Blog Lairce Cardoso

Lairce Cardoso

SÍNDROME DO PRIMEIRO CAFÉ

12 de junho

O Alcir é o meu amor. O conheci numa fase de muita desilusão da minha vida. Estava muito cansada dos fracassos amorosos e tinha decidido dar um tempo nas questões do amor.

Certo domingo fui com a minha inseparável amiga Bel a barzinho chamado Frutas que fica quase na entrada da cidade de Valinhos. E depois de muita dança e cerveja avistei aquele morenaço, rodeado de mulheres, é claro.

Ficamos só de paquera e fui embora sem trocar uma palavra com ele. Depois de certo tempo voltei no mesmo barzinho e lá estava ele, rodeado de mulheres.

 – Lairce pára de olhar para este cara. Está escrito na testa dele que é casado? (A Bel quase me puxou pelas orelhas para fora do barzinho)

Não dei ouvidos a ela e neste dia trocamos algumas palavras, muitos beijos e ele me deu o seu número de telefone anotado em um guardanapo. Ele tinha aquele celular tipo tijolão. Era o modelo da época. E fomos embora sem nenhum combinado e não nos encontramos mais.

Passado um bom tempo, fazendo faxina nas minhas coisas achei o seu número do telefone e já que eu não estava fazendo nada resolvei dar uma ligadinha:

 – Ah! Não custa nada vamos ver o que acontece. E ele se lembrou de mim. Marcamos nosso primeiro encontro.

O rapaz era difícil tinha uma agenda que dava inveja. Era tão popular quanto o nosso filho hoje é. Mas aos poucos foi sucumbido aos meus encantos e aqui estamos hoje, 17 anos de casado.

Como todo casal, temos nossas dificuldades, muitos menores hoje que ontem. Juntos construímos muitas coisas, mas especialmente a nossa estrutura familiar. Muitas histórias já vivemos juntos, umas mais tristes, outras mais solenes mais uma em especial adoro relembrar.

Naquela manhã ensolarada do dia primeiro de maio, estávamos completamente felizes e apaixonados. Nosso primeiro dia de casados. Depois da correria por causa da cerimônia (civil, até hoje estamos nos planos de casar na igreja), como só iríamos viajar dois dias após o evento, resolvemos ficar quietinhos no nosso canto, não estávamos a fim de muita conversa, com os outros.

O nosso apartamento era pequeno, mas muito aconchegante e elegante. No primeiro dia de nossa moradia oficial só tínhamos, além dos móveis, os presentes para desembrulhar e absolutamente nada de alimentos.

Ops! Esquecemo-nos disso…

Estávamos morrendo de fome, mas em pleno feriadão, a preguiça era tanta que sequer cogitamos sair de casa para comer algo. Além do mais, paixão tira até a fome.

 – Bom, vamos curtir os presentes, resolvemos.

 Quando abrimos um dos pacotes, deparamos com uma cafeteira, um desses aparelhos que precisa de coador do tipo papel para coar o café, que se usava na época e, na velocidade da luz tive uma brilhante ideia, não podia perder aquela oportunidade divina como aquela.

 – Vamos preparar o nosso primeiro café da manhã, sugeri.

Ele logo topou e resolveu sair para comprar alguns quitutes e claro, as coisas para preparar o café.

Detalhe: naquela ocasião, não tínhamos carro e o nosso apartamento ficava no último andar de um prédio de quatro andares sem elevador. Então, além de toda escadaria ainda teria que ir a pé até a padaria que ficava a duas quadras do edifício. Mas estava tudo certo, afinal, o amor é lindo.

Logo ele chegou de volta, ainda assobiando, trazendo pães, manteiga e outros quitutes. Mas e o café? Pois é, ele não trouxe absolutamente nada para preparar o café. Não trouxe nem um suco para ajudar.

 – Ah, não faz mal! Só vamos comer essas delicias, falei meigamente (conseguem imaginar).

 – Não, de jeito nenhum! Eu também quero café. Volto rapidinho para buscar, disse. E lá foi ele.

De volta ao apartamento, todo ofegante, pois além de ter subido os quatro andares, me confidenciou:

– Você não acredita! Eu já estava quase chegando de volta ao prédio quando resolvi dar uma olhadinha na sacola, só para certificar que não estava faltando mais nada e adivinha: Cadê o açúcar? Voltei à padaria e o Senhor Moura (a esta altura ele já sabia o nome do dono da padaria) havia guardado, pois eu tinha esquecido em cima do balcão. 

E eu quase tive uma síncope de tanto rir quando abri o pacote:

Mor, cadê o coador? Ah! querido, deixa pra lá! Vamos fazer este café outra hora.

E acreditem se quiser, eu ainda estava falando mansinho. O que não faz o amor? A expressão dele, quando me olhou, deveria ter sido fotografada, pois com certeza, ilustraria a história aos nossos filhos. Porém, está registrada para sempre em minha mente.

Enfurecido, ele respondeu:

 – Não, agora é questão de honra. Vou lá buscar este coador, porque vou tomar este café custe o que custar!

Então, apaixonada e muito humorada, coisas do amor, resolvi dar meu apoio moral a ele:

– Isso mesmo!  Vou lá com você. No fundo, estava morrendo de pena, pois pior que a vergonha era fazer todo o percurso a pé. O coitado já estava exausto. 

No caminho resolvemos inventar uma história para justificar as idas e vindas ao estabelecimento, caso fossemos questionados. Quando entramos na padaria, o Senhor Moura olhou-nos com ares de poucos amigos tentando entender o que estava acontecendo.

Explicações dadas (nós contamos a verdade) ele desatou a rir e ria tanto que mal podia nos atender, depois confessou-nos que já ficando assustado porque estava imaginado que era uma nova forma de abordagem de ladrões e que já tinha sido assaltado três vezes naquele mês.

Presenteou-nos com um bolo e nós viramos seus fregueses. Por muito tempo essa história foi motivo de risos nas rodas de conversas dos amigos e familiares e depois de muitos anos de casamento ainda lembramo-nos do ocorrido e nos divertimos muito ao recordá-la.

Mas desde o nosso delicioso primeiro café da manhã, aprendi uma lição sobre meu marido: ele jamais deve sair de casa sem uma lista de compras, caso contrário voltará ao estabelecimento para buscar algo que esqueceu ou ligará da rua para perguntar:

 – Mor o que mesmo eu tinha que comprar? 

Não sei, mas será que é síndrome do primeiro café?

Quer me conhecer melhor? Assista ao vídeo “Quem sou eu” https://www.laircecardoso.com.br/quem-sou-eu

http://@lairce_cardoso_ofc

Sobre o Autor: Lairce Cardoso
Lairce Cardoso

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Nasci no berço da família Cardoso, na cidade de Paranapuã, no interior de SP no dia 15 de Julho de 1.963. Sou a nona filha do Senhor Libério e da Dona Lindaura.

Comentários (1)

Léo alvarenga Responder

????kkkkkkk vc falando mansinho depois de tantas idas e vindas a padaria?o q o amor não faz? kkkkkk q Deus abençoe a família linda q vcs são ?

13 de junho de 2020 at 21:10

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