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Lairce Cardoso

DEIXE O SEU CORAÇÃO SER SEU GUIA

27 de abril

Quer escutar a sua própria voz, então deixe o seu coração ser seu guia!

Vaso de Vidro Pendente Coração Para Flores - Decoração Suspensa

Meu pai tinha umas expressões muito engraçadas e, uma delas eu achava o máximo, quando questionado sobre sua idade, ele dizia que era da moda antiga, ou seja que ele era antigo; mas velho, velho mesmo era o diabo.

Devil, é a palavra inglesa para diabo, mas olha que curioso, se ela for lida de trás para frente, fica lived, que quer dizer vivido. Então meu pai tinha razão: o diabo é vivido, ou seja, o diabo é velho.

Mas, aproveitando um gancho da sabedoria do meu pai, ele usava essa expressão quando queria exemplificar que se ficássemos de bobeira esperando a poeira da boiada baixar, estaríamos perdendo tempo, que tínhamos que seguir juntos com a poeira da boiada (coisas de sertanejo).  

Quando criança, achava isso um absurdo, achava que ele queria apenas que a gente não ficasse à toa (embora tivéssemos pouco tempo para isso), mas hoje, especialmente no exercício de minha profissão, entendo que o que ele queria nos ensinar é que, aquilo que é vivido tem sabor de movimento e, aquilo que não é vivido tem sabor de ócio. A vida em movimento gera energia e torna-se a manifestação do Divino, a vida ociosa gera a indiferença e torna-se manifestação do diabo.

Agora na fase adulto entendo perfeitamente o que ele queria nos ensinar é que, só o que foi vivido se transforma em benevolência, o que não foi vivido torna-se veneno.

Vai adiando umas coisinhas aqui outras ali

Hoje, você adia umas coisinhas, porque fica esperando a poeira da boiada passar, depois adia outras, por causa disso e daquilo e, sem perceber deixou pra trás uma porção de coisas mal vividas. E, seja lá o que não tenha não tenha sido vivido, provavelmente, ao longo dos tempos, irá se cristalizando como fardo pesado nos seus ombros.  Se tivesse dado vida a que quer que seja, estaria livre desse fardo.

O passado não vivido se torna um fardo psicológico. Não se iluda, não estou falando de grandes feitos deixados ao longo do caminho, estou falando de todos aqueles momentos que você poderia ter vivido, mas não viveu. Os casos de amor que não existiram, que você deixou passar, porque estava desiludido demais. Aquelas canções que não cantou, porque estava ocupado demais, provavelmente com alguma coisa boba.

Os momentos que não riu com os amigos, porque sei lá, eles não eram tão confiáveis assim. Quando não ficou de papo pro ar com seus companheiros, filhos ou aquelas pessoas especiais, porque você estava ocupado demais com o trabalho, limpeza de casa e tantas outras atividades que bem poderiam ser deixados pra lá.

É o passado não vivido que se torna naquele fardo enorme nos seus ombros e, que a cada dia vai ficando mais pesado até se tornar em algo insuportável.  

Os idosos querem silêncio.

Algumas pessoas, com o avançar da idade, vão ficando cada dia mais rabugentas. Mas na verdade, isso nem é culpa delas, pois nem elas sabem porque são tão ranzinzas. Porque tudo os deixa tão irritados, estão sempre zangados, não podem deixar que os outros sejam felizes, não gosta de ouvir o barulho de crianças. Crianças dançando, cantando, pulando, festejando é a morte para eles.

Porque eles querem tanto silêncio, se a vida é algazarra. Porque eles querem que todo mundo fiquem quieto, se a vida é movimento? O que há com eles?

É o tal do fardo psicológico contendo toda a vida que eles não viveram. Quando um idoso desses, vê uma criança dançar, sua criança interior sofre. Sua criança interior foi, de alguma forma, impedida de dançar, talvez pelos pais, pelos mais velhos, talvez por ele mesmo, porque era respeitável demais.  

É bem provável que tenha sido apresentado pra todos como a criança mais quieta, mais calma, mais silenciosa. Aquela que nunca atrapalha, não faz travessuras. Que espera a poeira baixar para não aprontar nenhum tropel. Na ocasião, o ego dele foi massageado e ele, possivelmente sentiu que era preferido entre os preferidos. Correspondia ao que era esperado dele: silêncio.

Mas de qualquer forma, ele saiu perdendo, não extravasou sua alegria lá no passado e agora no presente, sente-se ridículo para essas demonstrações de alegria. Agora não é mais possível suportar tanta folia, portanto não consegue mais tolerar essa criança berrando ao seu redor o tempo todo.

E quantas feridas assim você está carregando?

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Provavelmente muitas de feridas que ainda doem, por causa das tantas coisas você deixou de viver.  Na verdade, é a sua infância não vivida que começa a doer, porque deixou na alma uma ferida difícil de cicatrizar.

Por isso, seja lá o estiver fazendo, pensando ou decidindo, lembre-se de perguntar a você mesmo uma coisa muito importante, que fará toda a diferença: isso está vindo de mim mesmo ou se trata de outra pessoa falando? Você ficará surpreso ao descobrir a voz verdadeira. Talvez seja a da sua mãe, do seu pai, do seu pastor ou do seu professor. Não é muito difícil de detectar, a voz permanece ali, viva na sua memória, como se você a estivesse ouvindo pela primeira vez o conselho, a ordem, a disciplina, o mandamento.

Escute um conselho

Pelo bem da sua sanidade mental, livre-se das vozes que existe dentro de você. Ficará surpreso ao ouvir uma voz silenciosa que nunca escutou antes, ganhar espaço dentro de você.

Pode ser que, à princípio não consiga identificar de quem seja essa voz, mas aos poucos, irá reconhecer a sua própria voz e pode ser que você se surpreenda com ela. Descubra a sua própria voz. Depois faça o que ela diz, sem receio. Dê ouvidos a ela e se deixa levar, onde ela quiser te levar.  Esteja certo que é ali que está o objetivo de sua vida, é ali que está o seu destino. É só ali que você encontrará satisfação e contentamento.

Mas, mesmo com as todas as dificuldades que tenha na sua vida, seja a favor dela. Sinta-se grato e reverente. Abocanhe o máximo que puder, mastigue-a bem e digira-a com prazer. Desfrute a vida de todas as maneiras possíveis, viva o bom e o ruim, o doce e o amargo, o escuro e o claro, o inverno e o verão. Viva todas as dualidades.

Nunca mesmo

Não deixe nada no passado. Não deixe que nada se transforme num fardo oneroso demais para você. Jamais tenha medo de viver novas experiências: quanto mais experiências você vivenciar, mais integrado com a vida ficará.

Tampouco espere a poeira da boiada passar, vá na poeira mesmo, mas siga seu destino não o da boiada.

Veja também: https://laircecardoso.com.br/cafe-com-a-lairce/meu-corpo-e-minha-casa/

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Sobre o Autor: Lairce Cardoso
Lairce Cardoso

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Nasci no berço da família Cardoso, na cidade de Paranapuã, no interior de SP no dia 15 de Julho de 1.963. Sou a nona filha do Senhor Libério e da Dona Lindaura.

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