Blog Lairce Cardoso

Lairce Cardoso

ELEGÂNCIA É UMA QUESTÃO DE ESTILO

8 de agosto

O Joãozinho do Dic II é uma figura. Sempre muito elegante adora contar umas histórias muito engraçadas, recitar poesias e é Petista roxo. Argumento não lhe falta para defender suas ideias e quando o negócio aperta, aí meu amigo, ele adverte o caboclo conforme a lei de número tal, artigo tal. Conclusão, arrasa o sujeito, antes que ele crie asas e não tem pra ninguém.

Tenho por ele muito respeito. Marido da minha saudosa e querida irmã Lora, é meu padrinho de batismo, conforme nossos costumes cristãos. E coragem, não se pode negar que o homem tem de sobra.

 – Você veja bem filha – contou-me ele, quando o entrevistei para essa história: por duas vezes na defesa dos meus, Deus me livrou de uma tragédia maior. Uma vez quando eu morava em Jales, as minhas irmãs queriam ir ao circo. Nunca gostei de circo, mas como meu pai não as deixava irem sozinhas, fui acompanhá-las, a contragosto. E para piorar a situação, além das minhas irmãos foram juntas umas amigas delas. Chegando lá, fui comprar os ingressos, os nossos eram na geral, mas das amigas eram nas arquibancadas. Dei o dinheiro na bilheteria e expliquei o que queria. O atendente me deu os ingressos todos iguais e eu estava discutindo com o rapaz que dizia que eu tinha dado o dinheiro o suficiente para comprar aqueles bilhetes.

Nesta confusão se aproximaram dois policiais e, naquela época, a gente tinha que baixar a cabeça pra eles. Policial era temido. Naquele tempo eles matavam sem muita conversa. Ainda assim, como estava fulo da vida retruquei com os dois porque nem me deixaram explicar e os chamei para resolver no braço, se eles fossem homens. Olha só o perigo!

– Atrás do circo, tinha a praça da igreja, e lá ficou apinhado de gente para assistir a confusão. Acho que por causa daquele tanto de gente e pela ação de Deus, não fui morto aquele dia. Vendo que seria uma confusão danada, eles foram embora e o bate boca, terminou por ali.

 – Outra vez quando morava no Jardim Londres, já aqui em Campinas, ao chegar do serviço deparei com o Paulinho, meu filho mais velho, chorando porque uns bandidos da vila tinham tomado seus trocadinhos e ainda por cima tinham batido nele. Aquilo me deixou louco a gente sabia que onde morávamos na ocasião era um lugar muito perigoso, mas aceitar que roubasse uns trocadinhos das crianças era demais pra mim. Nem pensei catei o Paulo pela mão e saí atrás dos bandidos.

– Alguns me aconselhavam pra deixar aquilo pra lá, mas eu tava cego de raiva. Até que apareceram uns caras e disseram que podia encontrar o tal no Bar do Noé. Parti pra lá. Lá foi juntando uns sujeitos mal apessoados e foram empurrando eu e o Paulo pra dentro do bar e foram nos rodeando, só então pude perceber que era uma armadilha. Eu não tinha nem um canivete pra me defender. Foi nessa hora, que provavelmente por inspiração divina, enfiei a mão no bolso e gritei que podia até morrer, mas ia acabar com muita gente.

O dono do bar foi acabando com a confusão, os caras foram se afastando e eu catei o Paulo e saímos voando daquele lugar. No outro dia quando passava na rua eles diziam – Olha lá o homem valente – Se era deboche não sei, só sei que nunca mais mexeram com meus filhos.

– A gente faz loucuras pra defender quem a gente ama. Não me arrependo de ter saído no braço pra defender os meus. Hoje tenho mais cautela, mas não me calo, se precisar defender quem amo, esteja certa que o farei.

 – Tenho muita saudade da igreja de Jales, foi ali que me senti abraçado por Deus quando pequeno. Meu pai bebia muito e batia na minha mãe. Era tão ignorante que um dia, eu e meu irmão José, fomos a uma festa de natal na igreja e lá meu irmão passou mal. Mas os amigos do meu pai contaram a ele que nós tínhamos bebido e ele nos bateu muito, sem ao menos nos perguntar o que havia acontecido. Mas Deus me abraçou nas minhas orações e nunca permitiu que eu bebesse e se pudesse eu jamais permitiria que alguém bebesse.

 – Mudei para Campinas porque não tive outra saída. Em Jales e nas redondezas tinham acabado todo o serviço, eu já devia a um comerciante a importância de R$ 60,00, que na época era muito dinheiro, estava comendo mal e ainda por cima estava com problemas nas vistas por causa do veneno que a gente carregava, nos serviços da lavoura, que era o único que ainda restava. O Pai do meu compadre José (cunhado dele) – o seu Pedro – tinha vindo pra Campinas e disse que podia nos ajudar a vir pra cá. Emprestou R$ 100,00 pra gente se organizar.

– Vim primeiro na frente, sem mudança sem nada, arrumei uma casinha na favela da Vila Bela e voltei pra buscar a minha família. Mudei pra Campinas sem praticamente nada e cinco filhos pequenos pra criar. O Pirolla, nosso cunhado, me arrumou um emprego na Mojiana como carregador de caminhão de carvão. Mas era uma vida muito difícil.

– Mudei por uma questão de honra, porque já não tinha onde trabalhar e ainda por cima tinha sido enganado por espertalhões que abusam da boa vontade de gente simples, mas esta mudança salvou a minha vida. Aos poucos fui me ajeitando com meus filhos. No feriado e aos domingos saia com um carrinho de sorvete para complementar a renda da família. Paguei todas as minhas dívidas, inclusive os R$ 60,00 do comerciante e os R$ 100,00 de empréstimo para a mudança.

 – Sofri muito, mas venci. Hoje meus filhos estão criados. Deus me tirou do abismo, porque lá não tinha como criar meus filhos. Ele me proveu de forças e muita saúde pra criar meus filhos. Hoje eles vivem alguns problemas que não gostaria de vê-los passar, mas acredito na vontade divina para que as tormentas se acalmem. 

 – Sou muito amado pelos meus filhos e meus parentes. Hoje estou com 87 anos e se estou vivo, com saúde e conservo sempre minha alegria. E isso é porque Deus acreditou no meu merecimento e eu agradeço todos os dias por isso.

Já faz cinco anos que escrevi Esta história está no livro de minha autoria: Coisas de Minha família e muita coisa já aconteceu na vida desse corajoso homem. Muitas superações, alegrias e dificuldades como na vida de todo pai, avó, bisavô, mas uma coisa é certa, ele continua sendo muito elegante e a veia do bom humor também permanece intacta (Lairce Cardoso)

Dúvida? Então dá uma olhadinha no vídeo de agradecimento no seu último aniversário. Morro de orgulho!

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Sobre o Autor: Lairce Cardoso
Lairce Cardoso

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Nasci no berço da família Cardoso, na cidade de Paranapuã, no interior de SP no dia 15 de Julho de 1.963. Sou a nona filha do Senhor Libério e da Dona Lindaura.

Comentários (1)

Jaqueline Marretto Responder

É muito orgulho muita honra ser neta desse homem,
Meu herói meu tudo , ele é minha grande inspiração pra lutar por tudo amo muito muito muito

8 de agosto de 2020 at 20:15

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