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Lairce Cardoso

PENSANDO NA MORTE DA BEZERRA

23 de março

Pensando na morte da bezerra é um dito popular usado para indicar que alguém está pensativo e distraído, alheado à realidade envolvente. Você deve saber disso, mas como explicar isso para uma criança de quatro anos?

O amor e a empatia das crianças são tesouros que devem ser preservados por  toda a vida

Criança é o “maior barato”. Lembro quando meu filho tinha uns quatro anos, num certo dia, ao repreendê-lo por causa do hábito de ouvir música num volume muito alto (continua até hoje), notei que ficou parado na porta da cozinha, olhando para o nada, completamente desligado, como se nada existisse ao seu redor.

Olhando-o tão pensativo, perguntei de repente: “O que foi, filho, está pensando na morte da bezerra?” A reação dele foi muito engraçada. Primeiro me olhou muito assustado e, em seguida desatou a fazer mil perguntas, num interrogatório sem fim. Queria saber o que tinha acontecido com a bezerra. Como assim, a bezerrinha morreu? Por que ninguém tinha ajudado a coitadinha?

A emenda saiu pior que o soneto, em outras palavras, se eu pudesse imaginar o desfecho dessa história, teria deixado ouvindo a música alta. Gastei um bocado de tempo para convencê-lo de que estava tudo bem com a bezerra. Como explicar um ditado tosco desses para uma criança? Haja imaginação!

AH! A DOCE INGENUIDADE

Mas, como é maravilhosa a ingenuidade. Sem qualquer constrangimento ou preocupação de como serão julgadas ou interpretadas, as crianças falam o que vem à cabeça e nos obrigam a refletir sobre a veracidade das nossas verdades.

Crianças são corajosas e extremamente espontâneas. Choram com medo de bichos, do escuro, de ficar sozinhos ou quando levam broncas. Penduram-se nos brinquedos do parque, sem proteção para as quedas. Elas correm até acabar o fôlego, rolam no chão sem medo de se sujar e atiram-se em nossos braços sem pensar como serão amparados. Para elas, não existem limites.

A criança corajosa que você foi: o que aconteceu com ela? – Sigo  Experienciando

Tão rapidamente aprendem coisas, que mais parecem mágicos. Aprendem a explorar, reconhecer e a desafiar as armadilhas do mundo, e a recompor-se com a mesma rapidez quando algo não dá certo.

Crianças não conhecem o negativo e jamais duvidam de sua capacidade. Tudo é possível no seu mundo de conto de fadas, bruxas, ingenuidade e espontaneidade.

Certo é que as crianças de hoje são muito mais desafiadoras, questionadoras, mas parecem ninjas. Cedo aprendem a argumentar com a mesma precisão de quem já viveu por anos.

NÓS TAMBÉM JÁ FOMOS CRIANÇAS.

Mas, sempre me questiono, quando e porque perdemos esse jeito incrível de ser? 

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À medida que vamos amadurecendo, para corresponder ao que esperam de nós, vamos acrescentando umas coisinhas aqui, outras lá. Ainda vamos aceitando isso ou aquilo, adaptando-nos para caber aqui ou acolá, mudando nossa forma de viver e de pensar.

A mudança de comportamento é mesmo inevitável, isso é fato, ainda que com isso fiquemos cada vez mais obedientes ao que esperam de nós. O problema é que, como resultado a essa obediência cega, aos poucos, vamos engolindo todos os rótulos: “homens não choram”, “as mulheres modernas têm que ser totalmente independentes”, “para ter sucesso é preciso ser lindo”. E, então nem percebemos que vamos deixando para trás muito de nossa espontaneidade e originalidade.

Seja como for, antes de mais nada, precisamos aprender a distinguir os anseios que brotam do nosso coração daqueles que são impostos como mais adequados, promissores ou vantajosos. Ao mesmo tempo, precisamos aprender a fazer valer o que realmente necessita-se para nos manter num estado de alegria, serenidade e paz.

COMO CONSEGUIR ISSO?

Não sei. Mas, por certo, a resposta está dentro de cada um de nós, já que não existem fórmulas mágicas. Dentro de cada um está os direcionamentos adequados para que ninguém se perca nos atalhos da vida. Para isso, é preciso aprender a ouvir a voz do seu interior.

É possível que, quando os adultos aprenderem a ensinar as crianças a preferir o natural ao artificial, independente se feio ou bonito, aprenderão também, a ensinar sobre importância de conservar o que se tem de mais puro: a espontaneidade e a alegria natural de quem ainda acredita nas estrelas.


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Sobre o Autor: Lairce Cardoso

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Nasci no berço da família Cardoso, na cidade de Paranapuã, no interior de SP no dia 15 de Julho de 1.963. Sou a nona filha do Senhor Libério e da Dona Lindaura.

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