Blog Lairce Cardoso

Lairce Cardoso

O QUE VOCÊ QUERIA SER QUANDO CRIANÇA?

15 de junho

O que eu queria ser quando criança? Muitas coisas. Algumas eu fui, outras ficaram esquecidas no fundo do meu interior que, por surpresa da vida, renasceram na vida adulta.

Mas eu mais queria mesmo era ser ser aeromoça, porque no meu mundo de imaginação (e como eu tinha imaginação) sonhava em conhecer outros planetas além de outros mundos. Achava que a bordo de um avião, isso era bem possível. Além disso, pra mim, não existia nenhuma mulher mais chique e poderosa que uma aeromoça.

A crianças e adolescentes, vivem com essa indagação a rondar suas mentes , como se tivessem condições de definir o destino de uma vida, quando sequer sabem definir as escolhas do momento presente. Especialmente o momento presente que vivemos. O pior é a cara de descontentamento que tem que enfrentar dos adultos, depois que respondem o que, pelo menos, naquele momento é o que gostariam. Que pergunta mais complicada e difícil de responder!

Ainda mais quando, na ânsia de promover uma definição assertiva , muitos pais enchem seus pimpolhos de atividades a fim de despertar o interesse, nesta ou naquela profissão. Como se a vida fosse imutável. Pobres pais, creem que isso garantirá um futuro promissor. Então, dá-lhe escolinhas de esporte, natação, futebol, de instrumentos musicais, de religião ou reforços de ensino.

Na vida há tempo para tudo

Alguns pais, mais que incentivar, até promovem vivências (me incluo entre eles) em jogos esportivos, concertos, festivais, shows de música, cursos de modelos. Parei de transformar a vida do meu filho numa maratona de ocupação, quando comecei a perguntar se, afinal, estava a ajudando numa escolha profissional ou num hobby ou estilo de vida.

Contudo, muitos desejosos de, logo bem cedo, definir o que os filhos serão quando crescer, organiza uma demanda de afazeres. No fim as crianças são tudo, menos o que realmente deveria ser: criança.

Uma coisa é certa (e isso descobri por experiência própria), com aptidão ou não, se tivermos chances, a vida dificilmente nos leva a fazer algo diferente do que estamos predestinados.  

E o que eu fui?

Pensando sobre isso, parei para responder uma pergunta inversa que tem vindo à minha mente constantemente: O que fui quando criança?

Fui muita coisa na minha vida profissional e quando achei que, era o ponto final, a vida me remeteu a ser o que eu fazia com excelência desde a minha infância: contar histórias. E interessante, nas minhas histórias eu sempre dava uma solução, um pitaco para as coisas mal resolvidas (pelo menos, na minha concepção). Será que é a isso que chamamos destino?

Eu nasci no ano que homem chegou a lua, talvez seja por isso que, na minha imaginação, acreditava que como aeromoça, poderia também me levaria à lua (achava que ia conseguir conhecer outros mundos, planetas, a bordo de um avião, do tipo Balão Mágico, ainda não conhecia foguetes e naves espaciais.)

Fui a nona filha de um casal de onze filhos e fui “belisquinho” do meu pai. Exímia nadadora dos rios e lagos que circundavam a nossa humilde casa. Fui exímia caçadora “na matinha” ao lado do meu irmão expert caçador (de estilingue). Maratonista (andava quilômetros a pé até chegar a escola). Também, fui o motivo da surra que o menino mais valente da escola levou (afinal no meu irmão ninguém batia).

Até Jesus fez parte da minha infância

Quando criança chorei no teatro da Semana Santa improvisado na carroceria de um caminhão. Era demais para mim entender porque o meu irmão Lino (foi Jesus), tinha que sofrer tanto se ele nem era Jesus. Chorei porque os outros dois irmãos eram do mal (eram soldados). E, eles não eram do mal. Era muito difícil, compreender o que estava acontecendo com os meus queridos irmãos.

Acreditava no papai-noel e deixava meu sapato na janela para o presente de natal (às vezes até feito pela minha mãe), mas era maravilhoso. Acreditava no coelho da páscoa e, era uma grande farra a caça ao tesouro atrás dos ovos(de galinha mesmo) na Semana Santa, escondidos no quintal da minha casa.

Foram muitas as coisas, que fui.

Antes que me esqueça, fui apaixonada pelo nosso cachorro “titio” e quase morri de tanto chorar e, juntamente com todos os meus irmãos, fiquei doente quando ele morreu.

Quando criança quis ser princesa, queria ser uma das paquitas do Xou da Xuxa, sonhava com o príncipe encantando que me salvaria da prisão na torre e achava que o He-Man e a She-Ra eram um casal. Fui boa, chorona (ainda sou) , mas também fui aquela que por milésimos de segundo não tascou um guarda-chuva na cabeça daquela menina da escola que insistia em copiar minhas matérias.

Queria ser escritora. Mesmo porque eu amava inventar e contar histórias para os amigos invisíveis, para as paredes, para os bichos de estimação, para mim mesmo.

Fui uma leitora interessada desde que aprendi a ler e compositora desde que aprendi a escrever.  Fui sendo isso, sendo aquilo, até chegar no que sou hoje, depois de complexas definições que a vida adulta nos obriga. Mas de todas as que cabem a mim, eis a minha preferida: sou uma nostálgica incorrigível, resultado de uma infância simples, cheia de muitas dificuldades, mas o pilar de minha essência.

E, você o que foi quando criança? Conta aí.

Ouça o PodCast/https://laircecardoso.com.br/cafe-com-a-lairce/cada-um-com-a-sua-manutencao/

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Sobre o Autor: Lairce Cardoso

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Nasci no berço da família Cardoso, na cidade de Paranapuã, no interior de SP no dia 15 de Julho de 1.963. Sou a nona filha do Senhor Libério e da Dona Lindaura.

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