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Lairce Cardoso

MÃE PRECISO URGENTE DE UM BANHEIRO

13 de fevereiro

Mãe preciso urgente de um banheiro. Se ele tivesse me informado, provavelmente não teríamos ficado de cabelo em pé à sua procura.

O Juan tinha mais ou menos sete anos e o Raul era bebezinho de meses e naquele final de semana, eu, minha irmã e as crianças fomos a um casamento de uma amiga na cidade de Monte Mor.

A festa do casamento, após a cerimônia religiosa, aconteceu no ginásio Poli Esportivo da cidade e o lugar era muito espaçoso e estava lotado de convidados.

Devidamente acomodados, aproveitei que tudo estava tranqüilo para amamentar o Raul enquanto o Juan brincava com as outras crianças ali por perto. Mas logo o espaço ficou pequeno, a paciência começou a faltar e ele queria alçar vôos com as demais crianças, então dei graças a Deus quando minha irmã resolveu dar uma ajuda na organização da festa e o convidou para ir junto. O que foi prontamente aceito.

Passada aproximadamente meia hora, estranhei que ele ainda estivesse numa cozinha e resolvi averiguar. Chegando lá avistei um grupo de pessoas, todas muito entretidas na preparação dos quitutes, mas não avistei o meu filho. Já de cabelos em pé, sai a sua procura.

-Cadê o Juan? Perguntei a Rafaela

-Como? Ele não está com você? Ele ficou só um pouco comigo depois disse que iria voltar para a mesa.

-Não ele não voltou pra mesa. Meu coração já acelerou, aquilo não era sinal de boa coisa.

-Ah! Não se preocupe deve estar por aí brincando com a criançada. Vamos procurá-lo. Disse ela.

Saímos juntas para procurá-lo e embora o lugar fosse espaçoso, não era tão grande assim que impossibilitasse achá-lo em meio a multidão. Depois de procurá-lo pelos quatro cantos do salão, nos banheiros e demais dependências sem obter êxito resolvemos continuar a busca na parte de externa do ginásio.

Lá também não logramos êxito e com o coração aos pulos começamos a interrogar as para as pessoas:

-Vocês viram um menininho perdido por ali.

Foi nesse tumulto que uma menininha se aproximou de nós e perguntou:

-Vocês estão procurando um menino de blusa vermelha?

-Sim. Respondemos em coro.

-Eu o vi caminhando em direção da pista. Acho que ele foi embora.

Não consigo descrever a sensação que senti naquele momento, tal o medo que invadiu minha alma. Estávamos tão aflitas porque já era muito tarde da noite.

Num repente me lembrei que meu pai morava a alguns quilômetros dali, porém para chegar à sua casa a pé teria que atravessar a Rodovia SP 101 e eu duvidava que meu filho conseguisse fazer aquilo sozinho àquela hora da noite e ainda sem avisar ninguém.

Mas tudo era possível!

Um rapaz vendo nosso desespero ofereceu ajuda:

 -Calma gente, entra aí no carro e vamos procurar por ele.

Ele nem tinha terminado a frase e já estávamos dentro do carro e saímos a procura dele na escuridão da noite. Eu mal conseguia respirar de tanto medo. Fomos observando cada centímetro de chão, mas nada dele aparecer.

Chegamos à casa do meu pai e eu desci feito uma louca e já fui entrando porta adentro e meu coração quase parou de bater tamanho o susto que levei porque lá estava ele parado no meio da sala.

A minha madrasta estava com o telefone na mão tentando me ligar, sem conseguir entender como ele tinha chegado ate lá sozinho aquela hora da noite.

Aliviada abracei-o, mas estava tão nervosa que não conseguia concentrar no que estava acontecendo e todo mundo começou a falar ao mesmo tempo feito uns loucos. Quando acalmamos um pouco, perguntei a ele, ainda muito tensa com tudo que havia acontecido:

-Filho, porque você fez isso? Porque não pediu para ir embora se não queria mais ficar lá? Você sabe o perigo que correu?

E ele muito assustado com aquele alvoroço e com os olhinhos cheios de lágrimas me olhou e disse: –

-Mamãe eu só queria fazer coco. Eu não consegui fazer lá naqueles banheiros então eu vim na casa do vovô.

Veja também : RAUL OTÁVIO – O HOMEM ARANHA

https://www.laircecardoso.com.br/familia-cardoso/raul-otavio-o-homem-aranha/

Sobre o Autor: Lairce Cardoso
Lairce Cardoso

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Nasci no berço da família Cardoso, na cidade de Paranapuã, no interior de SP no dia 15 de Julho de 1.963. Sou a nona filha do Senhor Libério e da Dona Lindaura.

Comentários (1)

Cyntia Responder

????

17 de fevereiro de 2020 at 13:46

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