Blog Lairce Cardoso

Lairce Cardoso

MEU FILHO: A DOR DOÍDA DA SAUDADE

11 de maio

Eu sou a Elizabeth, nasci no dia 08 de Agosto de 1968, na cidade de Jales no Estado de São Paulo. Sou casada há 29 anos com o Luiz Antônio, tenho três filhos, o Luiz Fernando, meu filho mais velho, que há três anos foi morar com Deus deixando a vida terrena para uma vida nova, a vida eterna que é onde todos nós nos reencontramos um dia.

O Victor Leandro, que já construiu seu lar ao lado da Yasmin e me presenteou com o meu lindo neto, o Lucca.

A Lohana Rosa, minha princesa, minha companheira, minha parceira para as fotos, passeio no shopping, pro cinema e para tudo o que vier, pois guardando as devidas diferenças, até de idades, somos muito parecidas e temos muito em comum. Vivemos muitos momentos juntas, mas aprendemos a respeitar a individualidade de cada uma.

O que é ser mãe? Às vezes é tão fácil falar e tão difícil de entender que eu realmente não sei dizer o que é ser mãe. Sei a experiência do que vivo como mãe.

Sou uma mãe superprotetora e gosto mesmo de cuidar e de proteger, amo compartilhar os momentos como mãe amiga e companheira ao lado dos meus filhos. Eu gosto de viver intensamente cada oportunidade com eles, passeamos de mãos dadas na praia, no cinema, no shopping. Comemos pipoca e fazemos bagunça em casa curtindo filmes. Sou do tipo, exagerado de mãe, que levanta à noite para ver se todos estão cobertos e estão descansando em paz. Isso não é pesaroso é prazeroso.

E daí meus filhos sempre aliaram-se com o pai que é muito brincalhão, muito palhaço e por isso na minha casa tudo sempre vira festa, mesmo com as coisas mais simples e corriqueiras do dia a dia.

Fizemos e ainda faço muitos planos e projetos juntos com meus filhos.  

Muitos acontecimentos marcaram minha vida até hoje, alguns muito bons e outros não tão bons. Sem dúvidas, um dos melhores momentos foi quando conheci meu esposo e primeiro nos tornamos amigos. Ele era uma pessoa muito solitária e eu tinha minha família. Através de uma viagem, começamos a descobrir um sentimento mais forte um pelo outro, daí namoramos, noivamos e casamos.

Depois o nascimento dos meus filhos, os aniversários, principalmente os de primeiro ano, as primeiras palavras, as primeiras gracinhas, os primeiros momentos de escola, o primeiro trabalho. Meus filhos sempre foram muito bem humorados, então a alegria sempre reinou na minha casa.

Sempre foram muito grandiosos os momentos de partilha em família no café da manhã, no almoço, no jantar e nos momentos de oração. As confraternizações, os aniversário, as conquista, dos passeios, sempre planejamos ou sonhamos juntos. Momentos especiais quando pude satisfazer um desejo dos meus filhos, ainda que muito simples e tolo, mas muito especial. Preparar comida juntos, preparar uma surpresa, ir à igreja juntos e momentos de nos reunir para falar do grande amor de Deus.

Nossa mãe! Quantas coisas boas aconteceram, por isso tenho tantas boas lembranças!

Claro, que tiveram altos e baixos, mas hoje depois de muito aprendizado, diria que tudo que não foi bom me serviu como exemplo, eu apenas imagino que em algumas situações, como algumas palavras ditas sem pensar, se fosse possível eu apagaria ou mudaria, apenas a forma como foi dita ou pronunciada, porque muitas vezes foram necessárias. Muitas coisas, se eu pudesse eu colocaria um pouco mais de amor na sua execução. Mas nada que me traumatize. Foram aprendizados.

A vida é uma lição, o ser humano se precipita muito e até se afasta dos outros por conta de julgamentos prévios, por causa de achômetros, por pensar assim ou assado, mas nada melhor que o tempo para colocar tudo no seu devido lugar. Aprender com os erros faz parte da natureza humana. Devemos aprender a rezar por todas as pessoas, independente de quem seja e deixar que o tempo se encarregue de colocar tudo nos devidos lugares.

Agora, embora eu aceite a vontade do Pai, pois acredito que ele é dono de tudo, inclusive da nossa vida e, embora eu acredite no Seu amor infinito, se Ele me desse a permissão para mudar um fato ou acontecimento da minha vida, eu mudaria o meu comportamento frente ao meu filho, no dia do seu acidente. Se eu pudesse eu mudaria a história para ter meu filho comigo novamente, ainda que fosse por um tempinho mais.

Porque eu aceito a sua vontade de Deus, entender é impossível, então nem tento, mas aceito porque são mistérios divinos, mas ainda assim, hoje a dor mais doída da minha vida, foi a partida do meu filho Luiz Fernando do plano terrestre para viver ao lado do Pai. Não gosto de falar em morte. Eu sempre digo que ele nasceu para uma vida nova ou descansou nos braços do Senhor.

Tenho uma história muito forte com esse filho desde a sua gestação. A minha primeira gravidez, por falta de experiência, quando descobri já estava com algumas complicações então, infelizmente, não teve êxito. Foi muito difícil, muito dolorido e muito triste, mas com o apoio da família eu me superei.

Pouco tempo depois, tive a benção de engravidar do Luiz Fernando. Que alegria quando descobri que estava grávida! Que alegria ao saber que dentro de mim estava sendo gerado o meu anjo! Mas foi uma gravidez de muitos cuidados, fiquei toda a gestão de repouso absoluto, sem sair da cama pra nada. Minha mãe, que hoje também já está na morada eterna, cuidou e me ajudou muito. Tive que fazer uma dieta rigorosa e apenas me alimentava de coisas leves, porque eu não poderia ter ganho de peso, pois poderia colocar em risco a vida o bebê. Então dos desejos de comer coisas que toda grávida tem, ficou apenas no desejo, nada eu podia.

Foi difícil confesso, parece que o relógio do tempo parou naqueles nove meses de gestação, mas eu faria tudo de novo, de novo e de novo e quantas vezes fossem preciso, faria de novo. Tudo por esse meu filho que eu amarei pela eternidade.

Não dá para descrever a felicidade na chegada dele em nosso lar.

Por isso, se eu pudesse, naquele dia quando ele me perguntou se eu ficaria triste por ele ir se encontrar com os amigos, eu diria que sim. Teria dito para ele não ir. Para ele não ir de moto. Eu não teria saído de casa e não teria permitido que ele saísse com os amigos. Ou teria exigido que os amigos não o deixasse sozinho. Ou estaria no lugar do acidente para socorrê-lo. Às vezes fico a pensar, ele era um filho muito amoroso e muito obediente, então por certo, teria me ouvido.  

Então se eu tivesse pedido… Não sei, são mil alternativas. 

Não tenho capacidade para entender além da vida ou após essa vida, embora eu acredite na vida eterna e acredite que por aqui estamos apenas passagem. Penso que caminhamos numa fila e independente de ser o primeiro, o do meio ou o último desta fila, todos nós caminhamos para o mesmo rumo. Não temos como sair desta fila, tampouco como mudar nosso lugar. Por mais que ouse compreender, eu não tenho tanto conhecimento, eu apenas imagino que assim seja.

Porém, se eu pudesse eu mudaria a história e traria meu filho de volta, queria vivenciar mais um pouco de sua doçura, queria ver ele realizar os sonhos de construir sua família, terminar a faculdade de Engenharia Civil. Tantos sonhos que ele tinha com a gente, com os pais, os irmãos e com a família que não deu tempo de construir. Ainda tínhamos muitas coisas a vivenciar juntos.

E toda a experiência que não pude viver aqui com ele, eu vivo na minha imaginação. Vivo nas lembranças de tudo que vivi ao seu lado porque é isso que me traz paz.

É uma marca dolorosa que ficou, não digo triste porque deixo que Deus tome conta da minha mente, do meu corpo e da minha alma. As lembranças em forma de saudade, às vezes provoca dor, mas me apego em todos os momentos maravilhosos muito bem vividos, intensamente ao seu lado para amenizar a dor do difícil sentimento de perder um filho no auge da juventude.

Sei que eu o amei mais que minha própria vida, sei o quanto eu ainda o amo, e ainda é mais que minha própria vida e seu o quanto fui amada e quanto ainda sou amada por ele. 

Aprendi com os meus pais e ensinei, também aos meus filhos a dizer o quanto somos importantes uns para os outros. Aprendemos a dizer que nos amamos, então não economizamos quando dizemos “eu te amo”. Aliás dizemos e vivemos esse amor incondicional, entre nós, todos os dias.

O amor é a coisa mais importante da vida. O verdadeiro amor está muito bem dito em Corintos “O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

É isso que tento aprender na minha trajetória de vida , que quando aprendemos a amar verdadeiramente tudo é superado, até a dor mais doída.

Dizer eu te amo e viver esse amor descomplicado, simples como ele deve ser, é uma das coisas mais fáceis, não custa nada e é a coisa mais importante que deveríamos cultivar em todos os instantes de nosso viver.

Nunca deixe de dizer quanto as pessoas são importantes pra você. Nunca deixe de ser importante na vida das pessoas. Não se arrependa de não ter tido tempo.

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Quer me conhecer melhor? Assista ao vídeo “Quem sou eu” https://www.laircecardoso.com.br/quem-sou-eu

Sobre o Autor: Lairce Cardoso
Lairce Cardoso

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Nasci no berço da família Cardoso, na cidade de Paranapuã, no interior de SP no dia 15 de Julho de 1.963. Sou a nona filha do Senhor Libério e da Dona Lindaura.

Comentários (1)

Monica Gomes de Souza Responder

Que lindo Lairce, conheço a Bete desde que eu era criança, a história de vida e de garra dela é muito forte.

17 de maio de 2020 at 23:34

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