Blog Lairce Cardoso

Lairce Cardoso

UMA HISTÓRIA DE AMOR E CUMPLICIDADE

6 de abril

Conheça essa linda história de amor e cumplicidade. Tenho certeza, que se identificará em alguns momentos com ela!

Perdemos tempo com coisas tão pequenas e valorizamos demais algumas coisas tão sem importância. Passamos horas, dias, meses, anos e até uma vida inteira reclamando do que não se pode ter em vez de olhar o que se têm. Choramos pelo leite derramado e fechamos os olhos para as miudezas da vida, que é o que engrandece nossa vida. Muitas vezes deixamos que uma coisinha de nada nos atinja de tal maneira que nos tira do prumo. Deixamos de viver momentos importantes por estar cansado, estressado, não estar no clima ou porque as coisas não saíram exatamente como tinha planejado.

Isso é atraso de vida.

Deixo aqui uma história de um casal de amigos queridos, para que todos usem como exemplo. Que aprendamos com a história deles a não transformar um copo de água em tempestade.

A rosa vermelha

Rosa Vermelho Rose - Foto gratuita no Pixabay

Aquela tarde maravilhosa foi para matar a saudade da minha amiga  querida, que depois de pouco tempo de casada mudou-se para outro país, numa oportunidade incrível, merecidamente. Sentadas à mesa de um restaurante confidenciamos nossas ansiedades, dores e rimos com gosto ao relembrar os acontecimentos que nos envolveram durante anos. Já saindo do restaurante chamou minha atenção a roseira repleta de rosas no belíssimo jardim de entrada. Comentei sobre a beleza das flores e ela respondeu sorrindo:

 – Ai menina já ia me esquecendo. Preciso te contar a maior gafe da minha vida no meu primeiro aniversário de casamento. Tola de dar dó, quase perdi meu marido.

Iza e Jorge, meus amigos muito queridos, casaram-se cheios de expectativas por causa das oportunidades que estavam surgindo em suas vidas.

 – Você sabe depois que casamos surgiu a oportunidade de mudarmos de país para aprimorar nossos estudos. Foi uma experiência maravilhosa, mas foi muito difícil, porque estávamos num país estrangeiro, onde tudo era novo, e estávamos sozinhos para resolver tudo. Além disso, tínhamos as despesas de todo cerimonial do casamento, por isso não tínhamos dinheiro para nada.

Mudamos com a cara e a coragem. À princípio só o Jorge tinha um emprego, e eu estava desempregada, e fazia uns “bicos” para ajudar nas despesas. Nós morávamos numa casa simples, que tinha um quintal muito gracioso. Aliás, passava horas naquele lugar, me tranquilizava e eu amava cuidar das minhas plantas. Era meus momentos de lazer. Depois de um tempinho conseguimos comprar um carro, que mais dava problemas que nos ajudava.

– Devido aos novos projetos e aos compromissos da nova vida de casados, decidimos cortar alguns supérfluos e combinamos que, até alcançar nossos objetivos, não haveria troca de presentes, nem nas datas comemorativas como aniversários, dia dos namorados, natal, a fim de economizar.

Mulheres…

 – Mas como toda mulher ama complicar as coisas, no primeiro ano do aniversário de casamento, amanheci extremamente dengosa. Sentada no quintal de casa, já com cara de choro, pois ele nem me cumprimentou pelo nosso dia ao sair apressado para trabalhar, algo chamou minha atenção. Era a minha roseira, que tinha florescido e estava carregada de botões e, como um milagre ostentava, bem no topo da planta, uma rosa esplendorosamente vermelha.

Seu coração quase pulou pra fora do peito, contou-me ela, pois se lembrou de quando ele a pediu em namoro. Eram muito jovens e ele, tal qual um príncipe, roubou uma rosa de um jardim, para ofertá-la. A rosa foi mais valiosa que o anel de compromisso.

Sign in | Rosas de chá híbridas, Flores bonitas, Flores rosas

Então teve uma brilhante ideia. Resolveu fazer um jantarzinho surpresa, afinal era uma data muito especial e não iria gastar muito. A tentação de agradar, no entanto, foi aumentando a cada minuto, então resolveu gastar só um pouquinho, afinal tinha motivo para isso. Comprou um belo vinho, velas para o jantar, frutas frescas, algumas guloseimas e outras coisas para cardápio especial. Jogou fora a nota para não se preocupar mais com o assunto.

Ah! Afinal nós merecemos.

E, assim passou o dia pesquisando receitas e preparou o jantar com todo esmero, à luz de velas, caprichou nos detalhes. Enfeitou a mesa com flores do seu belo jardim, mas deixou, é claro a rosa vermelha, que era óbvio que ele colheria para ela quando chegasse a casa. Não tinha como ser diferente. Seria reviver aquele momento mágico que marcou a vida deles.

Arrumou-se toda e no fim do dia os aromas da casa se misturavam e tudo estava maravilhosamente perfumado e arrumado. Sentia-se especialmente feliz, mas estava cansada por causa de tantos preparativos. Sentou-se no quintal para descansar um pouco e aguardar seu amado, precisava vê-lo colhendo a sua rosa. E a firme obstinação de receber das mãos do marido, a rosa do seu jardim, passou a ter mais importância que o próprio jantar.

Cadê você? Ingrato.

 – E ele – contou ela – naquele dia demorou uma eternidade para chegar a nossa casa e como na época não tínhamos celulares tive que me contentar em esperá-lo. Depois de horas de espera a chama da paixão começou a apagar. Eu estava uma fera.  Como pode aquele ingrato poderia ter esquecido daquela data tão importante? E ainda por cima chegar atrasado ao nosso jantar de comemoração? Como se ele soubesse que estava acontecendo um.

Exausta, já tinha andado pela casa toda, cochilado no sofá, borrado a maquiagem quando o marido entrou pela porta da sala, com cara de espantado como se algo tivesse acontecido. Nem por um segundo ela imaginou que ele tinha levado o maior susto com a tal surpresa preparada.

 – O que era aquele monte de velas? Pensou o coitado.

 – O que será que ele está escondendo? Pensou fuzilando de raiva.  Nem deu chance para o pobre se recuperar ou explicar alguma coisa. E só depois de muito interrogatório, sem respostas, percebeu que ele estava com as mãos atrás das costas, como se estivesse escondendo alguma coisa.

 – Meu Deus! Valeu a pena esperar, ele colheu a rosa pra mim, que romântico! Deus perdoa-me pela estupidez. E eu toda derretida fui abraçá-lo, afinal seja lá o que tivesse acontecido ele tinha entendido a mensagem. Colheu a flor do jardim para mim. Estava perdoado.

Ao que o marido, todo sem graça e tentando explicar que a demora ocorreu porque teve que consertar o carro antigo e cheio de defeitos, que quebrava dia sim, outro também, mostrou-lhe as mãos todas sujas de graxa. A data, claro que esqueceu e a rosa, o pobre, nem enxergou no jardim.

Pra que tanta drama?

-Eu me senti tão triste por aquela falta de interesse para com o nosso casamento, que me tranquei no quarto e atirei na cama num pranto histérico feito as novelas mexicanas. Um dramalhão que dava nojo. O jantar foi todo pro lixo, gastei dinheiro, tempo e, quase perdi o marido. Só me dei conta que eu estava passando dos limites com o meu drama particular quando ele, sem dó nem piedade, disse que eu deveria crescer, deixar de me comportar como uma criança mimada e me comportar como adulta, porque ele estava fazendo isso sozinho por nós dois.

Na época doeu “pacas”, mas eu mereci.

 – Quantas bobagens nós cometemos na juventude! Não é mesmo amiga?  Hoje, depois de muitos anos de casada, sei que ele é meu companheiro ideal, e toda vez que lembramos do assunto rimos muito, mas naquela noite quase me acabei de tanto chorar por causa da insensibilidade daquele ingrato.

 – E, por causa da minha estupidez, perdemos a oportunidade de aproveitar um belo jantar, tomar um bom vinho e de namorar muito. Mas, no dia seguinte da “bronca”, tomei uma decisão, arranquei o pé de roseira do jardim (outra sandice), para não ter mais dúvidas e nunca mais deixar aos outros a tarefa de adivinhar os meus desejos e pensamentos.

Veja também: https://laircecardoso.com.br/pedacos-da-vida/e-se-a-sua-vida-fosse-um-filme/

Siga-me: http://@lairce_cardoso_ofc

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é cartao-blog-1024x577.jpg

Sobre o Autor: Lairce Cardoso
Lairce Cardoso

|

Nasci no berço da família Cardoso, na cidade de Paranapuã, no interior de SP no dia 15 de Julho de 1.963. Sou a nona filha do Senhor Libério e da Dona Lindaura.

Deixe uma mensagem

Qual o seu nome?
Preencha com um e-mail válido
O seu endereço de e-mail não será publicado
Digite uma mensagem :)