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Lairce Cardoso

O QUE VOCÊ ESPERA NESTE NATAL?

24 de dezembro
Presépio-Natal-Notre-Dame-3 — BEM in Paris – Blog

Pra mim, o natal está associado a espera. Aprendi através da religião dos meus pais que o período que antecede ao natal é chamado de Advento e é um tempo de preparação e alegria, de expectativa, onde os fiéis, esperançosos pela comemoração do nascimento de Jesus Cristo se prepara para um novo ciclo. Na minha crença, Natal é tempo de Boa-Nova, isto é, de uma boa notícia.

Não apenas me lembro das manhãs dos natais de minha infância, assim como do mimo simbólico deixado por meus pais, no meu sapatinho, que eu punha de véspera na janela, na certeza de que o Menino Jesus nos visitaria. E nas manhãs dos natais, eu acreditava piamente que Jesus estivera ali e, especialmente eu, que vivia as minhas próprias histórias, sempre criava uma, especialmente para nós dois.

Eu nem sei , mas acho que naquela época nunca tinha ouvido falar em Papai Noel. É! Acho que ele não fez parte da minha infância. Ademais, não era o valor material que importava, mas a esperança que enchia minha casa, tão singela, de alegria e fé para a labuta de uma vida tão sofrida, essa, sim, era fenomenal.

Não tínhamos ceia de natal

Só o almoço que era um pouquinho melhor que o almoço dos outros dias. O cardápio era muito simples, mas simplesmente delicioso. Tinha gosto de família, que nem podia ser a melhor, mas era a minha família.

Os almoços natalinos eram embalados sempre pelo rádio. Não tínhamos TV. Não havia presentes de padrinhos. Só a ilustre visita da minha querida irmã e meus sobrinhos, tão esperada no ano inteiro. Aquele era nosso maior presente.(Quando fecho meus olhos, consigo até ouvir o barulho do motor do possante cinza do meu cunhado).

A oração na minha casa era essencial. A noite de Natal era momento de reflexão de agradecimento, em primeiro lugar pela colheita do ano que estava prestes a findar, em segundo lugar para pedir bençãos para o próximo ano que estava a caminho e, finalmente pela proteção de todos nós. Como tudo era diferente naquele tempo. Os shoppings centers não existiam! Mas nós sabíamos dar muito valor às pequenas lembranças que recebíamos de presente. Quando recebíamos!

E, não havia frustação, tampouco culpa, sabíamos sem precisar de muitas explicações que não fora possível. (Ganhei muita boneca de espiga de milho como presente de natal).

É! os tempos mudaram mesmo!

Hoje para a grande maioria, o Natal continua sendo tempo de espera, mas infelizmente por uma espera totalmente comercial. Muitos não tem tempo para pensar, por um segundo sequer, no verdadeiro significado do Natal, transformando-o num momento de troca de presentes meramente ritualista.

Parece que o mundo está vivendo um tempo sem esperança. Não se espera por nada nem por ninguém. E a loucura dos tempos espremidos e sem esperança, nos deixa sem percepção de que, muitas vezes, Jesus está depositando no nosso sapatinho, deixados à janela, tudo o que precisamos, mas a nossa cegueira nos impede de ver e o nosso egoísmo, de sentir. De tal sorte que estamos sempre à espera de alguma coisa.

As esperas de cada um

Quando crianças esperamos crescer, pelo Coelho da Páscoa e Papai Noel, ouvir histórias para dormir, pelas festas de aniversário e presentes, pelos finais de semana na casa dos avôs, férias escolares, passeios e brincadeiras com os amigos. Esperamos pelo amor incondicional dos pais, pela proteção, carinho, colo e, claro pelo beijo que tudo apazigua e tudo une.

Na juventude, esperamos ser diferentes, pelo amor, fazer faculdade, ter sucesso e ser independente. Esperamos por bons amigos que sejam companheiros, acumular milhões, não enlouquecer com o tempo que custa a passar. Ser rebelde, infringir regras, não ser julgado ou criticado e mudar o mundo para melhor.

Quando adulto, esperamos por um bom emprego que o relacionamento dure para sempre não ser enganado, um cantinho próprio, a promoção que merecemos, boa saúde, um bebê e formar uma família. Educar os filhos, que eles tenham sucesso, que tenham filhos e formem sua família.

Na maturidade, esperamos pelo auxílio e proteção divina, o sono chegar, compreender o natural afastamento dos filhos, que a aposentadoria baste para suprir as necessidades, ter cumprido a nossa missão, ser agraciado com o descanso merecido. A chegada dos netos, que nada se acabe, mas que tudo sempre recomece.

Ao longo da existência, esperamos que as dores da perda e da morte passem, receber um pedido de desculpas, um elogio, que a chuva comece e que a chuva pare, um reencontro, uma carta. O misterioso futuro que nos aguarda, superar as diferenças, ser feliz, viver intensamente e nunca ficar só.

Saber esperar é dádiva de poucos

Natal em família

E isso é coisa que só o tempo nos ensina e assim, todavia depois de muito sofrer, é provável que com um tantinho de sorte, aprendamos que todo o propósito de viver é preparado no silêncio das angustiantes esperas.  

Enfim, o que você espera neste natal? Se lá o que for, que ele seja, pra você e para cada um de nós, tempo de preparação por esperas mais frutíferas e tempo de esperas por milagres, pois creiam, eles existem.

Um feliz e abençoado Natal a todos! Que assim seja!

Veja também: https://laircecardoso.com.br/meditacao/anjos-da-guarda-zelosos-guardadores/

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Sobre o Autor: Lairce Cardoso
Lairce Cardoso

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Nasci no berço da família Cardoso, na cidade de Paranapuã, no interior de SP no dia 15 de Julho de 1.963. Sou a nona filha do Senhor Libério e da Dona Lindaura.

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