. Estrondo de Deus a me orientar e me acalentar. Um alvoroço indescritível vindo de mim ao me receber de volta na minha casa interna.

Um silêncio que gritava a plenos pulmões: Silencie e poderá ouvir de dentro de você todas as respostas para suas infindáveis perguntas. Além disso, poderá escutar todos os conselhos para tudo o que precisar.

Sim, é possível que você de conta de tudo que foi destinado a ti como missão de vida, quando colocar Deus no comando de tudo. Silencie para ouvir que Ele é o barulho mais vibrante e reparador que podes ouvir.

Que no silêncio de tua alma, possa compreender que as dores, as angústias e as incertezas não conseguem apagar a força de tua alma feminina, que é o pilar de amor no seio de tua família.

Compreenda que a doçura que mora em seu interior é a força e a cura que seu filho precisa. Que a sua meiguice tão pouco explorada em ti é o apoio para o caminhar de seu marido.

Entenda que a força do amor que há em você, aterre suas dores e deixe a leveza da vida desabrochar em meio a vocês.

Aprenda que a importância de se comunicar com amor e gentileza, grite mais alto em você, minando a vontade de controlar tudo à sua volta. Nós não temos o controle de absolutamente nada nessa vida. Tudo está como deveria ser.

Seja mais luz, menos exigência, mais amor e menos razão.

Enfim, perceba que está na hora de desabrochar-se por completo e deixar sair de dentro de você a mulher feliz e abençoada que és.

Assim, nunca mais deixe de ouvir o barulho do senhor em sua vida”

Embora eu não tenha a menor ideia de quem ditou isso nos meus ouvidos não sei, uma coisa não posso negar, somente quando me calei pude ouvir.

Veja também:https://laircecardoso.com.br/meditacao/as-confissoes-de-um-filho/

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Sobre o Autor: Lairce Cardoso
Lairce Cardoso

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Nasci no berço da família Cardoso, na cidade de Paranapuã, no interior de SP no dia 15 de Julho de 1.963. Sou a nona filha do Senhor Libério e da Dona Lindaura.

Comentários (3)

Lilian Cristina Moura Responder

Olá boa tarde Lairce!
Quero aqui agradecer o maravilhoso texto, eu precisava ler hoje … obrigada obrigada

28 de fevereiro de 2021 at 14:02
    Lairce Cardoso Responder

    OBRIGADA A VOCÊ PELO CARINHO.
    QUE BOM QUE MINHA VIVÊNCIA TE AJUDOU. FICO FELIZ.

    28 de fevereiro de 2021 at 21:05
Isabel Fernandes Responder

Maravilha de texto….vou procurar me silenciar pra ver se me ouço….gratidão!!!

3 de março de 2021 at 22:23

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