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Lairce Cardoso

AMADURECER: SER ADULTO DÓI

13 de abril

Amadurecer: Ser adulto dói. Tornar-se tornar adulto, como todas as demais fases de nossa vida, é uma arte. É preciso estar em paz consigo mesmo, para que seja uma transição tranquila.

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O título de um artigo “sobre ser adulto” me provocou muitas emoções diferentes, pois me recordei de um episódio ocorrido quando meu filho tinha por volta de cinco anos. Causou uma certa comoção ao me recordar daqueles tempos bons e divertidos de quando ele era criança. Ri sozinha, porque acho criança o máximo. Não é à toa que, se pudéssemos, voltaríamos a ser crianças.

“Porque o joelho ralado dói bem menos que o coração partido”, tão bem poetizado por Ana Vilela em sua canção.

Mas vamos ao episódio

Sabe aquele dia em que você acorda, pela manhã, na contramão da ordem natural das coisas. Daí tudo acontece pelas avessas. è o tempo de pular da cama para fazer aquela descoberta fatal: “Chi, o despertador não tocou, dormi demais, perdi hora.” É claro, que pela lei de Murphy, isso acontece exatamente no dia em que não poderia.

Então, começa uma luta frenética contra o relógio. Muitos desejos vão aparecendo na sua mente, parar o tempo, não dá, se transformar em um polvo e colocar os oito braços para trabalhar, também não. Vou ser esfolada viva quando chegar ao trabalho, isso provavelmente irá acontecer. Então, dá-lhe correria: Tomar banho, vestir-se adequadamente, escovar dentes, secar cabelo, maquiar, tomar café, deixar recados para a empregada e estar impecável no horário certo. Ufa, pronta para sair!

Pois é! Só que na pressa, naquela correria louca me esqueci de um detalhe muito importante : meu filho. Eu o preparava pela manhã para ir na escola e, a perua escolar do Tio José, era implacável, não atrasava nenhum dia. Pronto agora iria enlouquecer de vez (agora me bateu a saudade, de novo, do tempo que isso era um movimento natural, sair todas as manhãs para cuidar da vida).

Nos outros dias

Nos demais dias, bastava chamá-lo uma vez que ele pulava da cama e, cantarolando ia para o chuveiro. Sim, eu tinha tempo de fazer um chamego nele antes, dar muitos beijos e fazer uma farra até chegar ao banheiro. O que seria impossível naquele momento. Mas ele era um bom menino e, iria compreender minha situação, assim eu esperava. Mas óbvio que se eu tivesse explicado a situação pra ele, talvez compreendesse, mas o tempo me impediu de tal façanha.

Portanto, minha gente, é claro que nesse dia, a luta para arrancá-lo da cama foi árdua, já estava quase nocauteada. A água do chuveiro estava fria, o uniforme estava incomodando, o tênis estava apertado e ele não gostou do lanche que preparei. O incrível é que nos outros dias o mesmo ritual era o mesmo, só que desacelerado e, aí nada incomodava.  

A correria desse dia foi tão intensa, tão desenfreada, que em menos de meia hora eu já estava completamente estressada e exausta, arrancando os cabelos. Fiquei a imaginar como seria o resto do seu dia. Por certo, seria frita em óleo quente.

Faltou pouco para enlouquecer

Já quase de joelhos e enlouquecida, mediante a sua tranquilidade, ao escovar os dentes, se admirando no espelho, resolvi dar uma acelerada no processo, caso contrário, provavelmente iria surtar. Então, na porta do banheiro, olhei desesperadamente pra ele e berrei: “Vamos meu filho, acelera.”

Ele olhou-me sem nenhuma ruga de preocupação e mandou uma daquelas que não tenho a menor ideia de onde buscava tanta inspiração: “Mamãe, ser adulto dói, né?”

O acolhimento necessário da criança ferida do adulto - Toda On

Para dizer a verdade, ao contrário do que tinha previsto, esse dia foi o mais desestressante daquela temporada tive, porque, a cada momento que me lembrava da história, eu não podia controlar meu riso. Ficava a imaginar minha cara de louca, bufando feito um touro bravo, mediante aquele serzinho tão frágil, mas tão especial. Com apenas um tapinha, ele me nocauteou e me colocou no meu devido lugar. Foi o jeito doce e respeitoso de me dizer: Calma, sua louca! Respira, ninguém vai morrer, por causa de uns minutos de atrasos. Você tem que sempre ser tão perfeita em tudo? Cuidado, porque nesse exato minuto, você está fazendo merda! Bem assim mesmo.

Mas, pegando um gancho na observação de meu filho, tem momentos na vida que ser adulto dói e dói muito, porque as centenas de acontecimentos que marca nossa pele, nossa alma, nosso coração, deixa cicatrizes que machucam e, causam dor.

Dói muito

Dói perder seu brinco favorito, assistir a taça do campeonato mais importante da temporada ser levantada pelo time adversário. Dar uma topada com o dedo mindinho na quina da cama dói, cólica de rim, dor de dente, morder a língua, torcicolo dói.  Dói demais a perda de pessoas queridas, perder um grande amor, perder um filho, perder um amigo estimado. A saudade dói, a traição e a ingratidão, também.

Mas a dor mais doída, pelo menos pra mim, é, sem dúvida, a dor do arrependimento. Não ter tido a coragem de fazer o que realmente queria, principalmente quando não se tem mais tempo para dizer o que precisava ser dito, fazer o que precisava ser feito, ajudar quem deveria ou de arrumar o que bagunçou, é uma dor que machuca mais que trancar o dedo na porta do carro.

Tive o privilégio de participar das Bodas de Ouro dos meus pais, mas, um ano após, o meu pai faleceu, vítima de um câncer de intestino.

Minha mãe, nos momentos mais tristes ou nos momentos que nos aconselhava sobre as questões matrimoniais, dizia muito saudosa: “Se soubesse que ficaria tão só, sem meu companheiro, não teria perdido tanto tempo com brigas inúteis e nem teria falado coisas tão desnecessárias como disse. Fica a dica.

A dor mais doída

No caso de minha mãe era a dor doída da saudade mesmo que a maltratava, porque tive o orgulho de vivenciar o respeito mútuo entre meus pais. Com problemas, sim, como todos os casais, mas o que ali nunca faltou foi amor, companheirismo e respeito.

Mas nesse mundão de meu Deus, existe muita gente presa ao sentimento de culpa e arrependimento por ter sido tão inflexível e ter deixado passar a oportunidade de aliviar a pesada carga que carrega nos ombros e, que bem poderia ser resolvido com pequeninas atitudes. Mas o ego tem que desaparecer.

Essas pessoas, quando tomam uma decisão, demoram tanto remoendo suas dores , que quando o fazem, já não há mais tempo para nada, pelo menos, nesse plano físico. O tempo, meus amigos, não se esqueçam, é implacável e não pede licença para ninguém.  E é assim que uma palavra mal dita, uma declaração de amor nunca revelada, um pedido de perdão negado, uma ajuda omitida, uma chance desperdiçada,  pode desencadear muito ressentimento e dores.

Titãs canta em “Epitáfio” o arrependimento de não ter enxergado esses detalhes enquanto se podia: “Queria ter aceitado as pessoas como elas são. Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração”. Oxalá, a gente soubesse aceitar as pessoas como elas são, com suas alegrias e suas dores; provavelmente, muitos infortúnios seriam evitados. 

Se bagunçou conserte

Por isso, enquanto há tempo, se ama, diga que ama; se errou, peça perdão; se bagunçou, conserte.

Não tem essa de que certas coisas não precisam ser ditas porque o outro já sabe. Tudo bem se ele já sabe, mas, provavelmente, quem precisará compartilhar seu sentimento e arrumar a lambança que aprontou é você. Ao outro cabe a aceitação ou não. E a você, apenas a sua torcida.

Não espere por uma crise ou um grande sofrimento para descobrir quem é importante na sua vida. Você sabe, direitinho, quais as pessoas que te fazem bem, e sabe, perfeitamente, que quem ama cuida.

O grande escritor Mario Quintana tem uma frase que acho muito legal: “Só se deve beber por gosto; beber por desgosto é uma cretinice.”

Como escolher seu curso e não se arrepender depois?

Pois bem! Embriaguemo-nos, então, pelas experiências e oportunidades vividas, não pelo arrependimento de não tê-las experienciado.

Veja também: https://laircecardoso.com.br/cafe-com-a-lairce/pensando-na-morte-da-bezerra/

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Sobre o Autor: Lairce Cardoso

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Nasci no berço da família Cardoso, na cidade de Paranapuã, no interior de SP no dia 15 de Julho de 1.963. Sou a nona filha do Senhor Libério e da Dona Lindaura.

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