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Lairce Cardoso

O MURO DO TEMPO

18 de novembro

O muro do tempo é uma crônica escrita por Alline Bettanin que brilhantemente nos lembra da importância de levar a vida a sério, mas com a leveza que precisamos. Que não esqueçamos de ser crianças, isso é permitido independentemente da idade que tenhamos.

Por que motivo a educação é importante?

O divino processo de trabalhar em escola nos possibilita reviver as peraltices e sensações que já vivenciamos quando crianças, mas que por algum motivo não cabe mais repeti-las. Talvez por acreditarmos que já não faz mais parte do nosso momento.

O decurso do amadurecimento cria “armaduras” para que possamos resguardar de retornos negativos da vida . Então fica a interrogação: Será tão necessário assim velar estas emoções tão puras que desenvolvemos quando pequenos? Será necessário colocar no lugar tanta seriedade a ponto de privarmos da inocência que tornou nossa infância tão leve?

A beleza de reviver todos os acontecimentos de uma infância é incrível e é possibilitada a quem tem como ofício e como prazer conviver neste ambiente. Vejo a cada dia, ações e atitudes se repetirem e é possível perceber como é importante trabalhar a maturidade, mas acima de tudo, como é bom ser criança!

Barulho não é barulho

Junto aos alunos, a gente descobre que o barulho não é barulho. Às vezes nossos ouvidos estão tão habituados que a gente nem percebe que todos simplesmente falam ao mesmo tempo. Percebemos que o segredo é contado sem culpa; que erros acontecem e eles não se culpam como adultos. Que a fase é de descobertas, mas tem limites e que eles conhecem os limites.

Crianças fora da escola por decisão dos pais. - Notícias | Jornal O  Anhanguera

Descobrimos que para ser feliz não é preciso muito. Um almoço com colegas, comer pizza sentado no chão do colégio, dormir na casa de um amigo, ganhar uma olimpíada escolar, ser elogiado. Tudo isso proporciona tantos sorrisos capazes até de atrapalhar uma aula. As intervenções não são poucas, mas são entendidas, muitas vezes repetidas, nem sempre da mesma forma, nem sempre com a mesma pessoa. Faz parte do aprendizado entender que é necessário ser corrigido até que se entenda que este erro não precisa ser cometido novamente.

Percebemos que a intensidade das relações é grande, mas que modifica com o tempo. Que melhores amigos podem mudar seus vínculos de afinidade em dias, semanas ou meses e que pode haver choro, mas passa. Descobrimos que às vezes o conforto vem de ações mínimas; que a fase espera aprovações em tudo. Que a frustração muitas vezes é velada e precisa ser vista de alguma forma para não transbordar.

É possível observar que a inocência vai perdendo espaço e a razão ainda não sabe agir sozinha. Que um simples: ” Você é muito capaz” vindo de um educador, transforma uma vida e vidas envolvidas nesta vida.

O chá da enfermaria um santo remédio

Às vezes um chá da enfermaria resolve uma dor de cabeça, um corte na perna ou até mesmo uma briga com o colega. Que o choro é sentido e vem sem fazer força, por muitos motivos, grandes e pequenos. Pode até ser imperceptíveis aos nossos olhos ou até nem se sabe o porquê das lágrimas. Mas creiam , isso toma uma proporção imensa, abundante até que cessa e depois volta novamente. Logo após vem o sorriso e é sempre assim, porque não é preciso explicar reações, elas são vividas e pronto.

As notas baixas são sentidas sim, como um grande problema, em muitos casos. O maior problema vivido e se não fosse isso, o que seria? É preciso se deixar viver cada emoção na intensidade de cada fase. Deixar que o tempo guie para um amadurecimento pessoal e uma responsabilidade única sobre consequência dos atos, porque tudo vai passar. um dia vai parecer pequeno, mas no momento o sentimento é muito maior. E todos nós já passamos por isso.

O seu filho gosta da escola? » Espaço Pais & Alunos

Não criemos muro do tempo

Talvez o maior desafio em amadurecer é não deixar que o tempo que caminha com a idade, leve junto a leveza da infância. Que não leve a construção de um ser humano de bem, capaz de viver numa sociedade tão cheia de julgamentos sem julgar. Que saiba  conciliar a mente e o coração, contestando seus direitos, mas fazendo seus deveres. E ainda assim poder compartilhar de momentos simples de forma leve.

Que o tempo não esconda atrás de muros invisíveis a criança que ainda existe dentro de cada um de nós.

Veja também:https://laircecardoso.com.br/pedacos-da-vida/a-adolescencia-e-um-segundo-parto/

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Sobre o Autor: Lairce Cardoso
Lairce Cardoso

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Nasci no berço da família Cardoso, na cidade de Paranapuã, no interior de SP no dia 15 de Julho de 1.963. Sou a nona filha do Senhor Libério e da Dona Lindaura.

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