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Lairce Cardoso

MEU CASO DE AMOR COM MEUS PAIS

4 de maio

Meu caso de amor com meus pais, começou de um jeito muito estranho, cheio de culpas e não aceitações por muitas coisas, mas aprendi a aceitar, amar e a honrar completamente os meus pais, com um amor leve e descompromissado depois que fiz Constelação Familiar.

Caricatura dos meus pais, feito por minha sobrinha Alline Bezerra. Capa do livro “Coisas de Familia”, escrito por mim e dedicado a minha família.

Muitas das dificuldades de nossa vida podem ser orientadas à luz da Visão Sistêmica, através da Constelação Familiar. Uma poderosa ferramenta da Terapia Holística que promovem movimentos de cura e liberação que possibilitam mudanças significativas na vida de um ser humano.

Quando nos aprofundamos no conhecimento sistêmico, mas especificamente nas constelações familiares é muito comum deparar com angústias e medos decorrentes da dificuldade de compreensão e aceitação, daqueles que nos deram, o maior presente que poderíamos receber, que é a vida. Sim, estou falando dos nossos pais.  

Antes de conhecer a Visão Sistêmica e entender como rege a harmonia no nosso sistema familiar, eu tinha uma visão muito equivocada sobre meus pais. Embora, à minha maneira, sempre respeitei a relação dos dois, visto o apreço existente entre eles. Na verdade, hoje vejo eu poderia ter convivido muito melhor com eles, se tivesse olhado para eles com olhos menos exigentes.

História de vida dos meus pais

Meus pais, nasceram em Riacho de Santana e tiveram uma infância miserável. Cresceram na área rural, sob uma educação bastante rígida dos pais deles e nenhum dos dois foram alfabetizados.

Meu pai e, uma irmã mais nova, foram abandonados pela família, quando tinham 10 e 7 anos respectivamente. Foram criados pelos tios da minha mãe.  Recebiam o básico para a sobrevivência, mas nunca tiveram o carinho, tampouco souberam o significado da palavra família.

Desse relacionamento, meus pais, tiveram 11(onze) filhos e um aborto espontâneo.

Do seu jeito nos colocaram em seus colos

Nosso pai nunca nos colocou no colo, não nos embalava, mas nada nos faltou, dentro da possibilidade do que ele podia nos dar. Tinha um olhar que nos congelava a espinha, mas ao mesmo tempo, esse mesmo olhar acalantava o nosso coração. Esteve presente em todos os nossos momentos, firme. Tínhamos a certeza, pelo motivo que fosse, nosso pai estava lá. Hoje compreendo que assim foi, porque assim aprendeu a ser.

Nossa mãe, filha mais nova de uma família de muitos filhos. Perdeu o pai (meu avô) muito cedo e, a família resolveu mudar para São Paulo para tentar a sorte. Com medo do que pudesse acontecer às filhas, minha avó, fez o casamento de todas as filhas, e nessa ocasião minha mãe tinha quatorze anos, quando devidamente arranjado pela família, casou-se com meu pai. Falava pelos cotovelos, promessas nunca cumpridas, mas era uma leoa na defesa dos seus. Sabia se impor. Era soberana no seu lar. Extremamente elegante, parecia uma rocha, altiva.

Na infância, num acidente doméstico, num momento de distração dos meus avós, colocou soda na boca e depois disso teve problemas de saúde até a vida adulta. Filha de uma família com muitos irmãos, a situação de muita pobreza não permitiu que seus pais de lhe desse a atenção dedicada, ainda que ela merecesse uma situação especial.

A minha visão dos meus pais antes da Constelação

Eu tinha uma visão muito severa com relação ao comportamento de minha mãe. Eu sempre a enxerguei como uma mulher autoritária, exigente demais com as filhas, ao ponto de podar qualquer possibilidade de crescimento pessoal e, protetora extremista dos filhos. Somente os homens eram bons filhos e as mulheres eram cumpridoras de seus deveres.  As meninas eram desobedientes e os meninos, super-homens, na visão dela. Quando na verdade, todas as mulher, minha irmãs e inclusive eu, são, de fato, arrimos de seus lares. inclusive eu. E os homens, meus irmãos, completamente dependentes de suas esposas. Tal como o desenho do casamento de meus pais. Minha mãe era a soberana e o meu pai a seguia. 

Mas embora minha mãe falasse do grande amor que sentia pelos filhos, nunca foi capaz de nos elogiar, especialmente as mulheres ou reconhecer as nossas melhores habilidades. Eu, verdadeiramente sentia sugada por ela.

 

Sentimento mesquinho da culpa

Eu sempre culpei meu pai por não demonstrar sentimentos por nós e não se impor. A vontade da minha mãe sempre prevaleceu.  Queria uma mãe mais doce e carinhosa e um pai mais forte, como todo homem deveria ser.

Tanto eu quanto meus irmãos sempre culpamos nossos pais pela falta de liberdade, vivemos a vida toda sob a ordens de minha mãe. Trabalhávamos pela família e nenhum de nós, fomos incentivados a estudar e cuidar de nossa profissão. Sobreviver era o suficiente.

Apesar de tudo isso, eu tinha uma grande admiração pelo comportamento deles como marido e mulher, pois eles jamais discutiram seus problemas conjugais ou qualquer outra situação na nossa presença. Meus pais nunca discutirão na nossa frente, nunca os vimos discutir. Havia um num sei de cumplicidade velada entre eles. Era como um código secreto que só eles entendiam e, jamais permitiram que fizéssemos parte desse pacto entre eles. Isso é uma grande lição para todos nós, e acredito que foi isso que nos motivou a viver em harmonia entre irmãos, ainda hoje, embora as diferenças e complexidades da vida de cada um, nos respeitamos muito.

Aprendi a ser grata a meus pais

Bodas de Ouro. Um ano antes do meu pai falecer

Meus pais já são falecidos, mas hoje, depois da constelação, aprendi a olhar para eles com os olhos de amor que eu sempre desejei ter. É libertador compreender que eles fizeram o melhor que sabiam e que puderam fazer. Deram o que aprenderam e o que deram conta de fazer.

Meu pai faleceu aos 66 anos, vítima de um câncer de estomâgo.

Minha mãe sempre teve baixa autoestima, sofria de depressão principalmente porque era doente desde criança, e devido a vida dura e sofrida também era muito ansiosa. A escassez vivida na vida toda, a fez tão econômica e tinha um medo terrível de dívidas e da fome. Morreu aos 94 anos, depois das complicações de um AVC.

Minha mãe adoeceu na minha gravidez

Sou a nona filha do casal e, quando minha mãe engravidou de mim, ela engasgou com um pedaço de carne e, pela falta de recursos da época ficou muitos dias até ser socorrida. Nasci debilitada, desnutrida e com muitos problemas de saúde. Tal qual minha mãe, fui curada através de benzimentos e simpatias porque na ocasião não havia muitos recursos médicos onde morávamos e meus pais tinham menos recursos ainda.

Meus pais tiveram uma infância muito sofrida e pobre e, ainda crianças se casaram e assumiram com responsabilidade os 11 filhos gerados.  Cresceram na extrema pobreza, minha mãe teve uma educação bastante rígida dos pais deles (meus avós). Meus pais eram analfabetos e minha chorava a falta de oportunidade de aprender a escrever, pelo menos seu nome, como ela dizia. O que saberiam eles nos dar diferente disso?

Foi através da Constelação que entendi o pacto de amor entre eu e minha mãe. Entendi a luta para que pudesse ganhar a vida e compreendi a minha luta para honrar o seu nome, quando vivenciei todas as suas dores.

Sentimentos e emoções na Constelação

Com a Constelação e olhando para a trajetória deles, foram muitos os sentimentos que brotaram com relação a eles, mas também com relação a mim mesma. Esses sentimentos me fizeram compreender a difícil missão que meus pais receberam em suas mãos, sem qualquer apoio ou proteção.

Olhar para os meus pais com mais benevolência tirou um grande peso de minhas costas. Embora, não estejam mais presentes fisicamente, nunca os senti tão próximos. Entendo que não preciso concordar em tudo com os valores e crenças de meus pais, especialmente às da minha mãe, tão duras e rígidas, mas sim respeitá-los por me ter me dado o maior presente que poderia receber deles, que é a minha própria vida e por terem se esforçado e feito o que foi possível ser feito.

Aceitei meus pais, exatamente como são

Como não amá-los? É muita gente que recebeu o dom da vida, através deles. Muita gente ainda chegou depois dessa foto.

  • Gratidão: Por toda dedicação que devotaram à sua família. Hoje compreendo a luta dos dois, para nos manter alimentados, vivos e com saúde. Fizeram do jeito que puderam e, fizeram bem.
  • Perdão: Perdoar e me livrar de tantas sentimentos mesquinhos como ódio, culpa, rejeição, me fez enxergar os gigantes que foram meus pais.

“Eu te compreendo e te recebo, quero que você também me dê o seu perdão”. Assim aprendi a dedicar o meu amor aos meus pais. Ditá-las foi muito mais que repetir palavras. Foi como um antídoto que limpou as nossas feridas e curou nossas dores. As minhas e as deles.

Me redescobri

Entenderam de onde veio minha minha paixão pela Terapia Holística? Especificamente pela Constelação Familiar? Esse sentimento de amor que ainda não conhecia tão profundamente me fez redescobrir por mim mesma e, me apaixonar pela minha história. E, foi essa paixão que me fez iniciar uma nova profissão aos 57 anos, ter a coragem de me afastar de um emprego estável e altamente remunerado, mas que já não me agregava nada, a ser o valor monetário, em busca de um novo propósito de vida.

Se bem que não acredito que seja um novo propósito, pois hoje percebo que ele sempre esteve presente em mim, talvez adormecido, mas sempre lá no meu íntimo, apenas tive a coragem de me encontrar com ele.

Quer saber mais sobre a Constelação Familiar, fale comigo!

Veja também: https://laircecardoso.com.br/meditacao/constelacao-familiar-x-pais-e-filhos/

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Sobre o Autor: Lairce Cardoso
Lairce Cardoso

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Nasci no berço da família Cardoso, na cidade de Paranapuã, no interior de SP no dia 15 de Julho de 1.963. Sou a nona filha do Senhor Libério e da Dona Lindaura.

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